Encare a rejeição com naturalidade

Ninguém gosta de ser rejeitado, mas qual é o problema? A rejeição deveria ser encarada como algo tão natural quanto comer arroz com feijão, na segunda, e bife acebolado, na terça. Pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, quem se conhece e se ama, quem sabe o seu valor, não pode esmorecer diante de uma rejeição, não pode deixar de acreditar no amor por causa de uma rejeição, nem pode se desvalorizar nem sofrer, infinitamente, por causa de uma rejeição.

Presta a atenção, gente: rejeição é coisa natural da vida. Neste mundo de afinidades e competências, estamos propícios a encontros e desencontros. Os desencontros NÃO SÃO o fim do mundo. São, só, desencontros. Não morram de tristeza por isso. Fiquem tristes, no máximo. Depois, de posse da sua essência e dos seus ideais, continue lutando pelo que faz sentido pra você. Pronto.

As pessoas têm o direito de serem diferentes e pensarem diferente, de terem gostos diferentes. Ninguém precisa brigar ou humilhar por causa disso. Tem gente que faz isso, mas aí a gente pede a Deus por esses seres humanos tão carentes de evolução como nós. O fato de uma ou, até, mais pessoas, em um universo de sete bilhões, não te querer quer dizer, absolutamente, nada. Não diminui o seu potencial nem faz esvair a tua essência. Você, com sua maturidade, tenha respeito por esses seres e siga em frente, sem tristeza ou raiva disso. Siga vazio ou pleno de amor por si mesmo e vá fazer o seu plantio. Isso é normal. Nem bom nem ruim. Normal. Não diminui e nem aumenta. Normal. Não vamos mudar para provar que aquela pessoa está enganada a nosso respeito se a única motivação existente para esta mudança for uma rejeição. Isso é normal. Não vamos detonar a pessoa e rotulá-la de todos os adjetivos denegridores e obscenos do mundo por causa de uma rejeição. Pelo amor de Deus, isso é normal. Ou você, também, nunca rejeitou alguém na sua vida?

Ser feliz é a arte de deixar coexistir

Olá, meninos! Olá, meninas! Olá, menines! Vamos finalizar essa trilogia com uma frase maravilhosa que eu mesma inventei (mas cujo conceito você já deve ter visto em muitos lugares): ser feliz é a arte de deixar coexistir. Eu comecei a refletir sobre isso há um tempo, assistindo a um vídeo da Cecilia Dassi (conhece o canal dela? Recomendo!). No vídeo, a Cecilia comenta o livro A Parte que Falta, do Shel Silverstein (lembra daquele livro infantil que bombou nas redes sociais e esgotou nas livrarias depois que a Jout Jout o leu, em seu canal? Então: é esse).

Esse vídeo clareou boa parte da minha escuridão a partir de uma informação valiosa que a Cecilia me deu: o lugar da falta e o lugar do preenchimento podem coexistir. Essa situação pode ser permanente e, ainda assim, tudo bem. Do contrário, corremos o risco de estar, sempre, correndo atrás do que falta e isso pode nos roubar as condições e os momentos de sermos felizes, hoje. Ao mesmo tempo que falta alguma coisa (e precisamos ser fortes para lidar com isso) outras partes estão sendo preenchidas.

Há beleza nisso: a falta é necessária. Ela nos faz aprender. Ela nos faz evoluir. Ela nos faz sensíveis o suficiente para estarmos prontos para ouvir. Ouvir Deus. Ouvir o universo. Ouvir a nós. Ela nos prepara para as descobertas das quais necessitamos. Por isso, ela precisa existir. Essa informação me deu uma certa paz mas, ao pensar sobre isso, eu relacionava com coisas ou com pessoas. Lindo mesmo, foi quando comecei a pensar nisso como um estado de ser.

Você pode ficar triste. Você tem esse direito. Mas você não é essa tristeza. Você, também, é a alegria de poder fazer o que gosta. Você pode ficar frustrado. Mas você não é frustração. Você, também, é todas as conquistas que já teve, na vida. Você pode ficar com raiva. Mas você não é essa raiva. Você, também, é a paz de chegar no seu lugar favorito e poder descansar. Consegue perceber a grandeza disso? Não precisamos correr como desvairados atrás de resolver o que é dor. A dor pode ter o seu lugar. Ela pode conviver com o que é alegria, paz, felicidade, satisfação. Está tudo bem. Ela existe por alguma razão. Ela tem um tempo certo para sair, para se resolver. Você não é dor. Você é (e deve ser) o seu próprio suporte, o seu próprio amor (ou amor próprio), o seu próprio cuidado, a sua própria satisfação, admiração. Você pode dar conta de si.

Ao ter plena consciência disso, ao viver isso, nada que venha de fora de você vai poder te derrubar. Você pode, até, envergar, mas não vai quebrar, como escreveu Lenine. Porque você terá o máximo de conhecimento possível a seu próprio respeito e isso vai te facilitar a cuidar e a proteger a si. Você poderá sentir a energia de quem está olhando troncho ou, até mesmo, de quem não gostaria de te ver nessa sintonia. Mas como você estará focado em si, nada que não se encontre dentro de si terá força para te atingir (mentalizar uma luz branca protetora ao seu redor, também, é bom e não custa nada. Funciona, viu?).

É isso amados. Que os vossos corações sejam seus guias.

