Fuá de Clara

Mas acontece que você é forte

Clara, somente eu sei, com exatidão, as dificuldades pelas quais estás passando. Reconheço e respeito a tua luta por se manter bem. Apesar de um pouco perdida, tens certeza de que o caminho de volta, o caminho de ida, o caminho de saída acontece de dentro para fora. Estás tentando se encontrar e eu estou do teu lado. Percebo que existe uma luta para que tudo não seja tão racional. O mundo é acelerado e racional. A racionalidade, às vezes, nos ajuda a fugir dos nossos sentimentos. Sentimento nem sempre tem explicação.

A gente não escolhe a hora em que vai sentir, Clara. A gente sente e pronto. A gente não sabe se vai se machucar. A gente arrisca e pronto. Eu sei, você não gosta que eu fale assim, você tem consciência sobre o que está acontecendo, mas não sabe onde girar a chave. Por mais uma vez, você sente que está mecanizando todo e qualquer movimento com medo de sofrer. Você quer fazer diferente, você quer aprender a se proteger das dores do mundo, você quer ser seu próprio suporte. Sem perceber, na verdade, você está se preparando para uma nova dor (e não vivendo de verdade). Já doeu tanto e por tantas vezes, inesperadamente, que você tem medo de que doa de novo. Você quer criar resistência, você quer ser madura e forte.

Mas, Clara, és forte. Uma das pessoas mais fortes que eu conheço. Resistente à dor e corajosa o suficiente para pedir ajuda e para encarar a dor e os próprios defeitos de frente, a fim de consertá-los. Não posso deixar que carregues, consigo, um ideal de perfeição, por mais forte que isso seja, em ti, a ponto de não enxergares. De tanto mecanizarmos nossas vivências a fim de ficar bem, podemos acabar por não sentir o que, realmente, importa. Então, te perdoes… Planta um pouquinho de um lado e deixa a vida fluir do outro. Receba o que vier e enfrente como puder. Aceite-se. Está tudo bem e tudo bem seja lá o que acontecer.

Encontrarás o equilíbrio, Clara.

Do eu para o ego.

Querido, chega.

Nada do que eu escrever, aqui, será racional. É o meu sentimento que está falando mais alto e eu, jamais, teria a coragem de conversar, por mais uma vez, sobre isso contigo. Compreendo que posso estar causando sofrimento a mim mesma. Ninguém tem responsabilidade com os nossos sentimentos. Eu sei que cabe a mim entender e gerenciar o que sinto. Mas a dor, meu caro, tem causa na tua presença, na nossa convivência, com o que permito que faças comigo.

Não digo isso com prazer ou alívio. Não existe pessoa que esteja sofrendo mais do que eu ao perceber isso. Mesmo sabendo que não tenho teu amor, eu permiti que continuássemos amigos. Mesmo sabendo que não me queres, eu permiti que continuássemos próximos. Mesmo sabendo que você tem a mania de alimentar e iludir, eu permiti, por inúmeras vezes, que esta dor adentrasse e me esmagasse por dentro. Eu tenho, sim, carinho e amizade inexplicáveis por ti, mas olha só o que eu estou fazendo comigo… Acredito que tu, também, tens consciência do quanto esse teu movimento me faz sofrer, mas nunca o cessarás enquanto eu não tomar uma atitude de verdade. É muito triste, pra mim, ter que admitir isso, mas tu não tens amizade por mim a ponto de ter cuidado com o que eu sinto, a ponto de se importar com o que digo, a ponto de lembrar de mim. Quem ama um amigo não o machuca. Acho, ainda, que, se um dia tivestes respeito e consideração a mim, os perdestes a medida que eu não tive respeito e consideração por meus sentimentos e por meu coração.

