Me perdoa

Meu querido, me perdoa chegar com tanta sede de viver e, ao mesmo tempo, com tanta carga emocional. Perdoa a entrada leve, os sorrisos, os olhares, as brincadeiras. Perdoa essa sintonia que é tão evidente. Perdoa meu encanto, minha felicidade com esse reencontro. Perdoa ser tão natural pra mim. Perdoa os deslizes inconscientes, o falatório, as referências. Perdoa aquilo que não percebi e nem soube disfarçar. Perdoa essa honestidade, essa transparência…

Perdoa o sentimento de culpa por te assustar, por te deixar desconfortável. Perdoa o excesso de sensibilidade e o nível agudo de percepção. Perdoa por isso me causar tristeza, frustração, sensação de estar pisando em ovos. Perdoa a minha humanidade, meu bem… meus traumas, minha história, minha luta. 

Sinto muito. Obrigada. A tristeza não vai me impedir de enxergar o aprendizado, o crescimento, o salto. Devo a você a descoberta de um tico mais de coragem, um tico mais de maturidade, um tico mais de respeito. Perdoa os erros mas recebe meus sentimentos bons e meu desejo de que você seja muito, muito, muito feliz.

Não é errado querer amar, errado é insistir em quem não te ama

Texto escrito em 23 de novembro de 2016. Quem sabe, ainda, atual.

Olá, senhoras. Olá, senhores. Olá, LGBT’s do meu coração. O post de hoje é sobre amor próprio, auto valorização e autoestima. Vamos falar de como é se sentir um lixo para uma pessoa (ou, até, pior, para si). Vamos falar da arte de ter recaídas. Vamos falar de se contentar com menos, muito menos do que, realmente, merecemos ganhar de alguém. Vamos falar de culpa, de remorso, de raiva de si com direito a vontade de se estapear. Não saia daí! Não mude de janela! O post de hoje está incrível! Vamos falar da arte de não se bastar e sentir a necessidade de dividir suas angústias com várias pessoas sem abertura de possibilidade de ouvir a qualquer uma delas porque, na verdade, você só consegue escutar esse barulho ensurdecedor mexendo as cadeiras dentro de você. Vamos, sim, falar da arte de se expor. Vamos falar de como se sentir no dia seguinte ao mar turbulento se agitar por conta da fraqueza e do sentimento que, por vezes, nos ajudam a escolher ser menos inteligentes. Vamos falar do dom de receber energias negativas e de permitir que suguem a sua energia boa. O mais novo post do Fuá de Clara começa, agora.

Queridos leitores, dividiremos este texto em três blocos, três situações que podem acontecer comigo ou com você, relacionadas a uma enxurrada de sensações e sentimentos que estão ligados a uma única raiz: a raiz da autoestima (de onde provém as ramificações da autoconfiança, autovalorização e amor próprio citados, anteriormente). Pode ser que subdividamos este post em três, caso fique cansativo, apesar de produtivo.

Pois bem, vamos chamar nossa situação número um, carinhosamente, de A recaída que vem depois que eu já descobri que agi como besta. Antes que você se sinta meio mal e com vontade de se enforcar, provocando a sua morte, sentindo raiva de si, deixa eu te dizer uma verdade: esta recaída é muito comum em pessoas corajosas que se permitem acessar, pelas primeiras vezes, na vida, uma base gigantesca de dados compostos por sentimentos. Geralmente, pessoas, verdadeiramente, humanas e admiráveis sofrem dessa situação número um. Eu estou aqui para lhe dizer que NÃO é errado perdoar. NÃO é errado querer retomar uma amizade ou um relacionamento. NÃO é errado amar alguém. Contudo, nas primeiras experiências de se render a um sentimento e se permitir acessar suas fragilidades podemos bambear como uma criança que está aprendendo a andar (a pé ou de bicicleta), como um adolescente que, ainda, não sabe onde colocar a língua na hora do beijo, como um adulto que está sendo jogado, pela primeira vez, no mercado de trabalho.

Assim como, quando crianças e adolescentes, estamos em constantes aprendizados e superações, quedas e levantes, no momento em que nos deparamos adultos em uma cultura onde ter sentimentos é exceção e não regra, é mais do que natural dar umas bambeadas, umas quedinhas, uns tropeços até conseguir andar com fé (cada um do seu jeito). Os erros, nesta situação número um, nos servem para aperfeiçoar o caminho. Portanto, seria um EQUÍVOCO querer deixar de amar por conta de uma recaída. O amor é o caminho e não o erro.