O dom de desnudar suas fragilidades pra qualquer pessoa

Olá, senhoras. Olá, senhores. Olá, LGBT’s do meu coração. Seguiremos a nossa trilogia postidiana (um neologismo pra me deixar feliz) com a situação número dois descrita no nosso título: o dom de desnudar suas fragilidades para QUALQUER pessoa. Você sofre disso? Isso te incomoda? Calma, eu estou aqui para te ajudar (pode segurar minha mão). Você já sofreu disso? Superou? Vamos combinar de trocar ideias nos comentários?

Lá vou eu com meu bocão dizer o que eu acho. Acho que o primeiro passo é perceber. Sabe quando a gente percebe que alguma coisa está errada? Quando a gente sofre. Essa informação me fez olhar a dor de uma forma diferente, me fez entender que tudo tem um propósito. Há propósitos que se cumprem, silenciosamente. A gente cresce, a gente aprende, a gente se sente melhor e pronto. Nem tudo leva confete, amor (a não ser que você se comprometa consigo a comemorar suas conquistas espirituais e emocionais. Boa ideia essa, não?).

Não fosse a dor, muitos seres humanos continuariam vagando pelo planeta Terra a repetirem os mesmos erros. Já sentiu isso? Que as situações se repetem, na sua vida, mudando, apenas, os personagens ou os lugares ou os dois? Pois, há muitas explicações para isso dependendo do caso, mas uma delas é o inconsciente. Na vida, há muitas crenças adquiridas por osmose (e eu nem tô brincando, visse?). A gente, principalmente enquanto estamos formando personalidade, apreende as crenças de tudo o que vemos, ouvimos e reagimos. Perceber que algo está errado significa sentir que a forma como a gente tem se comportado, por repetidas vezes, diante das situações, tem doído. É quando a gente percebe que, por mais louco que isso seja, somos nosso maior perigo, nosso maior inimigo, a pessoa que mais nos faz mal. Fez sentido? Fez não, né? Calma que eu vou explicar.

Digamos que você não tenha vida social. Digamos, também, que você não tem uma comunicação íntima e sincera com a sua família (você não se sente à vontade para falar sobre tudo com eles). Digamos, ainda, que você sente falta de conversar com alguém, sente falta de se sentir cercado de pessoas que te inspirem segurança e sente necessidade de se sentir inclusa(o). Diante deste cenário, digamos que muitas descobertas estão acontecendo com você, você tem medo de tomar decisões erradas, você não sabe, ainda, lidar com as coisas que você não entende, você se sente sufocado com as palavras que você não disse. Então, você adquire uma forma peculiar de fazer amigos: você faz confidências, você avalia o que as pessoas acham sobre as suas questões. Você conversa com muita gente: gente do círculo dos estudos, gente do círculo dos trabalhos. Às vezes, essa gente toda nem tem amizade mas chega um ponto em que eles se unem, de alguma maneira, porque todos sabem dos seus problemas e da sua vida. Muita gente sabe da sua vida. Você nunca conseguiu filtrar as palavras (nem as pessoas) e acaba confidenciando muitas coisas da sua vida. Qualquer passo que você der será observado por alguém que sabe muito mais do que deveria saber a seu respeito.

Entender, em primeiro lugar, é NÃO se chicotear. Punição não combina com amadurecimento (guarde isso no seu coração, ok?). Entender (que vem depois de perceber) começa com uma compreensão profunda em torno de toda essa carência afetiva, de toda essa insegurança, de toda essa baixa autoestima. Começa com uma análise carinhosa sobre toda a sua história, todas as situações pelas quais você já passou, tudo o que você aprendeu a acreditar, sem pedir ou sem querer, tudo o que contribuiu para que você seja a(o) responsável por essa grande exposição de sua vida, aberta ao falatório de um monte de gente que se sente nesse direito (e em outros mais). Uma parte é você entendendo tudo o que te fez adquirir este padrão de comportamento, outra parte é você decidindo o que vai fazer com isso. Somos feitos de escolhas, já ouviu essa frase de efeito?

Pois, o terceiro passo é esse: escolher. Você se pergunta: que tipo de pessoa eu quero ser? O que é melhor pra mim? Vai se aprofundando nessas respostas e vai fazendo o que pode para chegar perto do que respondeu. Sacou? É importante que, dentro desse processo, esteja uma limpeza de todos os pensamentos e sentimentos que não acrescentam e, ainda, trazem dor. Importante, também, descobrir a sintonia que vai te fazer vibrar junto com aquilo que você quer conquistar. Não vou mentir, o caminho é difícil mas se você quiser saber um pouco mais sobre como trilhá-lo, eu posso te dar uma ajuda (o campo de comentários é todo seu!).

Não é errado querer amar, errado é insistir em quem não te ama

Texto escrito em 23 de novembro de 2016. Quem sabe, ainda, atual.