Caí num ciclo vicioso que compreende permitir que te aproximes quando estou bem na tua ausência, depois me encantar com nossa proximidade, teu jeito de seduzir, tua maneira de conversar e, depois, logo depois, sentir uma pontada forte no coração causada pela percepção de um afastamento brusco. Tu te aproximas, bruscamente, de mim e me iludes com a intensidade de teu movimento e, logo em seguida, tu te afastas, também bruscamente, como se não te interessasses mais, como se estivesses arrependido, como se não te importasses com o que eu sinto. E se me magoei, por anos, com isso, recebi interrogações de retorno, me passastes a ideia de que não te davas conta do que estavas fazendo e que, na verdade, sentias apreço e carinho por mim. Em todas as vezes que recebi essas informações, eu acreditei. O que sinto por ti é tão grande que chegou a passar por cima de minhas próprias feridas.

Contudo, se alguém é capaz de perdoar, sem solicitação alguma da outra parte, só porque não consegue suportar a hipótese de não ter mais aquela pessoa em sua vida, se alguém é capaz de se magoar de maneira profunda pra depois levantar e, em seguida, dispor-se a ser ferido novamente, é porque esse alguém está com problemas sérios de autoestima. Permitir-se ficar num lugar previsível onde o outro faz o movimento que quer porque sabe que tem liberdade total pra isso e porque nunca irá perder o comodismo de ver a outra parte retornar é, no mínimo, perder-se do seu próprio valor.

Agora, eu sei que não receberei mensagens tuas, não te verei vindo correr atrás de mim porque minha angústia, minha dor e meus sentimentos perderam o valor que têm para ti. A culpa é minha. Ao invés de reconhecer o momento de me fazer ausente de toda essa história, eu acreditei que eu tinha importância para ti. Por isso, comportei-me como alguém que pode se dar o direito de expor o que sente a fim de ser compreendido. Eu, realmente, queria muito crer que a minha opinião tinha valor para ti. Mas não tem. E nesse ciclo vicioso, eu ocupei o lugar da mulher chata que faz cobranças. Na realidade, eu fui a mulher carente que mendigou atenção e amor.

Agora, cheguei a um ponto de me ver num lugar de onde tu não te importas se te vejo galanteando outra mulher. Começo, então, a não somente fazer comparações entre o que mereço e o que recebo de ti. Comparo, também, quem eras antes, para mim, e quem és agora. “Mas não existe relacionamento entre nós”, dirás tu, dirão os outros. Não. De fato, não existe relacionamento, nem respeito. Primeiramente, porque não adianta mais falar de minhas mágoas, apesar de elas renovarem-se a cada reaproximação. Eu diria que para cada reaproximação há uma mágoa. Mas falar significaria receber ataques teus de retorno, seria ouvir-te dizer, através de inúmeros argumentos forçados, que a culpa de qualquer situação desconfortável, entre nós, é minha. Falar o que sinto, ao invés de promover reconciliação, seria motivo para um festival de acusações. Sim, meu caro, a culpa é minha de não ter ido embora resolver meus sentimentos sozinha. Em segundo lugar, porque um amigo não deve se prestar ao papel de se alimentar do sofrimento do outro.

A verdade é que, sim, ainda sou apaixonada por ti e não posso continuar tentando mentir pra mim e sofrendo com isso. Acho que não preciso me forçar a ser forte permanecendo numa relação que já não me faz bem. No momento em que estava quase, definitivamente, me curando disso, eu voltei atrás. Em primeiro lugar, porque eu sabia que estavas precisando de alguém ao teu lado em um momento difícil. Para mim, sempre foi inconcebível te ver sofrendo e fazer nada. Hoje, entendo que há um tempo pra tudo, na vida de cada um de nós, e tu deves, sim, ter teu tempo para sofrer e aprender, também. Gostaria de ser um ombro amigo dentro de uma relação saudável, para ti… Em segundo lugar porque, lá no fundo, sem notar, me deixei levar pela tua forma de lidar comigo que nunca deixou de me revelar rastros e esperanças de que, um dia, irias gostar de mim. Agora vejo que era, apenas, uma forma, de me manteres no teu banco de reservas como o deves fazer com tantas outras. Mas nunca irás te culpar por confundir os sentimentos de uma pessoa e ir embora pois pecado, mesmo, para ti, seria se tivéssemos nos rendido aos prazeres carnais e, em seguida, tu me deixasses. Magoar o coração de uma pessoa não conta.

