Música, dança, circo e moda animam a Feirinha da Torre

O público terá entretenimento gratuito e para todos os gostos no bairro da Torre.

Muita música, apresentação de danças urbanas e arte cênica para quem quer entretenimento de qualidade e gratuito. Amanhã (13), na Praça José Sales Filho, não faltará motivos para o público curtir atrações das mais variadas. A programação faz parte da 7ª edição da Feirinha da Torre e contará com a presença de artistas locais de diversas áreas.

Para início das apresentações o grupo Q-RISO promete prender a atenção do público de todas as idades com seu teatro de bonecos.

Q-RISO

Em seguida o grupo Kings On The Beats coordenado por Felipe Alexandre, dará um show de danças urbanas.

Kings On The Beats

A programação segue com a banda Dona Chica, formada no Centro de Educação Musical de Olinda (CEMO), traz um repertório eclético nas vozes das cantoras Andreza Pontes, Kyara Muniz e Jullyanne Santos, além dos músicos Guilherme de Araújo, Anny Barreto, Júlio da Cunha e Romário Thomaz, contando, ainda, com a participação de Thiago Torres.

Dona Chica

Para fechar as apresentações do palco cultural, a banda RAIZ DE VENTO descortina a noite com a poesia de sua música, levando ao público o som marcante e singular de seu trabalho autoral.

Também à tarde, o evento contará com a presença de Ana Peroba que irá conversar sobre moda e estilo. A atividade ajudará o público com dicas sobre as novas tendências e como montar seu look de forma prática e econômica, aproveitando, inclusive, aquelas peças que foram retiradas do uso ou deixadas temporariamente de lado e que, facilmente, encontramos nos brechós da Feirinha.

A presença de mais de 70 expositores garante a satisfação de quem já está se acostumando com o evento a cada segundo sábado do mês! Os moradores do bairro da Torre elogiam a iniciativa que contribui com o meio ambiente, com a ciência, o artesanato e a diversidade cultural pernambucana e a consciência ambiental promovida pela Economia Circular. A Feirinha se reinventa a todo o momento e conquista o público pela qualidade e variedade.

A Praça José Sales Filho fica na Av. Beira Rio, esquina com a Rua Conde de Irajá. À sua frente o Rio Capibaribe contribui para uma das mais agradáveis vistas da Cidade. Segundo os organizadores, a Feirinha visa contribuir com a valorização do espaço, estimulando a convivência e incentivando a preservação do local.

Na próxima edição acontece ainda a oficina de construção de brinquedos com material reciclável e um acervo de brinquedos e livros infantis estará disponível para as crianças se divertirem. O ‘Ciência na Praça’, projeto criado pela pesquisadora Roberta Leme, continuará proporcionando as pessoas conhecimento científico nas mais variadas áreas do saber. Para a 7ª edição, a Universidade Federal Rural de Pernambuco, que segue em parceria com o projeto, trará professores que irão levar ao público informações sobre zoonoses (doenças infecciosas de animais, capazes de ser naturalmente transmitidas para o ser humano).

A Feirinha da Torre começa às 10h e as atrações estão marcadas para ter início às 16h. A entrada é gratuita e o evento encerra às 20h.

SERVIÇO:
O quê? Feirinha da Torre
Quando? Dia 13 de julho de 2019, das 10h às 20h.
Onde? Praça José Sales Filho (Esquina da Av. Beira Rio com Rua Benjamin Constant, bairro da Torre, Recife.)
Quanto custa? Gratuito

Este texto é uma produção da Cultura Iminente, produtora que nasceu com o propósito de anunciar e contribuir com o movimento contra a cultura de massa. A proposta é difundir a cultura que se faz urgente, que está próxima, que é local e que quer alçar voos mais altos.
Conheça a Cultura Iminente:
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Recife tem a única escola de ilustração do Brasil

Situada no bairro de Casa Forte, a Usina de Imagens forma jovens e adultos ilustradores há quase quatro anos.