Olá, senhoras. Olá, senhores. Olá, LGBT’s do meu coração. O post de hoje é sobre amor próprio, auto valorização e autoestima. Vamos falar de como é se sentir um lixo para uma pessoa (ou, até, pior, para si). Vamos falar da arte de ter recaídas. Vamos falar de se contentar com menos, muito menos do que, realmente, merecemos ganhar de alguém. Vamos falar de culpa, de remorso, de raiva de si com direito a vontade de se estapear. Não saia daí! Não mude de janela! O post de hoje está incrível! Vamos falar da arte de não se bastar e sentir a necessidade de dividir suas angústias com várias pessoas sem abertura de possibilidade de ouvir a qualquer uma delas porque, na verdade, você só consegue escutar esse barulho ensurdecedor mexendo as cadeiras dentro de você. Vamos, sim, falar da arte de se expor. Vamos falar de como se sentir no dia seguinte ao mar turbulento se agitar por conta da fraqueza e do sentimento que, por vezes, nos ajudam a escolher ser menos inteligentes. Vamos falar do dom de receber energias negativas e de permitir que suguem a sua energia boa. O mais novo post do Fuá de Clara começa, agora.

Queridos leitores, dividiremos este texto em três blocos, três situações que podem acontecer comigo ou com você, relacionadas a uma enxurrada de sensações e sentimentos que estão ligados a uma única raiz: a raiz da autoestima (de onde provém as ramificações da autoconfiança, autovalorização e amor próprio citados, anteriormente). Pode ser que subdividamos este post em três, caso fique cansativo, apesar de produtivo.

Pois bem, vamos chamar nossa situação número um, carinhosamente, de A recaída que vem depois que eu já descobri que agi como besta. Antes que você se sinta meio mal e com vontade de se enforcar, provocando a sua morte, sentindo raiva de si, deixa eu te dizer uma verdade: esta recaída é muito comum em pessoas corajosas que se permitem acessar, pelas primeiras vezes, na vida, uma base gigantesca de dados compostos por sentimentos. Geralmente, pessoas, verdadeiramente, humanas e admiráveis sofrem dessa situação número um. Eu estou aqui para lhe dizer que NÃO é errado perdoar. NÃO é errado querer retomar uma amizade ou um relacionamento. NÃO é errado amar alguém. Contudo, nas primeiras experiências de se render a um sentimento e se permitir acessar suas fragilidades podemos bambear como uma criança que está aprendendo a andar (a pé ou de bicicleta), como um adolescente que, ainda, não sabe onde colocar a língua na hora do beijo, como um adulto que está sendo jogado, pela primeira vez, no mercado de trabalho.

Assim como, quando crianças e adolescentes, estamos em constantes aprendizados e superações, quedas e levantes, no momento em que nos deparamos adultos em uma cultura onde ter sentimentos é exceção e não regra, é mais do que natural dar umas bambeadas, umas quedinhas, uns tropeços até conseguir andar com fé (cada um do seu jeito). Os erros, nesta situação número um, nos servem para aperfeiçoar o caminho. Portanto, seria um EQUÍVOCO querer deixar de amar por conta de uma recaída. O amor é o caminho e não o erro.

Agora, vamos analisar possíveis descompassos dentro do caminho. Muitas vezes, enxergamos alguns fatores que não nos fazem bem numa pessoa que amamos. Em determinado momento (geralmente, após umas sofridas básicas) cai-se a primeira ficha e descobrimos que não temos, a princípio, como ajudar essa pessoa porque não foi desenvolvido nela, ainda, o elemento essencial de qualquer mudança que é o querer mudar. Geralmente, as pessoas que não costumam trazer elementos do seu inconsciente para o consciente sofrem disso, frequentemente.

São pessoas que costumam muito mais estar preocupadas com a sua imagem perante as pessoas do que com os próprios sentimentos (quanto mais os sentimentos de outrém) que transcendem qualquer coisa. Essas pessoas entendem tudo o que ouvem como cobrança ou crítica destrutiva e se sentem vitimizadas criando clima chato, ou seja, elas revertem a situação e tentam fazer você (que fez uma brincadeira inocente ou que tentou falar alguma coisa com a intenção de ajudá-la) sentir culpa. Na maioria das vezes, elas conseguem. São pessoas que não desenvolveram o dom de escutar e, principalmente, de refletir sobre o que ouvem. No instante em que você acorda e percebe que ajuda muito mais ficando em silêncio do que manifestando sua opinião, é doloroso. De repente, você não se sente mais à vontade para ser você. Você fica no fogo cruzado entre amar alguém que, no entanto, não te faz bem ou ir embora sentindo a dor da falta. Agora, você sabe que ninguém muda ninguém.

Muito bem, você já sabe de tudo isso. Você tem maturidade o suficiente para não entrar em joguinhos sem futuro como o de querer se vingar e o de ficar sem falar. Há uma informação importante em não querer devolver na mesma moeda ou não seguir impulsos negativos motivados pela sua ferida: isso não vai te curar, não vai te ajudar a seguir em frente, não vai diminuir a sua dor. Pelo contrário, alimentar sentimentos e pensamentos ruins só podem te estagnar. Você não quer isso, não é, bem? Leia isto e guarde para todo o sempre: somente o amor cura, quebra e liberta. Difícil aceitar? Impactante? Respirou fundo três vezes pra não querer me bater? Essa é a verdade que eu aprendi, vivi e vivo, embora cambaleando, também. Como é difícil, eu sei, engolir aquela dor agoniante a seco e não fazer mais nada além de tentar seguir em frente! Não é só isso. Como é difícil (como sei!) desejar o melhor para aquela pessoa e enviar, em silêncio, as boas vibrações para ela, apesar de todo o sangue que jorrou daquele corte em carne viva onde um vento basta pra fazer doer de novo! Como é duro amar mas saber que estar próximo demais é suicídio de autoestima, é permissão para desrespeito, desvalorização! É dor na alma!