A verdade, talvez a maior verdade de tudo isso, é que somos duas pessoas tentando ser melhores e cometendo erros e acertos. Eu não devo te culpar por não saberes lidar de outra forma com esta situação. Também, não devo me culpar por não saber o que fazer. Talvez, eu precise de um tempo longe deste ciclo para me entender e me curar. Preciso provar pra mim que eu tenho amor-próprio. Só não sei como fazer isso. Como vou me curar? Como posso apostar que tudo pode não voltar se eu te reencontrar? Estaria eu fugindo, desfocando, deixando mal resolvido? Não sei. Isso tudo é tão forte que não me permite saber, com exatidão, o que fazer de verdade. Eu só sei que essa dor, que tem se repetido por tantas vezes, quer me dizer algo.

Insistir na guerra

Já não sei o que fazer com a espera
Enquanto esses pensamentos invadem o meu presente
Consomem meu paladar cerebral de algo bom
E tomam conta da minha mente

Por todas as vezes me preocupei com o futuro
Que estou criando deixando a paz acabar
E tentei repelir o que sinto e penso
Por tantas e quantas vezes isso fosse durar

Na última tentativa
Falei de novo, despretensiosamente, com Deus
E pedi pelo que me causava medo
Entregando os resultados do destino meu

De repente, o corpo assentou-se em si
E eu soube que Deus acolheu o pedido
Agora, é nisso que quero crer
E é isso que pretendo manter vivo

Pai, são 10 anos sem você.

Paulista, 13 de dezembro de 2017

Eu era uma menina e dependia de você pra tudo. Ainda recém-chegada na maioridade, lembro que meu mundo girava em torno de você. Depois que você partiu, era como se eu não tivesse mais sonhos porque todos os sonhos partiram com você. Eu queria me formar pra te mostrar o diploma, eu queria me casar pra você entrar comigo na igreja de braços dados, eu queria ter boas condições financeiras pra te causar orgulho, pra poder te dar uma vida melhor. Você era (e é) o meu herói e eu dependia, completamente, da admiração, do cuidado e do amor que você me fornecia. Não pense que, ao décimo ano de tua partida, eu deixei de sentir falta de ouvir tua voz dizendo “filha, eu te amo, tá?”, “amôor, eu te amo, tá?”, papai tá indo, eu te amo”. Todos os dias, eu ouvia a pessoa que eu mais amava, no mundo, me dizer “eu te amo”. Por muitas e muitas vezes, me culpei pelas vezes em que sentia que era excessivo mas nunca, pai, duvidei da veracidade do seu amor. Era um amor em que eu podia confiar e me aninhar.

Depois de seis meses, criei coragem pra falar com você, pela primeira vez, depois que você me deixou. E foi escrevendo, como faço agora e passei a fazer pelos dez anos seguintes. Ao escrever, pude me encontrar em muitos pontos. Então, decidi, firmemente, que não te transformaria no motivo da minha morte mas na minha razão de viver. E fomos lá eu e todas as Claras que existem em mim te fazer presente em cada nova vivência, buscando a força nesse DNA que nos une, procurando continuar te proporcionando o sentimento de orgulho porque a tua filha não suportava (e nem suporta) a ideia de que teus olhos não pousam mais sobre ela. Eu te fiz e te faço vivo em todos os momentos em que sei que a tua presença é crucial. Não pense que ao décimo ano de tua partida tornou-se mais fácil não ter um pai presente em matéria.

E no imenso vazio que ficou não ver, não ouvir e não abraçar aquele amor e aquele suporte todo que não me faltava, eu procurei você em outras pessoas. Eu sofri um bocado. Eu pirei um bocado. Eu superei um bocado. Eu aprendi um bocado. Também, fui feliz mais um bocado. Recentemente, eu ouvi a Alexandra (Solnado) dizer, na internet, que “se o que te faz arder está do lado de fora, a vida vai ter que te tirar. Somente assim, poderás descobrir a tua lenha interior”. Por muito tempo, carreguei, dentro de mim, uma reflexão certa e rígida de que tua partida tinha um propósito e que eu o havia descoberto. Pensava que a partir da tua ausência, eu cresci forçadamente aprendendo um monte de coisas necessárias sobre como domar a mim mesma, como entender meus motivos, como enfrentar meus monstros, como alcançar meus objetivos. Mas a verdade é que eu demorei dez anos pra descobrir que é muito mais que isso, pai. Talvez, muito mais do que eu consiga escrever.

