Fuá de Clara

Me perdoe por não poder lhe julgar, julgando

Colega, por algum tempo, eu te chamei de amigo… Eu me doei e me atirei a me importar contigo como é praxe de minha personalidade com novas relações. Tenho reparado que as pessoas muito se defendem. Eu não. Eu pago pra ver, até que me provem o contrário. Que besteira é essa de não me dar uma chance de ter um amigo? Que besteira é essa de não me dar uma chance de ser um amigo para alguém? Tenho reparado que o universo emocional das pessoas anda meio adoentado e tudo pode ser motivo para alguma desconfiança.

Colega, não acho que este seja o nosso caso. O que eu acho é uma realidade muito dura de dizer. No entanto, uma vez dita, se torna algo simples como uma pena que cai no chão, vagarosamente.

Eu acho que afinidade e bem-querer não se escolhe com a cabeça. Até hoje, nunca se descobriu o motivo real que nos leva a gostar de alguém querendo compartilhar felicidade. A gente gosta e pronto. Por isso, não posso te julgar…

Não posso te julgar pelo abandono que eu sinto. Não posso te julgar por essa sensação inadequada de injustiça. Não posso te julgar pela minha escolha de ter te acolhido no círculo de doação da minha mais carinhosa amizade. Compreenda que sou humana e meu nível de evolução, ainda, não me permite enxergar com naturalidade estes momentos em que tanto precisei de ti e tu, sabendo que eu não estava bem, nada fez. Não cresci tanto a ponto de não sentir falta de um feliz aniversário, no início do mês passado. Sendo que fulano ficou doente e todo mundo caiu em cima de preocupação. Sendo que sicrano fez aniversário e todo mundo se mobilizou para comemorar. Não sou tão madura para admitir que doei mais do que o necessário e que tu, também, podes estar galgando teus níveis de evolução.

Foi barra, colega… É uma barra esses desencontros da vida que brigam com as nossas carências. É muito difícil não querer se fechar para o mundo, não tomar uma postura vingativa, não querer se proteger de quem te desmerece, mesmo que esse alguém não tenha culpa. Quem não fecha o coração diante das frustrações dessa vida é que é forte, mesmo.

Mundo ao Redor retorna a Recife com temporada

A coreógrafa Adriana Carneiro reestreia, na cidade, em 1º de setembro, com o espetáculo de dança contemporânea que trabalha interação de imagens em tempo real. Será no Teatro Barreto Júnior, a partir das 20h

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Espetáculo Mundo ao Redor / Foto: Tiago Henrique

O espetáculo de dança Mundo ao Redor de Adriana Carneiro retorna a Recife, com nova temporada, a partir do dia 1º de setembro. A concepção do espetáculo se baseia no trabalho da aceitação do corpo como parte integrante de um sistema que abriga pessoas, corpos e coisas. Por intermédio do edital Funcultura Geral, o espetáculo ficará em cartaz durante todas as sextas-feiras de setembro (01, 08, 15, 22 e 29), a partir das 20h, no Teatro Barreto Júnior, que fica na Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, bairro do Pina, Recife. Os ingressos custam R$10, com direito a meia entrada, e estarão disponíveis na bilheteria do teatro a partir das 19h, sempre nos dias de espetáculo.

Mundo ao redor é construído com fusão de linguagens que envolvem fluxos de movimentos, palavras, projeção e interação de imagens. Adriana Carneiro, idealizadora, intérprete e coreógrafa do espetáculo, trabalha em um tom intimista as expressões corporais. “São imagens cotidianas do Recife as que são trabalhadas no espetáculo, projetadas em uma grande tela, interagindo e dialogando com o corpo transeunte, o corpo a corpo, o corpo sistema. Essas imagens, que representam um sistema que agrega corpos, são a inspiração para pensar nos movimentos desse corpo, criando assim, a dança do indivíduo”, explica ela.

Com produção executiva de Nadja Lins, o solo é realizado com áudio descrição, para pessoas com deficiência visual. Em seis anos, Mundo ao Redor já fez temporadas nacional, pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna, e regional, passando por lugares como Surubim, Arcoverde, Goiana, Tocantins e Goiás.