Para um primeiro momento de reação à dor querendo se cuidar, a casadinha proteção/amor é o que vai te libertar desse passado que você não quer mais, mesmo que as vozes furiosas da sua baixa autoestima digam o contrário. Você aprende a deixar aquela pessoa em um círculo de contatos mais distante. Você amadurece aprendendo a falar, normalmente, se você ver. Você sabe que quem cuida da sua dor é você, quem te feriu não precisa saber do que você está passando. Você toma sua parcela de responsabilidade pelas suas escolhas debaixo do braço e vai. E dói. E vai. E dói. E vai. E vai doendo menos. E continua indo. E quase, já, nem dói. E continua indo.

A fase do quase já nem dói é a mais crítica. Você está quase nem se importando mais. A dor já não dói por um tempinho. Você vê a pessoa, ela não quer falar, mas você nem liga. Tá tudo bem. Você está conseguindo preencher aquele buraco que ficou daquela ruptura. Está preenchendo-o com algo valioso: você. Mas aí a pessoa que você ama e que te feriu e que nunca te ouve, nunca presta a atenção no que você sente e nem se preocupa com isso percebeu que você não vai se render àqueles padrões de comportamentos antigos: você não vai ligar, não vai mandar mensagem, não vai propor conversa, não vai brigar, não vai chamar a atenção. Você fez nada e pretende continuar assim. Ao perceber isso, essa pessoa vai lá e fala com você. “Oi, tudo bem? Você sumiu… nunca mais te vi…” Você faz uma cara de pamonha, compreende a infantilidade daquela postura, mas fala, normalmente, e segue em frente, sem muito contato, sem conversar demais.

No dia seguinte, segue o jogo. A pessoa vem de novo. Puxa uma conversa mais demorada. Seus amigos estão te chamando mas você decide ficar mais um pouquinho com aquela pessoa sem coração porque… por que, mesmo? Eis a pergunta: POR QUÊ? Até que ele interpela uma de suas melhores amigas, segurando-a pelos dois braços, olhando nos olhos dela e, escanteando a conversa que havia iniciado contigo, percebendo que você já estava no papo ao balançar de uma única asinha e pouco se lixando para a sua nobre presença ali, a intima para ir assisti-lo em uma apresentação. Você disfarça, olha no celular. Até que ele vira e te diz o seguinte: “Você, não preciso nem dizer, né?” Claaaaro que não precisa! Afinal de contas, você está sempre ali disponível e atrás dele, não é?

Você se irrita e, brincando, reclama, acha interessante ele intimar uma de suas melhores amigas, na sua frente, daquele jeito. Manda ele se lascar. Vamos brincar pra sair daquilo, né gente? Vamos ficar à vontade como se estivéssemos voltado às boas. Eu sei que foi inocente de sua parte, sei que dali você partiria e a proximidade, aos poucos, voltaria. Mas ele não gosta de ver você mandando ele se lascar na frente dos outros, mesmo se vocês se conhecem há aaaanooosss, mesmo se existe intimidade pra isso, não é? Mas essa intimidade tem que ser escondida. Desde quando ele assumiu sentimento por você, mesmo? Desde quando ele se importa com o que você sente diante desses joguinhos infantis? Desde quando ele foi capaz de se colocar no seu lugar? A doida é tu, porra. A pessoa que explode, se expande, demonstra, age como pessoa que sente e que transborda, às vezes. Na verdade, o ser humano é você, meu amor. Essa pessoa é um monte de programações inconscientes.

Eu sei o que você sentiu depois que ouvir aquele não gostei no ouvido esquerdo. Eu sei que veio forte aquela sensação de ter tido uma recaída, de ter pensado em ceder por mais uma vez, de voltar com a relação SEM que ele tivesse sugerido isso. Veio, ainda, a culpa. Verdade, você fez uma brincadeira íntima, vocês não são mais íntimos, foi na frente das pessoas. Ele tem os motivos dele. Eita, porra. Você pede desculpas, você vê ele inflando o ego. Há pessoas, como você, que pedem desculpas porque valorizam suas relações. Há pessoas, como ele, que aceitam desculpas para confirmar que estão certos e o outro está errado. Para pessoas assim, ouvir um pedido de desculpas é um alívio porque eles não suportam sair de seu quadrado perfeccionista. Eles não conseguem encarar a si, diante de um erro. Eles não sabem se perdoar.

Essa é a situação número um. Você volta a se sentir uma merda depois de quase ter saído dela. Você se decepciona de novo, age como idiota de novo, entrega seus sentimentos de novo, se afoga nas águas rasas da desilusão. Usei uma situação hipotética super simples pra ilustrar o estrago. Eu sei que tem gente que enfrenta rojões maiores. Sabe qual foi teu maior engano? Ter insistido em depositar teus tesouros na pessoa que não iria saber reconhecê-los. Não é errado querer amar. É errado não amar a si e, ainda, insistir em amar alguém que você já sabe que não te enxerga.

Os verdadeiros espertos é que são raros

Texto escrito em 2014. Quem sabe, ainda, atual.