Você partiu e me obrigou a entender que o centro da minha vida não pode estar fora de mim, não pode morar em outra pessoa. Eu, simplesmente, não poderia deixar de entender que meu subconsciente queria substituir o insubstituível pra que aquela dor doesse menos. No entanto, muito mais honesta e muito mais assertiva estarei sendo eu comigo mesma se aceitar a dor, deixá-la doer e tentar seguir em frente, mesmo assim. Porque a vida tem beleza, apesar do sofrimento. E porque o sofrimento é meu, faz parte de quem eu sou, e somente eu posso arrumar uma forma de lidar com ele.

Eu me reinventei. Reinventei meus sonhos e sinto que estou prestes a me reinventar, novamente, às custas de muita coragem pra enrugar a pele da minha face e chorar, porque agora eu sei que tudo bem errar. E se nas decisões de antes me senti mais próxima de quem eu sou, agora eu quero estar plenamente centrada em mim. Eu entendi que não posso descuidar desse jardim interior, dessas cores do meu ser, desse mundo que me pertence. Não posso deixar de me dar tudo o que, um dia, desejei receber, principalmente, porque eu quero ser capaz de oferecer esses presentes silenciosos que trazem abundância e felicidade para a vida das pessoas. E, por mais cliché que seja dizer isso, como posso dar o que anda tão devastado? Eu entendi, que não posso ser negligente com tantas Claras interiores que precisam de mim. Eu preciso de mim. Eu preciso me abastecer de mim. Eu preciso me dar amor.

E escrevendo isso, penso na coragem e no medo de me expor. O medo tem sido uma constante. Ao pensar em medo, lembro de Flaira (Ferro) que, uma vez, escreveu: “mas se eu não tiver coragem pra enfrentar os meus defeitos, de que forma, de que jeito eu vou me curar de mim?”. Ao pensar num ano tão difícil com tantas provações, com tantos motivos pra jogar a toalha, onde toda mudança e todo crescimento, somente eu posso ver, penso na necessidade absurda e desnecessária de querer provar algo pra alguém que não seja eu mesma. Pai, eu quero que você saiba: minha oração pede pra que a minha segurança se apóie na minha capacidade de ser, completamente, quem eu sou em essência; minha oração pede respeito por todas as pessoas, sem julgamentos e com liberdade; minha oração pede pra que o amor seja verdadeiro e motivo de bem-estar; minha oração pede pela entrega dos medos que paralisam; minha oração pede movimento, luta e fé.

Eu estou comprometida com isso e te digo, pai: eu quero viver. Eu quero ter tempo de fazer mais momentos valerem a pena, quero os pés fincados na realidade presente e a cabeça projetando tudo o que eu for capaz de realizar. Quero ter a oportunidade de sentir as pernas tremerem mas, respirando fundo, escolher que elas vão caminhar. Eu te prometo que vou aprender porque eu sou tua filha. E porque você vive, pai. Você vive em mim.

Com amor e saudade,

Clara.

Sabe o destino? Ele se cumpre

Eu comecei a cantar em 2007 na Capela Cristo Missionário, aqui do bairro onde moro. Meu pai estava morrendo. Eu precisava me apegar em algo antes de me sentir, completamente, só para enfrentar aquela dor cuja chegada eu já pressentia. De maneira concomitante, iniciei uma trajetória cantante nas missas da Universidade Católica de Pernambuco, onde eu estudava. Fiz vários amigos na Pastoral da Universidade. Fiz muitos outros na igreja do meu bairro, também. Amigos de uma vida e para uma vida.