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Foto: Djalma Lima

Mundo ao Redor – foi concebido em 2011 com uma ideia base na Teoria de Unwelt – palavra alemã que significa ambiente. A Teoria indica que a mente e o mundo são inseparáveis, por que é a mente que interpreta o mundo, segundo o biocemioticista Jacob Von Uexkül. “A partir desta perspectiva, observando o corpo ligado a este raciocínio, denominei-o corpo pensante, também criador do seu próprio Umwelt. Subjetivamente, este Umwelt é também uma parte do Recife, é uma parte do criador intérprete e de todos em sua volta, mas pode ser em qualquer outro lugar no mundo e também, a partir da relação em que o homem faz da sua própria consciência e percepções diversas, advindas do seu próprio entorno”, explica Adriana Carneiro. O espetáculo estreou em 2012, na Casa Mecane, em Recife, e foi premiado em 2009 com o Fomento às Artes Cênicas, através do SIC Municipal e Secretaria de Cultura da Cidade do Recife. Em 2015, cumpriu temporadas nacional, pelo Prêmio Funarte de dança Klauss Vianna, e regional visitando lugares como Surubim, Arcoverde, Goiana e Tocantins. É um produto conceitual criado, também, com este propósito de interagir com a sociedade através das artes.  Comunica-se pela versatilidade que a temática oferece com interação midiática de software livre, e a dança em tempo real. A obra, já foi apresentada ao público em circulação nacional pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna em parceria com o SESC-GO e SESC-TO, bem como em Manaus, no Mova-se Festival de Dança de Manaus, e em Goiânia, na Mostra de Dança Manga de Vento que ocorreu no Teatro Centro Cultural da UFG (Universidade Federal de Goiás).

Adriana Carneiro – pernambucana formada em Tanzpädagogik pelo Konservatorium Wien Privatuniversität, em Viena. Entre 2008 e 2009 estrelou o solo Estação, apresentado no 14º Festival Internacional de Dança do Recife. Em 2009, produziu o vídeo dança Degraus, exibido no Seminário Interseções Corpo e Olhar, no Centro de Arte e Comunicação da UFPE, no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, na PlayRec, no Cine Teatro Apolo e no Festival de Inverno de Garanhuns. De 1999 a 2006, trabalhou no Tanztheater LUZ em Viena, do qual foi criadora. Lá, participou de outras produções como  Strassenkinder, Schale & Kern e Der Weg auf dem Weg.

Serviço:
O quê: Espetáculo de dança Mundo ao redor
Quando: Todas as sextas-feiras de setembro (01, 08, 15, 22 e 29), a partir das 20h
Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, bairro do Pina, Recife)
Entrada: R$10 / meia entrada: R$5 (ingressos disponíveis a partir das 19h nos dias de espetáculo)
Categoria: Livre
Contato: (81) 3355.6398 / 3699

Amanhã haverá palestra gratuita sobre Educação Financeira para agentes culturais

A palestra é mais uma atividade do Programa Pernambuco Criativo e acontecerá amanhã (23), a partir das 9h, na Casa da Cultura. A entrada é gratuita

O Programa Pernambuco Criativo, fruto de um convênio entre a Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o Ministério da Cultura (Minc) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realiza, amanhã (23), a palestra Educação Financeira, a ser ministrada pelo coordenador da Agência de Empreendedorismo da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Trabalho e Qualificação de Pernambuco (SEMPETQ/PE), Murilo Nóbrega. O evento iniciará às 9h e acontecerá na Cela Jota Soares, localizada no segundo andar do Raio Sul da Casa da Cultura Luiz Gonzaga. A entrada é franca com inscrições pelo site Sympla.