A Usina de Imagens é uma escola de formação de ilustradores criada em agosto de 2015 pelas ilustradoras Rosinha e Anabella Lopez. A iniciativa nasceu do desejo de repassar, para uma nova geração de ilustradores, suas experiências e conhecimentos adquiridos, ao longo de anos, no mercado editorial de livros para crianças e jovens. O espaço fica na Rua Doutor Luiz Ribeiro Bastos, no bairro de Casa Forte/Recife, e está reservando vagas para o próximo semestre, com início marcado para o dia 2 de agosto.

Com vários prêmios nacionais e internacionais em seu currículo, Rosinha largou uma carreira consolidada na área de Arquitetura para se dedicar, totalmente, à ilustração e à literatura. São 120 livros publicados e prêmios como os da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), o Açorianos, o Jabuti, o Cátedra Unesco PUC-RIO e o White Ravens.

Rosinha
Foto: Divulgação

Já Anabella Lopez, argentina que escolheu viver em Porto de Galinhas, no litoral sul pernambucano, é graduada em Design Gráfico pela Universidade de Buenos Aires e se especializou em Identidade Corporativa e Tipografia. Com vários prêmios em sua bagagem como o da FNLIJ, o Jabuti e o Cátedra Unesco PUC-RIO, também conta com mais de 40 livros publicados no Brasil, na Argentina, no México, nos Estados Unidos, no Canadá, na França e nos Emirados Árabes Unidos.

Anabella Lopez
Foto: Divulgação

As duas se conheceram por intermédio de um editor que tinham em comum. Após ficarem amigas, não demorou a surgir a ideia de criar a primeira escola de ilustração do Brasil. “Pensamos em uma estrutura de curso formatada no intuito de potencializar o processo de criação. Aqui, estão sintetizados anos de nossas experiências no mundo editorial. Nosso objetivo é contribuir para uma formação consistente e autoral. A metodologia é dinâmica e fluida e faz com que o aluno encontre o caminho de um discurso visual próprio”, explica Anabella Lopez.

O curso é composto de um total de seis módulos independentes. Em cada módulo, um tema principal é aprofundado teoricamente e os demais trabalhados simultaneamente. “São realizados dois módulos por ano, com a duração de quatro meses cada. Ao final dos seis módulos, oferecemos mais dois módulos de Projeto para a criação de um livro autoral, colocando em prática todo o conhecimento adquirido ao longo da formação”, diz Rosinha.

Os interessados em garantir sua vaga podem fazer a reserva através do e-mail usina.ilustra@gmail.com ou pelos telefones das próprias ilustradoras (81) 99633.1395 (Rosinha) ou (81) 97907.4135 (Anabella). A mensalidade custa R$ 320.

SERVIÇO:
O quê? Escola de ilustração Usina de Imagens
Reserva e inscrições? usina.ilustra@gmail.com ou pelo celular/WhatsApp (81) 99633.1395 (Rosinha)/(81) 97907.4135 (Anabella)
Onde? Bunker Coworking. Rua Doutor Luiz Ribeiro Bastos, 51 Casa Forte, Recife-PE.
Quanto custa? R$ 320 mensais

Este texto é uma produção da Cultura Iminente, produtora que nasceu com o propósito de anunciar e contribuir com o movimento contra a cultura de massa. A proposta é difundir a cultura que se faz urgente, que está próxima, que é local e que quer alçar voos mais altos.
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A Disputa

De repente formou-se uma confusão incontrolável na porta do falecido.

Sebastião Miguel de Oliveira dos Santos legítimo pedreiro de profissão diferente dos meia-colheres encontrados amiúde bem casado com uma cabocla do pé da Serra da Mata Virgem da graça Margarida de tal a quem não faltavam os bons olhos e os desejos dos namoradores do arruado achara de sem aviso prévio mudar-se desta pra outra ou como no dizer-se enfático do populacho bater a caçoleta! Como se desconvém o inesperado dá-se com as maiores inconveniências no despreparo do entorno das pessoas pois fôra isso tudo verdade porquanto nem bem aguardara o final da madrugada sequer vislumbrando as fraldas da manhã do dia 8 de dezembro do ano de Nosso Senhor e Nossa Senhora de 1959.

– Miguel morreu!

A viúva estremeceu atônita ao lado de um corpo entesado imóvel esticado na cama e deu alarme pra vizinhança.

– Meu Miguelzinho acorda! Esbaforida em berros alardeou aos quatro ventos e com as mãos pros céus tomou o rumo da rua.

