Por trás de cada erro

Mexeu com teus sentimentos. Não ficaste bem. Sentiste culpa por mexer na ferida dela. Descobriste que a distância que criaste não é, apenas, um ato de defesa teu. É, também, uma dificuldade de olhar para a dor dela porque dói em ti, também. Ela não quer se ajudar. Talvez por preconceito, medo, falta de recursos. Mas tu querias poder ajudá-la de alguma forma sem te machucares. Todo esse movimento é doloroso. A maior dor da vida dela é a maior dor da tua vida. O sonho que ela, ainda, não realizou é te ver em felicidades e realizações. Tu, sempre, soubeste que, por trás de cada erro dela, existia a vontade e a intenção de acertar. O modus operandi é que é errado. Não é fácil, para ti, vê-la sofrendo e adoecendo, por tantos anos, sem poder ajudar. Um dos teus objetivos é oferecer conforto para a saúde dela. Por muito tempo, atribuíste, aos traumas que sofreste com ela, as tuas dificuldades. Mas, pode ser que, a partir de agora, isso mude. Talvez, a partir de agora, enxergues teus medos de forma diferente.

Eu voltei pra casa

Eu voltei pra casa e eles estavam lá. Antes de entrar, agradeci, perdoei, enviei amor. Ao agradecer, me senti plena, farta, completa, abundante. Eles estavam lá e eu me sentei no topo de uma montanha pra ver, ouvir e sentir.

O sol continuava brilhante e calmo em seu eterno “se pôr”. No sol, coloquei várias pessoas, aquelas que me causaram dor. Ao vê-las envoltas em luz, gerei amor em meu corpo inteiro e o enviei. Eu pedi a força do perdão e a força do amor, em minha vida, a fim de me libertar e, livre, ver o que vem.

E me veio uma emoção muito grande, uma vontade de chorar. Eles seguravam as minhas mãos e diziam: “como é bom ter você de volta”. Então, Ele chegou sorrindo. Sentou-se próximo a mim na terra seca e me abraçou. Falei de minhas dificuldades, anseios, sonhos. E tudo Ele entendia. Disse que ia ficar tudo bem após me ouvir, atentamente, enquanto minhas lágrimas corriam pelo rosto e alcançavam a manga direita de sua roupa. Disse que iríamos trabalhar juntos.

Muitos outros vieram e cantavam em línguas desconhecidas. Também eu cantei e o som era, curiosamente, perfeito. Melodias e letras diferentes, dezenas deles a reverenciarem o sol, cantando. E tudo se encaixava. Eu me senti em casa. Eu estava em casa. Eu voltei pra casa depois que agradeci, perdoei e amei.