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Casa da Cultura / Crédito: Costa Neto

Artistas, responsáveis de entidades, produtores e agentes culturais serão o público-alvo da ação que abordará, dentre diversas temáticas, os princípios básicos da Educação Financeira  com esclarecimentos sobre elaboração de orçamento, planejamento, o uso do cartão de crédito e o consumo consciente. “Nós, também, vamos fazer uma dinâmica de grupos para que cada um dos participantes descubra o seu perfil financeiro. A palestra é, especialmente, direcionada para que as pessoas tenham uma ideia de como se planejar e ter o controle e a gestão adequada para a sua necessidade”, explica ele.

O gerente de Projetos Especiais e coordenador de Economia Criativa da Secretaria de Cultura de Pernambuco, Marcus Sanchez, aponta a importância de uma formação na área de gestão financeira para os agentes culturais. “Muitos artistas, empreendedores e produtores exercem atividades multifuncionais nos projetos e negócios culturais e precisam obter o domínio sobre planejamento e gestão financeira que é fundamental para a execução de qualquer projeto. É pensando nisso que o programa está oferecendo essa palestra na abertura da programação de agosto”, explica ele.

Os interessados poderão fazer inscrição, gratuitamente, através do link: http://bit.ly/pecriativo-23082017. Outras dúvidas poderão ser esclarecidas através do email pecriativofundarpe@gmail.com ou no número 3184.3010.

Murilo Nóbrega
Murilo Nóbrega / Foto: Divulgação

PALESTRANTE – Murilo Cunha da Nóbrega tem formação em Engenharia Civil. É autor de diversos projetos na área de Educação Financeira a exemplo do EDFICA, Educar, Ensinar e CIEF, sobre formação para crianças e adolescentes, adultos e orçamento doméstico para aposentados, respectivamente. Atualmente, é coordenador da Agência de Empreendedorismo da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Trabalho e Qualificação de Pernambuco (SEMPETQ/PE).

PERNAMBUCO CRIATIVO – Com atividades iniciadas em março deste ano, o Programa é fruto de um convênio entre a Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o Ministério da Cultura (Minc) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e foi criado com a finalidade de promover atividades formativas para a contribuição do fomento à Economia Criativa no Estado. Além da oferta de palestras, oficinas e workshops gratuitos, do Pernambuco Criativo derivam o Observatório da Cultura e uma revista especializada em artigos da área. Neste segundo semestre do ano, está sendo realizada uma pesquisa, por profissionais da UFPE, com os lojistas da Casa da Cultura, um dos pontos turísticos mais frequentados do Estado, para a produção de um diagnóstico de gestão e inovação da movimentação dos produtos do local, como contribuição a fortalecer o artesanato no Estado. Outras ações que aconteceram por intermédio do Pernambuco Criativo são o Birô de Negócios, que funcionou durante seis meses na Casa da Cultura, e o I Seminário do Observatório de Cultura de Pernambuco.

Serviço
O quê? Palestra sobre Educação Financeira
Quando? Amanhã (23), a partir das 9h
Onde? Casa da Cultura Luiz Gonzaga (Cela Jota Soares, Raio Sul, 2º piso, Rua do Cais da Detenção, S/N, Santo Antônio – Recife)
Inscrições: http://bit.ly/pecriativo-23082017
Entrada gratuita. As vagas são limitadas pela capacidade do local.

Querido, eu estou te esquecendo

Querido, tenho aprendido que não preciso ir tão longe para modificar o mundo ao meu redor. Se eu quiser, mesmo, alguma transformação em minha vida, preciso começar pelo meu interior. É engraçado porque, enquanto não preciso me deslocar a lugar algum, preciso mover quantidade de força e energia absurdas para vencer a mim mesma. O mal começa dentro da gente e a pior luta de se travar, nesta vida, é a luta interior.

Tenho tentado lutar contra os pensamentos que me levam até você, incessantemente, e confesso que isso tem sido cansativo. Sou eu brigando comigo mesma, o tempo inteiro. Sou eu querendo o melhor pra mim, querendo te esquecer, querendo me curar do vício de incluir você, no meu presente, de alguma maneira. Sou eu sofrendo por saber que estou me maltratando ao querer tanto uma pessoa que não me quer de volta. Sou eu dizendo a verdade para mim e calando a vontade de te procurar.