Por sorte ou por desdita os filhos não lhe haviam chegado e não foi por falta de trabalhos diários deixando-a ainda com o frescor da juventude em suas pernas torneadas e seios firmes mas de momento desgrenhada naquele alvoroço e decorrente em susto retido nos olhos disso nada se lhe evidenciava. A curiosidade da vizinhança fizera o resto propagando a notícia incluindo maledicências atribuindo aos desditosos excessos cometidos em destemperos na alcova.

Correram na cidade próxima a contratar os serviços funerários e foi aí onde nasceu o desencontro. De um lado parentes do pedreiro acorreram ao Caminho de Nós Todos e pelo outro um tio de Margarida pastor evangélico acertou com a Jesus Me Chama tendo ambas seguido para o lugar da desdita uma mais às pressas no diferente da outra com caixão velas castiçais além de flores para enfeitar o morto. Tudo no atender aos costumes.

Quando a Caminho de Nós Todos chegou à residência da viúva encontrou nos finalmente quase de saída a Jesus Me Chama cuja eficiência fora colocada à prova com o corpo já embalsamado empacotado em caixão azul com ornamentação prateada na sala principal da casa ladeado por quatro grandes castiçais onde as velas faziam tremular línguas de fogo com uma luminosidade embaçada e ainda por terminar os detalhes da ornamentação do finado penteando-se Sebastião com brilhantina em últimos retoques para seguir viagem derradeira com ares de decência.

Isso foi o suficiente para um bate boca desmesurado entre os papa-defuntos. A disputa custou as pernas quebradas de cinco cadeiras enquanto um castiçal entortou nas costas do proprietário da Funerária Caminho de Nós Todos.

Dos círios esparramados pelo chão apenas dois teimavam em queimar e espraiar a cera derretida pelo assoalho.

– Valha-me Deus! Gritava a viúva antevendo a possibilidade de rebentar-se pela sala caixão com o defunto dentro.

Quando o comissário de polícia chegou com um soldado raso de companhia para botar ordem no velório o estrago já estava feito.

Sebastião jazia em decúbito dorsal num recanto onde se via a urna funerária espedaçada e as flores espezinhadas espargindo-se pelo cenário tétrico. Por finalmente após o furdunço jamais presenciado naquele lugarejo a ordem fora restabelecida sob ameaça de todo mundo parar na delegacia. Foi santo remédio o vozeirão do homem da lei com seu bigode hirsuto pança avantajada batendo com o cassetete em altas pancadas na porta aos rugidos tão em voga repetindo a lei do mais brabo sempre ecoando sábias palavras:

– Comigo é na porrada! Quem levou bofete muchicões munhecada no pé d’ouvido sarrabulho esfrega rabo tapa olho rabo de arraia canelada cutucada ou entra num acordo ou o cancão vai piar! Remédio para doido é outro na porta (!) asseverou o legítimo representante do Direito e da Ordem abaixo de Deus. Quero ver o Atestado de Óbito! Gritou.

Não se tinha.

– Quem é o responsável pelo defunto? Sem contar com a pobre viúva!

– Quem contratou a funerária?

Foi de se chegarem Severino com o olho esquerdo roxo pois se metera na briga pela parte do pedreiro e o pastor Joaquim com a Bíblia debaixo do braço com a voz rouca de tanto implorar em nome de Deus para acabarem aquela contenda pois pagariam muito caro pelo desrespeito à imagem e semelhança do Senhor morto ali representado sem a ninguém ter ofendido.

— Foi a gente eu e ele num uníssono responderam a meia voz.

– Os dois cuidem de limpar a casa esbravejou Epaminondas comissário temido pelas sentenças truculentas mão pesada braço forte e trabuco. As duas funerárias me arregimentem um doutor para dar o veredito senão o enterro daqui não sai destemperou. A Caminho de Nós Todos pegue seu caixão novinho em folha encaixote o pedreiro com tudo de ter direito e nesse obedecer de seguir as ordens em quinze minutos retirados os cacos de uns bisquis e de um pinguim despencado de cima da geladeira tudo voltou ao dantes viúva chorando desconsolada duas velhas carpideiras encomendando o corpo e o povoado todo aglomerado pra ver o ocorrido e saber minudências do quiproquó.