As pessoas vivem dizendo, com ar de sabedoria, que não se deve levar a sério qualquer tipo de relação. Nos dias de hoje, maturidade é proteger os sentimentos com várias cascas de jogos. As pessoas jogam. Ter os pés no chão é enxergar a realidade, exatamente, do jeito que ela é: “homem trai, meu velho, e não pense que as mulheres estão longe disso”, “na realidade, hoje em dia, tudo está muito fácil”, “ai, meu Deus, não seja romântico, as pessoas são livres e podem ficar com quem bem entenderem”. Percebo que qualquer nuance que demonstre o mínimo de sentimento precisa ser escondida: você não será aceito, com facilidade, nos grupos, se não concordar com a ideia de que o amor não existe porque acreditar num relacionamento sério, duradouro e com amor é viver no mundo da fantasia ou ser discriminado como um boboca, abestalhado, abigobal, tabacudo, pra ser mais preciso.

Ter experiência é saber que, no fundo, não existe sentimento que leve à fidelidade ou à vontade de construir uma vida a dois. Não existe amor a dois. Isso fica no campo etéreo da raridade. Vejo muitos homens bonitos, inteligentes, apaixonados por seus ofícios, lutadores por uma sociedade mais justa e casados ou noivos ou namorando agarrando pela cintura e olhando dos pés a cabeça qualquer amiga que passe por eles. Claro, quando suas mulheres não estão por perto. Homens admiráveis até o momento em que demonstram, sutilmente, que estão inseridos na sociedade da sacanagem. Vejo muitas mulheres lindas, com corpos esculturais, inteligentes ou não, sendo o alvo de qualquer um – casado ou não – ao qual levante o dedinho com o gesto de “venha”.

Então, viver bem significa não levar nada, absolutamente, nada a sério. Vamos beijar na boca, trocar salivas, roçar, sentir o cheiro real de nossos corpos colados, fundir nossos órgãos genitais, sentir prazer, prazer, prazer e fingir que nada daquilo mexeu com a gente, que a gente só se gosta ou se curte, no máximo. Vamos ver se, assim, ele ou ela sente vontade de ficar junto, novamente, e vamos vendo no que vai dar. Na maioria das vezes, dá em nada, depois de algum tempo. Um ano, quem sabe. Ou dá: quando acaba, a mulher sente um buraco no meio do corpo, no meio do peito. Não, ela não está apaixonada pelo cara ao qual entregou seu corpo inteiro sem qualquer tipo de pudor ou limite, ela só havia se acostumado com os encontros sistemáticos e frequentes, só se acostumou com o cheiro do suor dele e o seu peso em cima de si, seu hálito, seus beijos, seu olhar, suas brincadeiras, suas gargalhadas. Mas, o que será que ele pensa? Como será, mesmo, a vida dele? Como seriam as pessoas que ele mais ama? Imagina, se essas perguntas passariam pela cabeça dela… Acabou. A fila anda.

O homem nem sabe porque se afastou daquela mulher. Vai ver, ela encheu o saco, ele perdeu a vontade. Vai ver ele nem consegue entender que, em alguma instância, pode ter sentido o campo da fragilidade sentimental se aproximando com alguma conversa boba, alguma cobrança disfarçada de riso. Tenho a impressão que a maioria dos homens se afasta quando se sente desprezado ou quando não se sente suficiente para aquela mulher. Mas os sentimentos dos homens são, mesmo, ocultos pra quem quer que seja. O que sei é que eles se afastam. Acho que nem sabem direito porque se afastam. E, de repente, uma relação que era tão íntima, vira um nada, como se ninguém se conhecesse ou como se fossem inimigos de longa data.

Posso estar enganada mas acredito que a sociedade de 2014 pode estar caindo no grave erro de mentir para si. Ser 100% sincero com seus desejos e sonhos dá trabalho. Eu acho que mulheres e homens querem, sim, amar, mas camuflam essa vontade porque, no fundo, bem lá no fundo do inconsciente, escondidinho, vive um medo de nunca encontrar sua tampa da panela. Na cabeça deles, estão só se permitindo com relações baratas ou dadas como se não houvesse outra forma de ser feliz: a forma que corresponde a ser 100% verdadeiro consigo.

Fico me perguntando se existe ou existirá lugar para os corajosos: aqueles que admitem para o próprio coração que tapar esse buraco no peito significa ter amor próprio, ter respeito pelo próximo e ter a certeza concreta de que querer fazer sexo com quem se ama ou se aposta amar e ter as duas coisas, no cotidiano, não é ter vida de tabacudo. Ser esperto é ser você. Por quantas e quantas vezes esses homens ou essas mulheres se contentarão com uma dança do acasalamento atrás da outra sem nunca se aprofundar, de verdade, no que o outro está trazendo para a sua vida em energia, em aprendizado, em bem estar? Será, mesmo, que eles pensam que entender o outro – casado ou não, gostoso ou não, esperto ou não – como um ser integral, que tem um corpo lindo mas também coração, que sabe fazer direitinho mas que tem pensamentos, sonhos, vida, família – é agir como um tabacudo? E se for, o que me resta afirmar é: nos dias de hoje, os verdadeiros espertos é que são raros.