A igreja me ensinou muito sobre ter confiança, especialmente, quando está muito claro que não se tem o controle sobre as situações. A igreja foi a coisa mais certa quando meu pai partiu. Eu fecho os olhos e lembro dos meus amigos ao meu redor e aquilo era tudo o que eu precisava. Carrego em mim, sempre, essa relação de amor construída, refletida e vivida com um Deus que eu nem conhecia e nem conheço, mas faço questão de buscar dentro de mim, todos os dias.

Para me sentir mais próxima do meu pai, que era músico autodidata, foi que eu comecei a estudar Música. Quando eu vou cantar e tocar violão, eu fecho os olhos e me lembro do teclado montado na varanda da minha casa. Eu, tímida, me aproximava e pedia pra cantar. Painho aprendia acordes de músicas gravadas por Sandy e Júnior e Los Hermanos só pra me agradar. Em seguida, ele me pedia pra aprender o repertório de Gal Costa, Caetano, Roberto e, assim, seguia-se a troca. Eu fecho os olhos e lembro de meu pai na sala de minha casa, encostado no sofá, tocando violão e cantando. Ali, compusemos nossa primeira e única música.

Estudar transformou-se num refúgio e, também, num porto seguro para as minhas emoções. Eu me escondi atrás da vida acadêmica. Por mais que eu não quisesse, estava lá dando a ré para chegar no mercado profissional. Aprender a cantar é coisa de gente muito corajosa. Cantar é se expor. No meu caso, aprender a cantar foi destruir uma casa interior montada pra aprender a montar outra. Eu aprendi mas, nem sempre consigo mostrá-la. Essas coisas foram me afetando com o passar do tempo. A opinião de quem não gosta do que ouve foi ficando, apesar de eu saber que tem quem goste, também. Às vezes, isso bateu de maneira mais profunda, agora nem tanto.

Porque, agora, a vida está de cabeça pra baixo, as prioridades mudaram e eu não sei pra onde foram alguns sonhos, alguns projetos, algumas metas. Olho ao meu redor e vejo dificuldades que me abalam. No meio de uma parada na técnica vocal misturada com uma turbulência, foi como se Deus, no susto, me chamasse pra cantar, dizendo: Vai, menina. Eu quis correr, lógico! “Senhor, chame outra pessoa, meu véi. O Senhor não tá vendo como tá essa voz? Não tá vendo como tá essa cabeça? E esse coração? Me chame, não, pai”. Mas, dessa vez, Deus foi teimoso, Ele insistiu, Ele sabe que não me criou pra ser covarde. Ele sabia que eu ia encarar.

Exatos dez anos após aquela pirraia começar a cantar toda desengonçada naquela capela, ela assume seu primeiro compromisso profissional com a Música. E foi pra Ele, bicho. Foi pra Ele que eu cantei. Por Ele comecei a cantar, com Ele prestei o primeiro serviço profissional de cantora da minha vida. Foi como voltar no tempo: depois de tantos anos estudando, até medo de entrar no tom errado deu. Era como se eu, ainda, fosse aquela menina de aparelho na boca e sorriso largo. Mas era, também, como se a mulher que sou hoje estivesse dando a mão pra ela e dizendo: bora, tô aqui, a gente consegue. A oportunidade do jeito que surgiu e, agora, a experiência do que vivi depois disso me dizem que, independente de quem ache feio ou bonito, o que mais me impulsiona a cantar é a necessidade. É como respirar, é como escrever. Eu preciso. Cantar me preenche. Não, é mais que isso. Cantar me alimenta. Não, é mais que isso. Cantar me liberta. Não. É mais que isso. Cantar me cura.

A arte de se vencer

Passei a manhã pensando, lembrando, lendo, meditando e chorando. No final do rito de preparação, havia chegado a hora de recomeçar. Aí procrastinei: Netflix seguido de sono, mas um sono que não me deixava, verdadeiramente, dormir. Era a inércia me entorpecendo, me amolecendo, querendo me fazer parar. Quem passa pelo sutil momento despercebido da dificuldade de levantar da cama e enfrentar a vida não sabe o quanto é vencedor.