Agora, vamos analisar possíveis descompassos dentro do caminho. Muitas vezes, enxergamos alguns fatores que não nos fazem bem numa pessoa que amamos. Em determinado momento (geralmente, após umas sofridas básicas) cai-se a primeira ficha e descobrimos que não temos, a princípio, como ajudar essa pessoa porque não foi desenvolvido nela, ainda, o elemento essencial de qualquer mudança que é o querer mudar. Geralmente, as pessoas que não costumam trazer elementos do seu inconsciente para o consciente sofrem disso, frequentemente.

São pessoas que costumam muito mais estar preocupadas com a sua imagem perante as pessoas do que com os próprios sentimentos (quanto mais os sentimentos de outrém) que transcendem qualquer coisa. Essas pessoas entendem tudo o que ouvem como cobrança ou crítica destrutiva e se sentem vitimizadas criando clima chato, ou seja, elas revertem a situação e tentam fazer você (que fez uma brincadeira inocente ou que tentou falar alguma coisa com a intenção de ajudá-la) sentir culpa. Na maioria das vezes, elas conseguem. São pessoas que não desenvolveram o dom de escutar e, principalmente, de refletir sobre o que ouvem. No instante em que você acorda e percebe que ajuda muito mais ficando em silêncio do que manifestando sua opinião, é doloroso. De repente, você não se sente mais à vontade para ser você. Você fica no fogo cruzado entre amar alguém que, no entanto, não te faz bem ou ir embora sentindo a dor da falta. Agora, você sabe que ninguém muda ninguém.

Muito bem, você já sabe de tudo isso. Você tem maturidade o suficiente para não entrar em joguinhos sem futuro como o de querer se vingar e o de ficar sem falar. Há uma informação importante em não querer devolver na mesma moeda ou não seguir impulsos negativos motivados pela sua ferida: isso não vai te curar, não vai te ajudar a seguir em frente, não vai diminuir a sua dor. Pelo contrário, alimentar sentimentos e pensamentos ruins só podem te estagnar. Você não quer isso, não é, bem? Leia isto e guarde para todo o sempre: somente o amor cura, quebra e liberta. Difícil aceitar? Impactante? Respirou fundo três vezes pra não querer me bater? Essa é a verdade que eu aprendi, vivi e vivo, embora cambaleando, também. Como é difícil, eu sei, engolir aquela dor agoniante a seco e não fazer mais nada além de tentar seguir em frente! Não é só isso. Como é difícil (como sei!) desejar o melhor para aquela pessoa e enviar, em silêncio, as boas vibrações para ela, apesar de todo o sangue que jorrou daquele corte em carne viva onde um vento basta pra fazer doer de novo! Como é duro amar mas saber que estar próximo demais é suicídio de autoestima, é permissão para desrespeito, desvalorização! É dor na alma!

Para um primeiro momento de reação à dor querendo se cuidar, a casadinha proteção/amor é o que vai te libertar desse passado que você não quer mais, mesmo que as vozes furiosas da sua baixa autoestima digam o contrário. Você aprende a deixar aquela pessoa em um círculo de contatos mais distante. Você amadurece aprendendo a falar, normalmente, se você ver. Você sabe que quem cuida da sua dor é você, quem te feriu não precisa saber do que você está passando. Você toma sua parcela de responsabilidade pelas suas escolhas debaixo do braço e vai. E dói. E vai. E dói. E vai. E vai doendo menos. E continua indo. E quase, já, nem dói. E continua indo.

A fase do quase já nem dói é a mais crítica. Você está quase nem se importando mais. A dor já não dói por um tempinho. Você vê a pessoa, ela não quer falar, mas você nem liga. Tá tudo bem. Você está conseguindo preencher aquele buraco que ficou daquela ruptura. Está preenchendo-o com algo valioso: você. Mas aí a pessoa que você ama e que te feriu e que nunca te ouve, nunca presta a atenção no que você sente e nem se preocupa com isso percebeu que você não vai se render àqueles padrões de comportamentos antigos: você não vai ligar, não vai mandar mensagem, não vai propor conversa, não vai brigar, não vai chamar a atenção. Você fez nada e pretende continuar assim. Ao perceber isso, essa pessoa vai lá e fala com você. “Oi, tudo bem? Você sumiu… nunca mais te vi…” Você faz uma cara de pamonha, compreende a infantilidade daquela postura, mas fala, normalmente, e segue em frente, sem muito contato, sem conversar demais.