Um novo olhar para o que se repete

Tenho pensado nos ciclos que se repetem. Por vezes, me canso deles. Cansaço poderia ser um dos piores sentimentos que me abatem, porque ele me faz desistir. Eu demoro a cansar mas, quando canso, falta pouco, muito pouco, para jogar a tolha, chutar o pau da barraca, me abandonar. Existe coisa pior do que se abandonar? Somos o que escolhemos, somos nossa única e real companhia. Somos responsáveis por nós mesmos. Estes são os reais motivos para que não faça sentido algum se abandonar. Significa que somos responsáveis por tudo o que sentimos, tudo o que pensamos. E como diria Carlos Torres Pastorino, em uma citação de uma mensagem que recebi da minha professora de Português no auge dos meus onze anos de idade: “Tudo nasce do pensamento”.

Pensar nos ciclos que se repetem me faz lembrar que, ainda, não aprendi algo de importante que a vida está tentando dizer. Ontem, mesmo, enquanto conversava com uma amiga no ônibus, sentada nas escadas da porta, que não era a de desembarque, e olhando os lugares passarem rápido, fui me dando conta de relações que não quero mas tolero, sei lá por quê. Poderia ser medo de romper? Poderia ser medo de me sentir só? Poderia. Mas o que me faz pensar que viver só é pior do que viver sofrendo com atitudes de pessoas que não posso mudar? Eu olhei pra o vidro daquela porta, o vento batendo nos meus cabelos, e disse: “devo estar me despedindo das relações tóxicas”. Por alguma razão, esta cena me marcou, assim como a frase de Pastorino a qual, jamais, esqueci. Porque romper, nem sempre, precisa acontecer com palavras. Pode ser gradativo, pode ser um desviar de atenção. Pode ser uma atitude de viver outras coisas. Pode ser o respeito pelo tempo de cada um. E estar só pode não ser ficar consigo buscando equilíbrio para uma nova fase que se deseja ou que se aproxima.

O cansaço, às vezes, pode dizer que é preciso tentar de novo e de uma forma diferente das outras. O cansaço e a tristeza podem chamar para um reflexão mais profunda que não poderia arrumar espaço para surgir enquanto as mudanças ocorrem. Este é o momento em que você cresce enquanto nada ocorre. Este é o momento em que você toma decisões que vêm se arrastando por anos em meio à falta de coragem. Este é o momento em que você decide o que é melhor pra você. É em meio ao meu cansaço e à minha tristeza que digo: há algo que, ainda, não aprendi. Pode ser algo que eu sei há muito tempo mas, ainda, não aprendi. Porque aprender é fazer, seja lá de que jeito for. Não saberemos até fazer.

É em meio ao meu cansaço e à minha tristeza que venho caçando a coragem para não desistir de mim. E olhando por outro ângulo: que bom que as repetições ocorrem. Significa obter uma nova oportunidade. Aquela que, somente, cabe a nós aproveitar porque, somente, nós detemos o poder de modificar nossos pensamentos.

Falemos de mesmice

Vamos refletir sobre a mesmice. Uma vez, visitei uma espécie de oráculo, na internet, uma espécie de livro que se pode abrir de qualquer página em busca de uma mensagem, no site de uma terapeuta portuguesa (Alexandra Solnado). Ao experimentar o que ela chama de conexão, fechei os olhos e fiz uma pergunta sobre a ausência de mudanças em uma área de minha vida. Achei a mensagem vinda como resposta muito interessante. Dizia que muito se fala de mudanças e que muita gente vive mudando de lugar, de aparência, de emprego, adquirindo bens materiais etc. Contudo, segundo aquela mensagem, a mudança que, realmente, interessa é a maneira como olhamos as mesmas coisas. A mensagem continuava exemplificando pessoas que, há anos, possuem o mesmo emprego, a mesma casa, o mesmo carro e, no entanto, continuam mudando, sempre.

Trata-se de um esforço todo nosso que está contido naquele pacote de subjetividade que diz quem nós somos. Contudo, percebo que não é todo mundo que está pronto ou que para para observar este lado.

É preciso coragem para mudar, todos os dias, dentro das mesmas atividades. É preciso autoconhecimento e disciplina. Percebo que queremos mudar mas esmorecemos, durante o trajeto, diante das dificuldades de enfrentar a nós mesmos.

Não é, mesmo, fácil. É o meu e o seu desafio. É o desafio de quem prefere dar resolução aos questionamentos pela raiz. Lidar consigo, na sociedade de hoje, diante da forma como fomos criados é começar do zero em uma vida onde tanto já se andou. Mas tudo contribui. Queiramos paciência para nos observar, para nos conhecer, para sermos sinceros conosco quanto aos nossos quereres. Queiramos paciência para não vivermos com os pesos do passado nem com as ansiedades do futuro. Queiramos o presente, mesmo com mesmices. Forcemos um outro ângulo para observar e tenhamos concentração para estar e viver no agora.

Sabe o destino? Ele se cumpre

Eu comecei a cantar em 2007 na Capela Cristo Missionário, aqui do bairro onde moro. Meu pai estava morrendo. Eu precisava me apegar em algo antes de me sentir, completamente, só para enfrentar aquela dor cuja chegada eu já pressentia. De maneira concomitante, iniciei uma trajetória cantante nas missas da Universidade Católica de Pernambuco, onde eu estudava. Fiz vários amigos na Pastoral da Universidade. Fiz muitos outros na igreja do meu bairro, também. Amigos de uma vida e para uma vida.