Se eu decidir acreditar #1 – Apresentação

“Luna Gabriele Ferreira Lima: este é o meu nome. Tenho vinte e… ah, esquece a minha idade! Estou tentando escrever um diário, me disseram que ia me fazer bem colocar os pensamentos para o papel. Poderia me ajudar na organização das ideias. Papo de psicólogo. Tenho um, se quiser indico (não posso indicar nada para um caderno que, nunca, será lido. Aff…). Enfim, hum… não sei o que escrever nesta primeira folha.

Sou economista. Estudante. Trabalho e estudo. Sou atendente de uma escola técnica. Aí é isso. Eu queria, na verdade, ser artista, musicista para ser mais precisa. Eu estudo escondido no conservatório, aqui, do estado. Meu pai nem sonha que eu estou lutando pelo meu sonho (lutando entre aspas, todos os dias me pergunto se não seria melhor desistir). A rotina é puxada: manhã e tarde no trabalho, três noites da semana nas aulas (inventando desculpa pra não dizer que estou estudando Música), mais uma noite da semana eu ocupo com a terapia.

Pra estudar em casa, é um rebuliço. Não dá pra cantar nem tocar muito alto pra ninguém ouvir. Nem quero que ouçam. Não quero envolver minha família nessas minhas coisas de música. Eles não me apoiam. Eles me dão força pra desistir. Viver da minha arte é o meu sonho, mas como é que se faz isso, no Brasil, me explica? Eu gosto dos números, do pensamento lógico, de organizar planilhas etc, mas não tem sentido a vida quando não tem eu fazendo música, entende? (Quem entende?…). O que eu quero dizer é que não sou infeliz no meu curso mas ele não é a primeira opção da minha felicidade e eu não quero ser um ser frustrado”.

Luna não sabe se continua atendendo às expectativas da família quanto ao seu futuro profissional ou se segue o coração. Ao atender as expectativas dos outros ela deixa de ser julgada pelas pessoas com quem convive, mas também fica triste ao desistir do que, realmente, quer. Ao seguir o coração, ela se enche de felicidade, mas também trava uma guerra com a família, sem contar na bagunça que vão ficar as coisas dentro dela. Estudar e trabalhar não é coisa fácil. A Música exige dedicação mas Luna não tem tanto tempo disponível para isso e esmorece a cada vez que tenta se aproximar do sonho sendo impedida por essas e outras dificuldades. O que Luna pode fazer?

Você pode continuar esta história, aqui, nos comentários e acompanhar o desenrolar dos fatos na categoria Pitaque, se quiser. Já pensou se a sua sugestão for aprovada? Você vai ver seu nome e seus pitacos na história. Quem nunca quis criar o rumo de uma novela? Comenta aí!

Reviver

Um céu com nuvens escuras, fim de tarde, encontros, desencontros, amores naquele banco vividos. Como pode uma simples praça ser tão carregada de sentimentos esquecidos? Sentimentos mortos que passam pelo outono de nossas vidas para, um dia, renascer na primavera, renascer sem a melancolia e a culpa de amores deixados para trás. Ah! O bem que a morte nos traz, fazendo com que a cada dia ressuscitemos para outros sentimentos.

laís xavier

Este post foi sugerido e escrito pela cantora, compositora e estudante de Comunicação Social com habilidade em Publicidade e Propaganda, Laís Xavier (canal Laís Xavier). Você, também, pode sugerir o seu e compartilhar na aba Contato, aqui, do Fuá de Clara. Leremos com carinho a sua sugestão que, sendo aprovada, poderá ser publicada na categoria Trombeta, porque aqui a gente toca as trombetas pra você falar =)

Esse tudo que cabe num só fuá

Clara, ainda lembro das vezes em que tua avó gritava contigo na tua infância: “olha, vai-te embora arrumar aquele teu fuá, lá no quarto!”, coisa que ela fala até hoje porque não consegue perceber que és uma mulher. Uma vez, João, teu primo segundo mais amado de, apenas, cinco anos de idade, presenciou um desses rompantes da senhorinha que, mais uma vez, como se o tempo não tivesse passado, respondeu da seguinte maneira ao ser questionada sobre o paradeiro de algum objeto pessoal que não estavas achando: “deve estar naquele teu fuá perto da cama”. Não esqueço dos olhinhos curiosos de João que, imediatamente, pergunta: “vovó, o que é fuá?”