Por vezes, deslizo na vigília do pensamento permitindo com que a imaginação corra solta. Penso como seria bom se você me quisesse, também. Volto para a realidade, puta da vida, porque me causei mal, por mais uma vez. Descuidei e mim e puf! pensei em você. E logo tenho que me perdoar pra voltar para o campo de batalha, novamente, porque um novo pensamento virá.

Essa guerra ninguém pode travar por mim. É preciso muita coragem para enfrentar a si mesmo, assumindo as responsabilidades. Sei que muitos fogem disso, até mesmo, sem perceber. A cada batalha vencida por cada pensamento negado, a cada oração realizada em que peço paz de espírito e iluminação, a cada mínima força garimpada para reagir e procurar outros planos, outros sonhos, eu sinto orgulho de mim.

Querido, você não precisa saber. Você pode guardar a imagem do tempo em que paguei de otária, dei chances, corri atrás. Não faz mais diferença. Eu estou te esquecendo. Sinto que está sendo de uma forma madura, sinto que vai ser no silêncio, sinto que vai ser sofrido e gradativo, mas vai ser de vez.

Volta livre escrita minha

Volta, livre, escrita minha
Venha do fundo das emoções
Venha das correntes quebradas
Das palavras sufocadas
E da dor daquelas prisões

Volta, livre, escrita minha
Vem, traduz a minha dor
Toca o âmago do meu pranto
E liberta com acalanto
Essa falta de dizer o que for

Volta, livre, escrita minha
E me ajuda a pôr pra fora
Cada gota dessas lágrimas
Guardadas com tanta demora

Volta, livre, minha escrita
Pode usar o que quiser
Todo ai, tu, reticências
Gerúndio, oblíquo, sentença
A moda da vez com boné

Venha, livre, escrita minha
Teu grito, tua voz posso ouvir
Reencontre as mãos arrependidas
Da poetisa contida
Que não deixou de sentir

Vem cá, poesia minha
Me cura, sacode, levanta
Me ensine a não ser mais covarde
A tentar transformar em arte
A dor de qualquer lembrança

Conservatório Pernambucano de Música comemora seus 87 anos

Duas noites de muita música comemoram o aniversário da instituição

Amanhã (16), a partir das 20h, o Conservatório Pernambucano de Música (CPM) abre sua tradicional comemoração de aniversário, no Teatro Santa Isabel, com concertos gratuitos. A instituição, que este ano completa 87 anos, traz os músicos Antônio Menezes e André Mehmari, a Orquestra de Câmara de Pernambuco e o Coro de Câmara do CPM para duas noites de muita música. Para quem estiver interessado em assistir, os ingressos estarão disponíveis na bilheteria do teatro uma hora antes do início dos dois eventos.

Na noite de amanhã, se apresentam o pianista, compositor e arranjador carioca André Mehmari e o violoncelista pernambucano Antônio Menezes com o recital AM60AM40 que celebra os 40 e os 60 anos dos músicos, respectivamente. No repertório, composições de grandes nomes da Música, a exemplo de J. S. Bach, Ernesto Nazareth e Tom Jobim.

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Antônio Menezes e André Mehmari / Foto: Estúdio Monteverd

Na quinta-feira (17), a partir das 20h, é a vez da Orquestra de Câmara de Pernambuco e do Coro de Câmara do CPM em uma apresentação conjunta que realizará um repertório de árias de óperas, as Bachianas Brasileiras Nº5, em homenagem aos 130 anos do compositor Villa Lobos, e trechos de musicais a exemplo do Fantasma da Ópera e A Noviça Rebelde. “Estamos caminhando para o centenário do Conservatório e é muito bom poder comemorar mais um aniversário oferecendo, ao público, uma amostra da produção musical de lá, já que esses grupos são formados por professores, estudantes e ex-estudantes do CPM”, diz José Renato Accioly, regente da Orquestra de Câmara de Pernambuco.