O comissário de um lado e o soldado do outro na porta de entrada da casa disciplinavam o fluxo de curiosos apinhados no recinto e nesse momento Dona Zefinha fez um estardalhaço sem tamanho.

– O defunto mexeu a perna!

A casa por pouco não veio abaixo. Correram todos assombrados e levaram de um sopapo só Epaminondas e o soldado Palito e eles aos trancos e barrancos numa verdadeira enxurrada desceram a ladeira a se perder de vista desmoralizando a fama de valentões tanto apregoada.

Quando o médico chegou para examinar o cadáver Sebastião estava sentado no caixão em estado de choque e o ambiente vazio com Margarida sem entender nada enquanto o povão formado dentro e fora da residência se via ainda a correr alguns deles blasfemando como coisa do diabo.

– Pedreiro infame resmungava Jesuíno em disparada num misto de revolta e de espanto.

O doutor foi taxativo e sem meias palavras arrematou:

– Um ataque cataléptico! A pessoa vê e ouve tudo no seu redor e não reage paralisado. É um fato raro mas acontece.

Somente meia dúzia de meses depois tudo se acomodara e os dias entraram na rotina de sempre. No entanto Sebastião não conseguira esquecer Jesuíno compadre de fogueira já de muitos anos por ele no tumulto de sua quase morte ficar roçando pelo traseiro de Margarida num pra lá e pra cá sem vergonha consolando a viúva em fazer de conta de ajudar.

Pelo sabido até hoje as duas empresas funerárias procuram esquecer esse episódio sem o menor sucesso a Caminho de Nós Todos mudou até de nome agora é Deus nos Salve.

Este conto foi escrito pelo editor chefe do jornal Correio do Agreste, Fernando Farias Guerra. Você, também, pode sugerir o seu e compartilhar na aba Contato, aqui, do Fuá de Clara. Leremos com carinho a sua sugestão que, sendo aprovada, poderá ser publicada na categoria Trombeta, porque aqui a gente toca as trombetas pra você falar =)

Em novo local, Feirinha da Torre traz oficinas gratuitas e atrações musicais

Em sua 5ª edição, a Feirinha da Torre chega, no próximo dia 4 de maio, a partir das 10h, em novo local: a Praça José Sales Filho, localizada na esquina da Avenida Beira Rio com a Rua Benjamin Constant, bairro da Torre-Recife. A pracinha faz parte do Circuito da Poesia do Recife, onde se encontra a escultura da jornalista e poeta Celina de Holanda, de autoria do artista plástico Demétrio Albuquerque. Para a próxima edição, o evento contará com apresentação da pianista erudita Áurea de Morais, a cantora Flávia Spencer, o Grupo Cigano Luz e Vida e outras atrações.

A Feirinha da Torre vem se consolidando como um espaço não somente destinado à exposição do rico artesanato pernambucano, mas também abre oportunidade para diferentes linguagens artísticas, como poesia, dança, teatro, música entre outras. Coordenada coletivamente por Lívia Aguiar, Marlova Dornelles, Rodrigo Silva e Virgínia Menezes, a Feirinha da Torre traz o conceito de Economia Circular como norteador de suas ações. Estimula expositores e público a refletir sobre sua relação com tudo o que se consome. “Nas reuniões de planejamento com os artesãos, todos são estimulados a trazerem aquilo que seria, normalmente, descartado em sua produção, dessa forma há uma troca entre eles e o reaproveitamento de resíduos ajuda a minimizar o impacto ambiental promovido pelo simples descarte”, explica Lívia Aguiar, uma das gestoras.

No processo de comercialização dos produtos da feirinha, o público ainda recebe uma ‘moeda simbólica’ por compra realizada. No acúmulo de 5 moedas, o cliente tem a possibilidade de trocá-las por uma linda ecobag produzida com material de banners que, anteriormente, iriam parar no lixo comum. “É uma forma de conscientizarmos o público, da importância em diminuirmos a utilização de sacolas plásticas”, ressalta Marlova Dornelles que além de gestora, também, expõe plantas na feirinha.