Fuá é um estalo forte que tocou na tua cabeça ao ouvir as histórias de Marília pela boca de Marcela. Marcela dizia: “nem sei mais por onde andam minhas coisas de unhas. Marília pega e enfia naquele fuá dela. Ninguém acha”. Fuá!, tu pensaste. Uma palavra pequena e engraçada que o dicionário não soube traduzir. Imagine, seu Michaelis anda dizendo pela internet que fuá é um substantivo masculino que significa “conversa ou comentário maledicente; mexerico, intriga”. Pior, ele diz que fuá é uma palavra regionalizada que quer dizer “caspa, pó muito fino que se desprende da pele quando arranhada”. Não, seu Michaelis. Eu não aceito ler o senhor dizendo que fuá é um “aruá, uma acepção de acordo com a zoologia”. Sei nem o que é aruá, meu senhor! Muito menos faço ideia de que fuá é um adjetivo de dois gêneros que traduz uma “montaria manhosa e espantadiça; puava”. Ou um cabra “que é metido a valente, valentão”.

Fuá, no Nordeste, é bagunça, minha gente! Fuá é o emaranhado que Clara faz de seus livros em cima da cama. Faz até hoje, com muito prazer, porque não tem fuá mais gostoso, para ela, do que leituras e mais leituras tomando conta do espaço. O fuá de Clara só pode ficar melhor quando ela pega o violão e senta ao redor de seus livros e partituras. Ali, canta e toca. Fuá é essa mistura de falta de tempo com muita coisa pra fazer mais todas as coisas que gostaríamos de fazer mas a fisiologia traduzida em cansaço não permite.

Em tantas e tantas tentativas de se reorganizar, uma coisa eu sei, Clara: tu nunca deixaste de sonhar. Teu lado escritora adormeceu quando o jornalismo despertou em ti, mas guardaste as sementes dele bem guardadinhas, esperando a hora de germinar. Teu lado cultural jornalístico só aflorou com o contato frequente com o mundo da música. Quando os dois lados estavam maduros, foi de repente que percebeste que o Fuá de Clara estava ali, pronto, diante de ti. Anotações de sonhos adormecidos do diário se uniram a anotações de sonhos adormecidos de jornalismo. Eis que um fuá se fez misturando aquilo que és com a promessa do que virás a ser a partir desta experiência.

Eu, nunca te disse isso, Clara, mas… parabéns. Pequei muitas vezes, ainda peco sempre que não pego na tua mão para caminhar, sempre que não consolo a menina medrosa que há em ti, sempre que te julgo e te puno quando, na verdade, eu deveria ser a primeira a te estimular e encorajar. Eu nunca te disse isso, Clara, mas… você tem talento. Eu preciso te dizer isso porque sei que isso vai multiplicar tuas forças. O amor tudo multiplica. Você está aprendendo a se amar. Eu estou vendo, eu estou sentindo, eu estou sofrendo com você e eu prometo fazer meus esforços para, nunca, te abandonar sozinha, de novo. Eu sei que você precisa de mim assim como cada pessoa precisa de si mesma. Eu nunca te disse isso, Clara, mas você tem quantidade absurda de força. Não é feio ser guerreira, não é feio lutar, não é proibido sonhar.

Fuá de Clara, amanhã, completa um mês de existência. Vamos celebrar cada mesversário e aniversário deste blogue bebê que, no auge de seus trinta primeiros dias, com 11 publicações, tem 721 visualizações, 276 visitantes e 5 maravilhosos seguidores. Teve gente dos Estados Unidos, da Irlanda, de Portugal, do Canadá, do Reino Unido, da Eslováquia, da Argentina e do Uruguai dando uma olhada nos textinhos. Mas nenhum resultado numérico que provenha disso vai conseguir traduzir a satisfação e a emoção de estar vivendo um sonho. Essa coisa de escrever te é intrínseca e eu conheço o tempo que esperastes e o que tivestes de adaptar para chegar até este momento.