A igreja me ensinou muito sobre ter confiança, especialmente, quando está muito claro que não se tem o controle sobre as situações. A igreja foi a coisa mais certa quando meu pai partiu. Eu fecho os olhos e lembro dos meus amigos ao meu redor e aquilo era tudo o que eu precisava. Carrego em mim, sempre, essa relação de amor construída, refletida e vivida com um Deus que eu nem conhecia e nem conheço, mas faço questão de buscar dentro de mim, todos os dias.

Para me sentir mais próxima do meu pai, que era músico autodidata, foi que eu comecei a estudar Música. Quando eu vou cantar e tocar violão, eu fecho os olhos e me lembro do teclado montado na varanda da minha casa. Eu, tímida, me aproximava e pedia pra cantar. Painho aprendia acordes de músicas gravadas por Sandy e Júnior e Los Hermanos só pra me agradar. Em seguida, ele me pedia pra aprender o repertório de Gal Costa, Caetano, Roberto e, assim, seguia-se a troca. Eu fecho os olhos e lembro de meu pai na sala de minha casa, encostado no sofá, tocando violão e cantando. Ali, compusemos nossa primeira e única música.

Estudar transformou-se num refúgio e, também, num porto seguro para as minhas emoções. Eu me escondi atrás da vida acadêmica. Por mais que eu não quisesse, estava lá dando a ré para chegar no mercado profissional. Aprender a cantar é coisa de gente muito corajosa. Cantar é se expor. No meu caso, aprender a cantar foi destruir uma casa interior montada pra aprender a montar outra. Eu aprendi mas, nem sempre consigo mostrá-la. Essas coisas foram me afetando com o passar do tempo. A opinião de quem não gosta do que ouve foi ficando, apesar de eu saber que tem quem goste, também. Às vezes, isso bateu de maneira mais profunda, agora nem tanto.

Porque, agora, a vida está de cabeça pra baixo, as prioridades mudaram e eu não sei pra onde foram alguns sonhos, alguns projetos, algumas metas. Olho ao meu redor e vejo dificuldades que me abalam. No meio de uma parada na técnica vocal misturada com uma turbulência, foi como se Deus, no susto, me chamasse pra cantar, dizendo: Vai, menina. Eu quis correr, lógico! “Senhor, chame outra pessoa, meu véi. O Senhor não tá vendo como tá essa voz? Não tá vendo como tá essa cabeça? E esse coração? Me chame, não, pai”. Mas, dessa vez, Deus foi teimoso, Ele insistiu, Ele sabe que não me criou pra ser covarde. Ele sabia que eu ia encarar.

Exatos dez anos após aquela pirraia começar a cantar toda desengonçada naquela capela, ela assume seu primeiro compromisso profissional com a Música. E foi pra Ele, bicho. Foi pra Ele que eu cantei. Por Ele comecei a cantar, com Ele prestei o primeiro serviço profissional de cantora da minha vida. Foi como voltar no tempo: depois de tantos anos estudando, até medo de entrar no tom errado deu. Era como se eu, ainda, fosse aquela menina de aparelho na boca e sorriso largo. Mas era, também, como se a mulher que sou hoje estivesse dando a mão pra ela e dizendo: bora, tô aqui, a gente consegue. A oportunidade do jeito que surgiu e, agora, a experiência do que vivi depois disso me dizem que, independente de quem ache feio ou bonito, o que mais me impulsiona a cantar é a necessidade. É como respirar, é como escrever. Eu preciso. Cantar me preenche. Não, é mais que isso. Cantar me alimenta. Não, é mais que isso. Cantar me liberta. Não. É mais que isso. Cantar me cura.

Não espere para ser feliz

O que eu aprendi com onze dias de molho, em casa, e o que eu descobri a respeito do propósito de cada dificuldade

Dois dos autores que mais admiro escreveram que em toda dificuldade está contida uma oportunidade. Sendo assim, os acontecimentos vistos como ruins, na realidade, nos convidam a enxergar a situação por um ângulo diferente, aquele que está nos empurrando para um lugar mais adiante. Portanto, cada dificuldade nos causa uma mudança de lugar e nos ajuda a chegar mais perto de onde deveríamos estar. Confesso que tudo isso faz muito sentido mas também é um exercício árduo de reprogramação da mente.

Eu, por exemplo, não conseguia ver vantagem nesta gripe que peguei, recentemente. Já são onze dias. Fiz uma viagem a trabalho e ganhei este presente. Chamar de gripe seria eufêmico de minha parte. Primeiro veio a coriza de toda gripe junto com uma moleza no corpo, um ar de quentura por dentro e uma dorzinha leve na garganta. Na volta da viagem, a coriza evoluiu tanto que me obrigou a respirar pela boca, a dorzinha leve na garganta evoluiu para uma infecção, o ar de quentura me deixou febril e, quando não esperava mais nada, fui pega de surpresa com dores nos ouvidos (um deles acabou tapando) e conjuntivite (creia!).

Em cinco dias de trabalho, só consegui estar presente em um (e nem o deveria ter feito, o esforço de andar em pé dentro de um ônibus cheio em um trânsito caótico de uma viagem intermunicipal pode ter me ajudado a piorar). Repousei muito mas, a cada dia, acordava pior (pode isso, gente?). Dormir, que é tão bom, transformou-se em uma atividade dolorosa (quem é que dorme com o nariz escorrendo, o ouvido doendo, a garganta em fogo que nem engolir a pessoa pode?).