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Coro de Câmara do CPM / Foto: divulgação

Noventa músicos, entre instrumentistas e cantores estarão no palco. Os solistas Diego Luri (barítono), Gleyce Melo (soprano) e Mônica Muniz (mezzo-soprano) abrilhantarão a apresentação junto com os convidados especiais Rodrigo Cruz (barítono), Natália Duarte (soprano) e Flávio Soares (tenor).

Serviço
O quê? Aniversário do Conservatório Pernambucano de Música
Quando? Amanhã (16) e quinta (17), às 20h
Onde? Teatro Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio, Recife)
Quanto custa? Entrada gratuita (ingressos disponíveis na bilheteria do teatro uma hora antes de iniciar o evento)

Porque hoje é Dia dos Pais

Paulista, 13 de agosto de 2017

Pai,

Aqui, é Dia dos Pais. Já faz um tempo que esta data não é, para mim, motivo de comemoração. Deveria ser. Eu tive o melhor pai do mundo. Mas é uma data que me faz lembrar da saudade, a saudade de ter vivido uma porção de coisas ao teu lado, a saudade de memorizar tuas expressões, a saudade de dizer que eu te amo…

Faz tempo, não é, pai? Para te ser sincera, ando fugindo dessa coisa de aniversário, dessa coisa de data comemorativa, dessa coisa de expor minha mente a um tanto mais de sofrimento. Tenho fugido de sofrer imaginando como minha vida poderia ter sido. Tenho tentado respeitar o tempo. Eu me permiti anestesiar… Desfocar faz bem, às vezes. Tipo agora, estou arrodeando para te contar umas coisas que andei pensando, tentando justificar minha fuga de falar com você, nesses últimos tempos. Falar com você meio que doeria se fosse pra eu te dizer que andei tendo fraquezas (normal, não é?). Eu sei que você entenderia, mas eu te prometi que eu ia ser forte, que eu ia aguentar, que você poderia ficar tranquilo, eu iria dar conta de tudo. Eu juro que, todos os dias, eu penso em você e arrumo um motivo para recomeçar.

Pai, já me disseram que a vida é feita de encontros e desencontros mas eu acho que a gente nunca consegue falar ou escrever sobre alguma coisa que não tenhamos vivido ou sentido. Eis que a filosofia do significado de um desencontro está se enraizando, em mim. Estou descobrindo que os desencontros são necessários. É necessário desapegar. Dói, também. Em meio a tanta carência afetiva, eu cresci querendo agregar pessoas, conquistar amizades, tê-las perto de mim.

Eu não sabia que aceitar o outro como ele é ou lidar com as expectativas de outrém era tão difícil…

Sabe, estou descobrindo que a gente se aproxima muito de quem mais se aproxima das nossas necessidades. Isso me faz refletir sobre que tipo de necessidade eu tenho para com as pessoas, que tipo de pessoa eu necessito perto de mim, por quê eu necessito e que necessidade, dentre essas, eu seria capaz de suprir sozinha.

Eu descobri que, na grande maioria das vezes, desentender-se com alguém é, na realidade, não suportar as próprias carências gritando dentro do ser implorando pela adequação do outro.

Estar entregue a alguém, em amor ou amizade, é entregar, nas mãos desse alguém, as próprias fraquezas. Amar alguém é desnudar a alma, permitir que alguém lhe descubra e que tenha poder sobre você. Acho que a gente não faz noção de como é, para o outro, viver tudo isso. Eu fico pasma de pensar que todos vivemos essas questões de maneiras singulares e, portanto, diferentes. Imagine como é conviver com mundos tão diversos. Imagine a responsabilidade de mergulhar no universo de alguém… Acho que a quebra de um sentimento implica a quebra do relacionamento. Sinto que as quebras são necessárias para o crescimento mas acho maluco entender.