Clara, eu nunca te disse isso, mas eu tenho orgulho de você.

Do eu para o ego.

Centenário do samba é tema de espetáculo do MPB Unicap

O grupo musical da Universidade Católica de Pernambuco apresenta repertório que vai de Donga a Jorge Aragão. É nesta terça (5). A entrada é gratuita.

Nesta terça-feira (5), a partir das 19h, o MPB Unicap estreia seu novo espetáculo no palco do Teatro Luiz Mendonça, que fica no Parque Dona Lindu, bairro de Boa Viagem, Recife. Este ano, a banda apresenta o projeto Enredo do Meu Samba, com o objetivo de homenagear os 100 anos do primeiro samba gravado no Brasil e contar a história do gênero. “Trata-se de uma justa homenagem ao ritmo brasileiro mais conhecido e admirado no mundo, onde faremos uma viagem musical pelo centenário do samba gravado no Brasil”, comenta Percy Marques, diretor do grupo.

O evento tem entrada gratuita e os ingressos podem ser retirados no dia da apresentação, na bilheteria do teatro, ou antecipadamente, na Assessoria de Cultura da Unicap (1º andar do bloco R – sala 117).

MPB Unicap / Foto: Paulo Maia

ENREDO DO MEU SAMBA – O novo espetáculo do MPB Unicap vem com a missão de homenagear o centenário do primeiro samba gravado no Brasil: Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida. A data, que marca o aniversário de 100 anos do gênero como um todo, é lembrada pelo grupo com um repertório que vai desde o próprio Donga a Arlindo Cruz, passando pelos compositores clássicos como Noel Rosa, Ary Barroso, Cartola, Dorival Caymmi, Chico Buarque, Djavan e muitos outros. Ronda (de Paulo Vanzolini), Aquarela do Brasil (de Ary Barroso), Tem Mais Samba (de Chico Buarque), Disritmia (Martinho da Vila), Eu e Você Sempre (Jorge Aragão) e Você Me Vira a Cabeça (de Chico Roque e Paulo Sérgio Valle, sucesso na voz de Alcione) são alguns dos clássicos do setlist.

MPB UNICAP – O grupo tem 34 anos de história. Foi fundado em 1983 pelo então professor do curso de Direito da Católica, Armando da Costa Carvalho. É formado por alunos, ex-alunos e funcionários da Universidade. A missão do grupo é contar e cantar a história da Música Popular Brasileira, promovendo espetáculos sempre de cunho didático e com entrada gratuita.

Desde 2012, o MPB Unicap se apresenta anualmente no palco do Teatro Luiz Mendonça. Recentemente, foram abordados em espetáculos do grupo musical temas como a ditadura militar, os 50 anos da TV no Brasil e os 50 anos da Jovem Guarda. Para 2017, os integrantes apresentam a história de 100 anos do samba.

SERVIÇO
O quê? MPB Unicap apresenta Enredo do Meu Samba
Quando? Terça-feira, 5 de setembro | 19h
Onde? Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu (Av. Boa Viagem, s/n)
Quanto? Entrada gratuita (ingressos podem ser retirados no dia da apresentação, na bilheteria do teatro, ou antecipadamente, na Assessoria de Cultura da Unicap – 1º andar do bloco R – sala 117.
Informações: (81) 2119 4186 | (81) 2119 4443

Este post foi sugerido e escrito pela assessora de imprensa Natércia Dantas (blogue Espelho, Espelho Meu). Você, também, pode sugerir o seu e compartilhar na aba Contato, aqui, do Fuá de Clara. Leremos com carinho a sua sugestão que, sendo aprovada, poderá ser publicada na categoria Trombeta, porque aqui a gente toca as trombetas pra você falar =)