A Feirinha da Torre, também, irá inaugurar, nessa edição, sua programação de oficinas. “Teremos uma oficina gastronômica, onde o público irá aprender como reaproveitar a casca da banana em diversas receitas’’, conta Virgínia Menezes que, também, será responsável por uma oficina de artesanato em mosaico em que são reaproveitadas cerâmicas descartadas pelas obras ou por lojas de materiais de construção, transformando-as em peças decorativas.

Segundo Rodrigo Silva, o espaço criado para apresentações culturais vem se tornando uma atrativa oportunidade para os artistas locais, além de um espaço democrático para quem quer expressar alguma linguagem artística. “Na última edição, onde inauguramos esse espaço dedicado ao que há de melhor em nossa expressão cultural e artística, tivemos um recital de poesias com Cida Pedrosa e Susana Morais, as vozes marcantes das cantoras Maria Clara e LAIS, apresentação de capoeira com o grupo ARUANDAÊ e contação de histórias com Edna Braga”, diz o produtor cultural.

SERVIÇO:
O quê? Feirinha da Torre
Quando? Dia 4 de maio de 2019, das 10h às 20h
Onde? Praça José Sales Filho (Esquina da Av. Beira Rio com Rua Benjamin Constant, bairro da Torre, Recife)
Quanto custa? Gratuito

Este texto é uma produção da Cultura iminente, produtora que nasceu com o propósito de anunciar e contribuir com o movimento contra a cultura de massa. A proposta é difundir a cultura que se faz urgente, que está próxima, que é local e que quer alçar voos mais altos.
Conheça a Cultura Iminente:
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Faca de ponta afiada

Salustiano de Zequinha aparentado ainda de Felício das Grotas da Tapera-Ribeiro Grande abaixo meia légua farinha do mesmo saco de Tomázio carregador de jerimum e pegador de fura-melancias do Sítio Capim de Baixo assuntando de tudo um pouco falador contumaz silente de momentos apenas pegador de burro brabo de não levar desaforo pra casa falou: pirraça comigo não tem cabimento cisca-cisca é perda de tempo não sou de briga nem procuro mas não abro parada pra ninguém!

Disse isso enquanto bebericava aguardente de cabeça com raiz de cura bem curtida no boteco de estrada égua baixeira apeada na porta tardinha mortiça de sol entreaberto espiando por meias nuvens porosas e esvoaçantes.

Teimosia de tempo quente se quedava com o sol ouvindo o apito entrecortado de espanta–boiada entocado em moitas braçadas por trás da casa do bodegueiro.

Faz tempo Salustiano de olho fincado em cabra vadio afiava lâmina cortante de faca peixeira.

Não perde por esperar consigo dizia tirintando os dentes parecendo queixada velha acuada e pouco sabendo de como um graveto verde açoitado pelo vento tanto assim tremia.

Quem não viu porco do mato com onça na frente desconhece a valentia do bicho.

De costume Salu como era conhecido fervia por dentro e vez por outra o pacto com o demo pulava na vista. E seu corpo se entregava ao capeta endiabrado saltava de lado pra outro pra cima e pra baixo primeiro no dentro no imaginoso mas tudo no aguardo da ação do fato.

Remoía as coisas todas na alma enquanto serena a faca corria de lado pro outro da pedra de afiar.

Feliço da bodega o Felício a tudo via enquanto o vento da tarde soprava já frio roçando a parede onde Baleia a cachorra vadia se espreguiçava morosa.

A tarde deitava e a noite alvoroçava-se com os espíritos despertos.

Pouco a pouco na venda chegavam os trabalhadores do eito: Zé Cotia vaqueiro João de Cima cortador de avelós e ninguém mais das grotas a se dar respeito deixava de vir Joca Zeferino Soca-Soca Jacaré-de-Papo Amarelo Sumaúma Tembu-Capenga Jovino-Fedegoso Pé–de-Coento Supapo-Frouxo Jerimum e Zeca-Mocó a tropa toda chegava um a um.

Tamborete-beliscador de bunda gemia mas o banco de braúna grosseira aguentava o repuxo de gente sentada a rir no salão soltando baforadas de fumo enquanto a marvada e cheirosa branquinha descia goela adentro.

As tardes todas se repetiam molengas de como quem madorna.