Em primeira instância, minha memória me lembra que uma quebra pode causar um fechamento de coração. Pessoas que se doaram, arriscaram, apostaram e sofreram fazem, agora, o possível para se proteger. É o instinto da defesa. É orgânico. Mas, olhando pelo ângulo dos encontros, cuja probabilidade não chega a se aproximar da dos desencontros, um coração fechado pode estar anulando futuras possibilidades de ser feliz por meio da precipitação. Se eu pensar mais a fundo, uma quebra é a sucessão de várias tentativas… Vem da decisão sobre que tipo de pessoa queremos ser e que tipo de pessoa queremos ter. Não é fácil explicar esse momento quando ele ocorre.

Imagine não fazer mais parte dos anseios de uma pessoa que, antes, era tão próxima e não entender como isso se sucedeu… Imagine não querer mais proximidade com alguém que representa uma ligação com padrões de comportamento negativos e não saber, ou mesmo, não querer explicar. É possível saber da solidez de uma quebra quando ela acontece assim: silenciosa. Junto com o silêncio, uma explicação e um crescimento que não se traduz em palavras. A gente só sabe que foi necessário quebrar, foi necessário perder. Uma vez quebrado, tudo bem recomeçar, tudo bem arriscar e errar quando se tentou de tudo o que se achava correto para aquele momento.

Tenho pensado no cuidado de envolver pessoas nas minhas expectativas. Tenho pensado no cuidado de estar nas expectativas de alguém. Isso deve ser o reflexo do novo: novas aprendizagens, vida seguindo. Perder alguém não é fácil, ainda que necessário.

Eu te perdi quando menos quis e quando mais precisei de ti. Lembro que me achava muito pequena para enfrentar um mundo tão grande. Ansiava por tua proteção. Tua perda me fez crescer, me obrigou a ter coragem. Eu entendo que tinha que ser assim ainda que desejasse que fosse diferente. Não ter um pai para abraçar, no Dia dos Pais, é não ter uma pessoa que conseguia ler minha alma, do meu lado. Mas, ainda assim, é ter uma estrela, no céu, olhando pra mim.

Da tua pintassilga, com amor,

Clara.

Festa Bafro chega a sua 6ª edição

Com diversas atrações que exaltam a cultura negra, a próxima edição acontecerá neste domingo (13) na Miame Pub

Festa Bafro
Crédito: Cadu Albuquerque

Neste domingo (13), a partir das 16h, vai ao ar a sexta edição da Festa Bafro. Com produção da Olifant, liderada por Pedro Leão e Gael Uno, o evento surgiu da necessidade de destacar, no Recife, a música feita por negras e negros pelo mundo, a exemplo de Angola e Estados Unidos. A festa, que está comemorando um ano de aniversário, acontecerá na Miame Pub, uma das casas que compõe o grupo Metrópole, situada na Rua Manoel Borba, 693, Recife. Os ingressos custam R$10 e podem ser adquiridos por vendas online no site Sympla ou na loja Chilli Beans do Shopping Boa Vista (no térreo da área nova), que fica na Rua do Giriquiti, no bairro da Boa Vista, Recife.

Segundo Pedro Leão, a Bafro tem como foco a exaltação da cultura, a estética e as influências negras. “Como o próprio nome enuncia, traz negritude, atitude, empoderamento, alegria e liberdade como palavras-chave. É uma festa inclusiva e democrática. É amor, é tombamento, é livre, é arte, é música, é celebração da negritude onde ela merece estar: em destaque, em prestígio, em evidência”, diz ele.

O produtor Gael Nuno explica como a festa passou a reunir várias vertentes artísticas, além da Música. “Nas pesquisas para desenvolvimento do projeto, percebemos que havia muitos sentidos que agregariam à festa e a transformamos num movimento coletivo no qual não só música teria espaço, mas também a arte e a moda com foco da produção cultural de artistas da cidade”, pontua ele.

Festa Bafro
Crédito: Cadu Albuquerque

Com uma média de público de, aproximadamente, 600 pessoas, a Festa Bafro traz, ainda, uma feira de artesãos e artistas negros pernambucanos na área externa da boate Metrópole. Haverá apresentações de vários ritmos negros a exemplo do Rap, Funk, Reggaeton, Coco, Afoxé, Ciranda e Samba com performances de Gael, Iury Andrew com feat de Lucas Estevão, Manu Liera, Rogerio Junior e Dandara Sahat. “Vamos celebrar um ano do surgimento da festa que criou um sentimento muito bom de pertencimento nas pessoas negras que abraçaram o projeto. O destaque, certamente, será para mais um experiência que desejamos e estamos trabalhando para que o nosso público tenha”, diz Pedro Leão.