No dia seguinte, segue o jogo. A pessoa vem de novo. Puxa uma conversa mais demorada. Seus amigos estão te chamando mas você decide ficar mais um pouquinho com aquela pessoa sem coração porque… por que, mesmo? Eis a pergunta: POR QUÊ? Até que ele interpela uma de suas melhores amigas, segurando-a pelos dois braços, olhando nos olhos dela e, escanteando a conversa que havia iniciado contigo, percebendo que você já estava no papo ao balançar de uma única asinha e pouco se lixando para a sua nobre presença ali, a intima para ir assisti-lo em uma apresentação. Você disfarça, olha no celular. Até que ele vira e te diz o seguinte: “Você, não preciso nem dizer, né?” Claaaaro que não precisa! Afinal de contas, você está sempre ali disponível e atrás dele, não é?

Você se irrita e, brincando, reclama, acha interessante ele intimar uma de suas melhores amigas, na sua frente, daquele jeito. Manda ele se lascar. Vamos brincar pra sair daquilo, né gente? Vamos ficar à vontade como se estivéssemos voltado às boas. Eu sei que foi inocente de sua parte, sei que dali você partiria e a proximidade, aos poucos, voltaria. Mas ele não gosta de ver você mandando ele se lascar na frente dos outros, mesmo se vocês se conhecem há aaaanooosss, mesmo se existe intimidade pra isso, não é? Mas essa intimidade tem que ser escondida. Desde quando ele assumiu sentimento por você, mesmo? Desde quando ele se importa com o que você sente diante desses joguinhos infantis? Desde quando ele foi capaz de se colocar no seu lugar? A doida é tu, porra. A pessoa que explode, se expande, demonstra, age como pessoa que sente e que transborda, às vezes. Na verdade, o ser humano é você, meu amor. Essa pessoa é um monte de programações inconscientes.

Eu sei o que você sentiu depois que ouvir aquele não gostei no ouvido esquerdo. Eu sei que veio forte aquela sensação de ter tido uma recaída, de ter pensado em ceder por mais uma vez, de voltar com a relação SEM que ele tivesse sugerido isso. Veio, ainda, a culpa. Verdade, você fez uma brincadeira íntima, vocês não são mais íntimos, foi na frente das pessoas. Ele tem os motivos dele. Eita, porra. Você pede desculpas, você vê ele inflando o ego. Há pessoas, como você, que pedem desculpas porque valorizam suas relações. Há pessoas, como ele, que aceitam desculpas para confirmar que estão certos e o outro está errado. Para pessoas assim, ouvir um pedido de desculpas é um alívio porque eles não suportam sair de seu quadrado perfeccionista. Eles não conseguem encarar a si, diante de um erro. Eles não sabem se perdoar.

Essa é a situação número um. Você volta a se sentir uma merda depois de quase ter saído dela. Você se decepciona de novo, age como idiota de novo, entrega seus sentimentos de novo, se afoga nas águas rasas da desilusão. Usei uma situação hipotética super simples pra ilustrar o estrago. Eu sei que tem gente que enfrenta rojões maiores. Sabe qual foi teu maior engano? Ter insistido em depositar teus tesouros na pessoa que não iria saber reconhecê-los. Não é errado querer amar. É errado não amar a si e, ainda, insistir em amar alguém que você já sabe que não te enxerga.

Era eu

Eu demorei a entender tua opressão
Na verdade, fui eu que me deixei oprimir.
Eu demorei a entender tua intransigência
Teu modo de querer controlar
Quando, na verdade, era eu te atraindo com esses pontos em comum

Eu demorei, meu amor, eu demorei a entender tua distância
Tua disposição para a briga
Tua escolha pelo conflito
Tua dificuldade de receber amor
De me deixar te amar
De se entregar a mim

Agora eu vejo que era eu me vendo no teu reflexo
Era eu com minha autoestima zero
Agonizando pela falta de amor próprio
Era eu lutando por um mal negócio
Sem saber receber amor
Sem amar quem me faça bem
Sem atinar para tantos sinais

Era eu, amor, correndo atrás de quem não me quer
Romantizando a situação
Me declarando ser essa pessoa
Que nunca soube o que é bom
Era eu me matando por dentro
Quanto mais atração sentia
Era eu escolhendo o difícil
Por nunca ter visto a luz do dia

Eu, passarinho preso que se acostumou com as grades ao seu redor
Quero, agora, ser diferente
E, quando eu mudar, tudo vai ficar melhor

Eu te entendo, amor
Sou você e você sou eu
Laços ruins nos uniram nesta estrada
Sentimentos ruins alimentaram nossa ligação

Eu demorei a entender
Mas, agora, sei o que quero
E vou fazer minha cabeça entender
Que mereço muito mais do que espero

Querido, chega.