Fazia jeito de sonolência mas aquela boca de noite parecia botar tocaia no bico da faca de Salu disposto mastigando um talo de raiz restado no fundo do copo.

Conversa vai conversa vem feito serrote chiador num prá lá e prá cá desfibrando uma estória sem fim. Chico-Pé-de-Boi levou carreira danada de vaca parida e passou em buraco de cerca onde raposa só passa espremida. Risada geral. Chico não tava ali pra se defender. Correr de vaca é coisa de menino! O fundo da calça rasgou-se na unha de gato! O bafo da remosa fez assombração pro Chico pois até hoje ainda corre estrada afora. Risada geral. Salu de pouco foi perdendo a raiva enroscada nas meias conversas. E a faca pontuda não perfurava mais a bainha inquieta apenas se resguardava dos cortes acomodada no couro cru amansada e calma. Estórias e mais estórias fluíam e o compadre Tomázio não veio nem o cabôco que acordara o demo no peito do amansador de burros passara na estrada. O diabo pediu sossego e de Salu quando se foi já bem tarde engolido na noite montado na égua castanha se ouvia apenas o sacolejar das patas no chão pedregoso num patatá patatá misturando-se pouco a pouco com o coaxar dos sapos da lagoa e os assobios da Comadre Fulozinha-fiuuuuiiii..i..iii….

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O dia nasceu e encontrou Salustiano atravessado de bala na estreiteza de caminho de voltar pra casa pois vingança não se afia em ponta de faca no aberto das pessoas mas sim no mais secreto das confabulações com o demônio.

Foto: Dodó Félix



Este conto foi escrito pelo editor chefe do jornal Correio do Agreste, Fernando Farias Guerra. Ele dá nome ao livro Faca de Ponta Afiada que recebeu menção honrosa no III Prêmio Pernambuco Literário de 2015. Você, também, pode sugerir o seu e compartilhar na aba Contato, aqui, do Fuá de Clara. Leremos com carinho a sua sugestão que, sendo aprovada, poderá ser publicada na categoria Trombeta, porque aqui a gente toca as trombetas pra você falar =)

Início do fim

Oi. Tudo bem? Desculpa mandar mensagem essa hora, mas precisava falar. Eu só queria avisar que você deixou de ser conversa fixada no meu Whatsapp, que todas as nossas fotos juntos foram apagadas e que as nossas playlists do Spotify, também. Sobre a senha da Netflix, pode ficar. Não quero nada que possa me fazer lembrar de você. Você não foi o meu pior erro, mas também não foi um acerto. Vista sua melhor roupa, pois hoje você está saindo da minha vida. E vai, logo! Nem olhe pra trás. Você que causou tudo isso, então nem tente questionar minha decisão. Esse não é o final que sonhei, porém é o que temos pra hoje. Depois dessa mensagem, bloquearei você de tudo e não ouse usar outras contas pra se aproximar. Eu quero ser feliz todos os dias e você só em alguns momentos. Eu quero lutar contra o mundo por esse amor e você não está nem aí. Eu tentei planejar um futuro ao teu lado e você não se importa. Cansei de ser usado para inflar o teu ego, procura outro! Se quer viver de aventuras, viva bem longe de mim. Vai! Teu lugar não é mais ao meu lado.

Texto do estudante de Letras Luan Vasconcelos.

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Encore une fois…

Alors, moi, je ne sais pas comme dire que…

Dessa vez, bem que eu queria,
Escrever em francês,
Dar, outra vez, outra vez…

Aquele suspiro profundo,
Inesperado, calado.
Do tamanho do mundo,
Inusitado, desconsolado.

Pensei tanto em ti esses dias,
Um passo, um laço.
Outro suspiro, uma alegria…
Outro passo, um abraço!

Mas que pena…
Que pena, não era este o abraço que eu queria,
Não era este que faria meu coração soltar os mais belos fogos de artifício.
Não me fez ficar todo cheio de purpurina, como aquele carnaval inesquecido…

Mas fechava meus olhos.
Pensava na tua pessoa.

Na
Tua
Distante
Pessoa

Cabelos negros e lisos,
Olhar esplêndido, cheio de mistérios.
Mistérios a se desvendar como grandes enigmas históricos,
Não pequenos e simples olhares simplórios.