Fora todas as atividades que ficaram pendentes, todas aquelas coisas que tenho vontade de fazer no meu tempo livre e o cansaço nunca me deixou, um semestre de estudos prestes a recomeçar, alguns médicos de outras especialidades para remarcar, exames a se fazer… A rotina, de repente, foi se transformando em horário controlado de remédios, emergências médicas, comer, obrigatoriamente, nos horários certos mesmo sem sentir o gosto, Netflix e cochilos. Bem que eu queria fazer outras coisas mas não havia energia. A saúde é, mesmo, nossa maior riqueza…

Na minha cabeça, o tempo todo, rondava uma pergunta: por que, meu Deus? (É, por quê?). Por que ficar doente de um monte de doenças, ao mesmo tempo? Por que tanto tempo em casa sem utilidade alguma? Por que tantas dores diferentes e concomitantes no corpo? Eu estava de saco cheio neste décimo primeiro dia de doente quando, enfim, me lembrei que essas doenças me levaram até este blogue (aquilo que eu estava dizendo no primeiro parágrafo…). Ter um blogue é um sonho antigo, bem de antes de eu me tornar uma jornalista (e olhe que já são alguns anos de carreira, viu?). Em anos, tentei torná-lo real. Mas eu sou exigente. Queria chegar chegando. Queria começar com capital pra investir, oferecer um visual lindo e profissional, um conteúdo maravilhoso.

Em anos, só pude aprimorar o conteúdo, mesmo (kkkkkk não falemos de capital). Como não gosto de iniciar projetos sem planejamentos, havia esboços engavetados, milhões de ideias guardadas e um vozinha latejando na minha intuição me pedindo para passar por cima de todas as dores que estou sentindo, pegar o notebook e fazer um blogue. Sabe, foi do nada.

Dizem que arriscar atendendo a voz da intuição, nunca, dá errado.

Eu procuro, sempre, me conectar. Vou fazer um blogue, disse eu para mim mesma. Em três dias, tudo fluiu como nunca aconteceu nesses anos todos. De repente, desfiz um projeto de site salvo na internet que eu estava montando e refiz outro com ideias prontas e possíveis de aplicar. Nem me decepcionei com o que encontrei na plataforma gratuita. Tudo o que eu queria, eu consegui colocar. Foi como reger uma orquestra. Um daqueles meus autores prediletos chama isso de ação correta espontânea que, na nossa língua, se chama o momento certo.

A vontade de escrever era tanta que diminuí minhas exigências. Gente, eu não tenho dinheiro para me comprometer com um domínio (creia, jornalistas não ganham tão bem e, neste momento, tenho algumas prioridades financeiras. Sim, eu estou justificando essa minha escolha porque eu sei que um domínio é barato, pelo menos, é o que dizem, pois nem me lembro a última vez que pesquisei a respeito. Sim, eu estou me importando com o que você vai pensar, principalmente se você me conhece. Não faça isso, em casa!) muito menos para um desenvolvedor de site. Tenho planos maravilhosos para criar um site para mim mas não é o momento de colocá-los em prática. Estou morrendo de vontade de voltar a escrever!

Sabe, antes de aprender a escrever dentro do gênero jornalístico, eu enchia meus cadernos de poesia, textos em prosa, crônicas, histórias. Eu amo Literatura, eu amo ficção, eu amo a arte de brincar com as palavras. O Jornalismo meio que me castrou, mas ele não tem culpa, tadinho… Hoje, vejo que o Jornalismo me deu de presente muitas coisas e, atualmente, eu sou a soma de todas elas (o assunto do primeiro parágrafo voltando, novamente). Contudo, eu nunca deixei o diário (vai, me julga, mas vou explicar, mesmo assim). Ter a prática de escrever em um diário significa, para muitas pessoas, uma atitude juvenil de garotas que precisam desabafar seu segredos. Para mim, sempre, significou uma maneira de viver um pouco da minha intensa necessidade de escrever (como você pode perceber, se chegou até aqui, eu escrevo muito kkkk).

Eu amo escrever. Acima disso, eu preciso escrever, entende?

Por isso, o Jornalismo, os anos de perfeccionismo, os planos engavetados e a gripe, nada disso foi em vão. Todas essas fases me trouxeram até este momento onde estou passando por cima da dor, da agonia do ouvido tapado e da tosse seca para escrever o meu primeiro e longuíssimo post. Por que estou feliz?, pergunto eu para mim mesma. Sabe como é, um blogue gratuito, sem investimento de divulgação, o brasileiro nem lê tanto assim…

A resposta é simples: eu estou feliz porque pus em prática a ideia de um sonho antigo com as armas que eu tenho, neste momento.

Agora, estou na pista e viverei as dificuldades que todo aspirante a blogueiro vive e meterei a cara.

Sabe, esperar as condições ideais para ser feliz pode fazer a felicidade fugir pelos dedos. Eu aprendi que a felicidade vem da verdade interior, ser verdadeiro e coerente consigo mesmo, ter consciência de quem você é e do que você pode, ser satisfeito com o que você tem e, nunca, esquecer que, ao seu redor, existe um mundo de possibilidades. Eu sei que a vida é muito difícil e, às vezes, procurar as cores nas pequenas coisas parece besteira mas nem tudo é só cinza. Este é o meu convite e a minha dica pra você no post de hoje: não espere para ser feliz.