A classificação da festa é 18 anos.

Serviço:
O quê? Festa Bafro
Quando? Domingo, 13 de agosto
Onde? Miame Pub (Rua Manoel Borba, 693, Recife)
Quanto custa? R$10 (ingressos antecipados) / R$15 (ingressos comprados na porta)
Ingressos on-line disponíveis no site Sympla
Ingressos físicos na Chilli Beans (Shopping Boa Vista | Térreo | Área Nova).

Não espere para ser feliz

O que eu aprendi com onze dias de molho, em casa, e o que eu descobri a respeito do propósito de cada dificuldade

Dois dos autores que mais admiro escreveram que em toda dificuldade está contida uma oportunidade. Sendo assim, os acontecimentos vistos como ruins, na realidade, nos convidam a enxergar a situação por um ângulo diferente, aquele que está nos empurrando para um lugar mais adiante. Portanto, cada dificuldade nos causa uma mudança de lugar e nos ajuda a chegar mais perto de onde deveríamos estar. Confesso que tudo isso faz muito sentido mas também é um exercício árduo de reprogramação da mente.

Eu, por exemplo, não conseguia ver vantagem nesta gripe que peguei, recentemente. Já são onze dias. Fiz uma viagem a trabalho e ganhei este presente. Chamar de gripe seria eufêmico de minha parte. Primeiro veio a coriza de toda gripe junto com uma moleza no corpo, um ar de quentura por dentro e uma dorzinha leve na garganta. Na volta da viagem, a coriza evoluiu tanto que me obrigou a respirar pela boca, a dorzinha leve na garganta evoluiu para uma infecção, o ar de quentura me deixou febril e, quando não esperava mais nada, fui pega de surpresa com dores nos ouvidos (um deles acabou tapando) e conjuntivite (creia!).

Em cinco dias de trabalho, só consegui estar presente em um (e nem o deveria ter feito, o esforço de andar em pé dentro de um ônibus cheio em um trânsito caótico de uma viagem intermunicipal pode ter me ajudado a piorar). Repousei muito mas, a cada dia, acordava pior (pode isso, gente?). Dormir, que é tão bom, transformou-se em uma atividade dolorosa (quem é que dorme com o nariz escorrendo, o ouvido doendo, a garganta em fogo que nem engolir a pessoa pode?).

Fora todas as atividades que ficaram pendentes, todas aquelas coisas que tenho vontade de fazer no meu tempo livre e o cansaço nunca me deixou, um semestre de estudos prestes a recomeçar, alguns médicos de outras especialidades para remarcar, exames a se fazer… A rotina, de repente, foi se transformando em horário controlado de remédios, emergências médicas, comer, obrigatoriamente, nos horários certos mesmo sem sentir o gosto, Netflix e cochilos. Bem que eu queria fazer outras coisas mas não havia energia. A saúde é, mesmo, nossa maior riqueza…

Na minha cabeça, o tempo todo, rondava uma pergunta: por que, meu Deus? (É, por quê?). Por que ficar doente de um monte de doenças, ao mesmo tempo? Por que tanto tempo em casa sem utilidade alguma? Por que tantas dores diferentes e concomitantes no corpo? Eu estava de saco cheio neste décimo primeiro dia de doente quando, enfim, me lembrei que essas doenças me levaram até este blogue (aquilo que eu estava dizendo no primeiro parágrafo…). Ter um blogue é um sonho antigo, bem de antes de eu me tornar uma jornalista (e olhe que já são alguns anos de carreira, viu?). Em anos, tentei torná-lo real. Mas eu sou exigente. Queria chegar chegando. Queria começar com capital pra investir, oferecer um visual lindo e profissional, um conteúdo maravilhoso.