Quem me dera ser o historiador a desvendar esse enigma,
Tens nos teus olhos a força da atração,
Nos teus lábios, de certeza, consolida-se a paixão.

Em meio a tantos devaneios, me perdi no teu lindo olhar,
No teu falar,
No teu pensar,
Que eu nem me lembro mais… Apenas sei que é espetacular.

Tão espetacular quanto as linhas musicais que reproduzem o som de Bach,
Não faz e faz sentido. Estou sem ar.

.
.
.

Respirei,
Suspirei,
Voltei.
Se chegaste até aqui, não sei se estás a rir, ou a ter raiva.
Porém, sou um ser meio barroco que não vai dizer-te nada demais sem antes tocar-te uma peça de violino e te oferecer um desses poemas.

Admiro-te muito.

Texto de Aimer (pseudônimo).

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Acasos que marcam

É bem verdade que algumas feridas, ainda, sangram, de vez em quando, e as cicatrizes são bem visíveis, no meu coração. Mas, quando te encontro, no acaso dos dias, quando nossos olhares se cruzam, pelo caminho, o que sinto é algo que só consigo chamar de alegria. Sim! Alegria. Eu não consigo explicar. Parece que minha racionalidade é suprimida pela força desse sentimento do passado e dessa alegria repentina, causada pela tua presença. Então, você sorri. E percebo que, também, sinto saudade desse sorriso. Ah! Esse sorriso… esse sorriso. Algum cumprimento e o som da tua voz ecoa dentro de mim, e as lembranças das conversas à toa vem a tona. Tenho vontade de tentar outra vez. Será que vale a pena? Não tenho tempo para pensar muito. Estávamos, apenas, atravessando a rua. Seguimos nossos caminhos. E, agora, só me restam as cicatrizes, a alegria, a saudade, as lembranças, porque você… você se foi. Mais uma vez.

Luan Vasconcelos

Texto do estudante de Letras Luan Vasconcelos.

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Sobre rios e pessoas

Talvez você já tenha visto algum vídeo onde alguém pula para dentro de um rio. Porém, sem saber ao certo a profundidade, desconhece que ali, naquele ponto, o rio é raso, que existem pedras, que o perigo está à sua frente, acaba se machucando ou, em muitos casos, morrendo.

A imprudência pode ser usada como vertente explicativa de fatos assim. Sem ter a certeza do que o espera lá embaixo a pessoa salta, acredito eu, desejando que tudo acabe bem.

Imaginemos, então, que as pessoas são como os rios. E, muitas vezes, somos imprudentes. Não conhecemos a profundidade do outro e logo nos lançamos de cabeça. Mas como o rio, apenas parecia profundo. Era superficial e acabamos bem machucados, quando não com os sentimentos mortos.

Tenho visto muita superficialidade hoje em dia. E, mesmo as pessoas que antes não ficavam nas margens, depois de tantas feridas nem se atrevem a sair da ponte.

É tudo muito raso! Falta profundidade. Falta verdade. Falta olho nos olhos. Falta abraço apertado. Falta beijo demorado. São tantas faltas que desconfio que estamos esquecendo como é ser humano. Afinal, faz parte de nossa espécie o contato físico e emocional.

E cada vez mais rasa, essa geração tem criado pessoas cada vez mais feridas e fechadas em si. Onde chegaremos se não mais damos/somos profundidade? Preste atenção onde você saltará da próxima vez, mas não deixe de saltar. Rio adentro existe uma beleza que só os corajosos poderão ver. Mas também, não seja raso. Tenho certeza que alguém quer conhecer as maravilhas do teu interior.

Luan Vasconcelos

Texto do estudante de Letras Luan Vasconcelos.

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A família que o nosso coração escolhe ter

Amigo: o irmão que não é de sangue. O psicólogo que é de graça. O abraço sempre apertado. A risada sem motivo. As loucuras sem limites. As conversas bobas de madrugada. O puxão de orelha na hora certa. O ombro preparado. As mãos que nos enxugam as lágrimas. O remédio das feridas causadas pelas paixões. O amor que nunca morre.

Luan Vasconcelos

Texto do estudante de Letras Luan Vasconcelos

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