Em anos, só pude aprimorar o conteúdo, mesmo (kkkkkk não falemos de capital). Como não gosto de iniciar projetos sem planejamentos, havia esboços engavetados, milhões de ideias guardadas e um vozinha latejando na minha intuição me pedindo para passar por cima de todas as dores que estou sentindo, pegar o notebook e fazer um blogue. Sabe, foi do nada.

Dizem que arriscar atendendo a voz da intuição, nunca, dá errado.

Eu procuro, sempre, me conectar. Vou fazer um blogue, disse eu para mim mesma. Em três dias, tudo fluiu como nunca aconteceu nesses anos todos. De repente, desfiz um projeto de site salvo na internet que eu estava montando e refiz outro com ideias prontas e possíveis de aplicar. Nem me decepcionei com o que encontrei na plataforma gratuita. Tudo o que eu queria, eu consegui colocar. Foi como reger uma orquestra. Um daqueles meus autores prediletos chama isso de ação correta espontânea que, na nossa língua, se chama o momento certo.

A vontade de escrever era tanta que diminuí minhas exigências. Gente, eu não tenho dinheiro para me comprometer com um domínio (creia, jornalistas não ganham tão bem e, neste momento, tenho algumas prioridades financeiras. Sim, eu estou justificando essa minha escolha porque eu sei que um domínio é barato, pelo menos, é o que dizem, pois nem me lembro a última vez que pesquisei a respeito. Sim, eu estou me importando com o que você vai pensar, principalmente se você me conhece. Não faça isso, em casa!) muito menos para um desenvolvedor de site. Tenho planos maravilhosos para criar um site para mim mas não é o momento de colocá-los em prática. Estou morrendo de vontade de voltar a escrever!

Sabe, antes de aprender a escrever dentro do gênero jornalístico, eu enchia meus cadernos de poesia, textos em prosa, crônicas, histórias. Eu amo Literatura, eu amo ficção, eu amo a arte de brincar com as palavras. O Jornalismo meio que me castrou, mas ele não tem culpa, tadinho… Hoje, vejo que o Jornalismo me deu de presente muitas coisas e, atualmente, eu sou a soma de todas elas (o assunto do primeiro parágrafo voltando, novamente). Contudo, eu nunca deixei o diário (vai, me julga, mas vou explicar, mesmo assim). Ter a prática de escrever em um diário significa, para muitas pessoas, uma atitude juvenil de garotas que precisam desabafar seu segredos. Para mim, sempre, significou uma maneira de viver um pouco da minha intensa necessidade de escrever (como você pode perceber, se chegou até aqui, eu escrevo muito kkkk).

Eu amo escrever. Acima disso, eu preciso escrever, entende?

Por isso, o Jornalismo, os anos de perfeccionismo, os planos engavetados e a gripe, nada disso foi em vão. Todas essas fases me trouxeram até este momento onde estou passando por cima da dor, da agonia do ouvido tapado e da tosse seca para escrever o meu primeiro e longuíssimo post. Por que estou feliz?, pergunto eu para mim mesma. Sabe como é, um blogue gratuito, sem investimento de divulgação, o brasileiro nem lê tanto assim…

A resposta é simples: eu estou feliz porque pus em prática a ideia de um sonho antigo com as armas que eu tenho, neste momento.

Agora, estou na pista e viverei as dificuldades que todo aspirante a blogueiro vive e meterei a cara.

Sabe, esperar as condições ideais para ser feliz pode fazer a felicidade fugir pelos dedos. Eu aprendi que a felicidade vem da verdade interior, ser verdadeiro e coerente consigo mesmo, ter consciência de quem você é e do que você pode, ser satisfeito com o que você tem e, nunca, esquecer que, ao seu redor, existe um mundo de possibilidades. Eu sei que a vida é muito difícil e, às vezes, procurar as cores nas pequenas coisas parece besteira mas nem tudo é só cinza. Este é o meu convite e a minha dica pra você no post de hoje: não espere para ser feliz.