Nada do que eu escrever, aqui, será racional. É o meu sentimento que está falando mais alto e eu, jamais, teria a coragem de conversar, por mais uma vez, sobre isso contigo. Compreendo que posso estar causando sofrimento a mim mesma. Ninguém tem responsabilidade com os nossos sentimentos. Eu sei que cabe a mim entender e gerenciar o que sinto. Mas a dor, meu caro, tem causa na tua presença, na nossa convivência, com o que permito que faças comigo.

Não digo isso com prazer ou alívio. Não existe pessoa que esteja sofrendo mais do que eu ao perceber isso. Mesmo sabendo que não tenho teu amor, eu permiti que continuássemos amigos. Mesmo sabendo que não me queres, eu permiti que continuássemos próximos. Mesmo sabendo que você tem a mania de alimentar e iludir, eu permiti, por inúmeras vezes, que esta dor adentrasse e me esmagasse por dentro. Eu tenho, sim, carinho e amizade inexplicáveis por ti, mas olha só o que eu estou fazendo comigo… Acredito que tu, também, tens consciência do quanto esse teu movimento me faz sofrer, mas nunca o cessarás enquanto eu não tomar uma atitude de verdade. É muito triste, pra mim, ter que admitir isso, mas tu não tens amizade por mim a ponto de ter cuidado com o que eu sinto, a ponto de se importar com o que digo, a ponto de lembrar de mim. Quem ama um amigo não o machuca. Acho, ainda, que, se um dia tivestes respeito e consideração a mim, os perdestes a medida que eu não tive respeito e consideração por meus sentimentos e por meu coração.

Caí num ciclo vicioso que compreende permitir que te aproximes quando estou bem na tua ausência, depois me encantar com nossa proximidade, teu jeito de seduzir, tua maneira de conversar e, depois, logo depois, sentir uma pontada forte no coração causada pela percepção de um afastamento brusco. Tu te aproximas, bruscamente, de mim e me iludes com a intensidade de teu movimento e, logo em seguida, tu te afastas, também bruscamente, como se não te interessasses mais, como se estivesses arrependido, como se não te importasses com o que eu sinto. E se me magoei, por anos, com isso, recebi interrogações de retorno, me passastes a ideia de que não te davas conta do que estavas fazendo e que, na verdade, sentias apreço e carinho por mim. Em todas as vezes que recebi essas informações, eu acreditei. O que sinto por ti é tão grande que chegou a passar por cima de minhas próprias feridas.

Contudo, se alguém é capaz de perdoar, sem solicitação alguma da outra parte, só porque não consegue suportar a hipótese de não ter mais aquela pessoa em sua vida, se alguém é capaz de se magoar de maneira profunda pra depois levantar e, em seguida, dispor-se a ser ferido novamente, é porque esse alguém está com problemas sérios de autoestima. Permitir-se ficar num lugar previsível onde o outro faz o movimento que quer porque sabe que tem liberdade total pra isso e porque nunca irá perder o comodismo de ver a outra parte retornar é, no mínimo, perder-se do seu próprio valor.

Agora, eu sei que não receberei mensagens tuas, não te verei vindo correr atrás de mim porque minha angústia, minha dor e meus sentimentos perderam o valor que têm para ti. A culpa é minha. Ao invés de reconhecer o momento de me fazer ausente de toda essa história, eu acreditei que eu tinha importância para ti. Por isso, comportei-me como alguém que pode se dar o direito de expor o que sente a fim de ser compreendido. Eu, realmente, queria muito crer que a minha opinião tinha valor para ti. Mas não tem. E nesse ciclo vicioso, eu ocupei o lugar da mulher chata que faz cobranças. Na realidade, eu fui a mulher carente que mendigou atenção e amor.

Agora, cheguei a um ponto de me ver num lugar de onde tu não te importas se te vejo galanteando outra mulher. Começo, então, a não somente fazer comparações entre o que mereço e o que recebo de ti. Comparo, também, quem eras antes, para mim, e quem és agora. “Mas não existe relacionamento entre nós”, dirás tu, dirão os outros. Não. De fato, não existe relacionamento, nem respeito. Primeiramente, porque não adianta mais falar de minhas mágoas, apesar de elas renovarem-se a cada reaproximação. Eu diria que para cada reaproximação há uma mágoa. Mas falar significaria receber ataques teus de retorno, seria ouvir-te dizer, através de inúmeros argumentos forçados, que a culpa de qualquer situação desconfortável, entre nós, é minha. Falar o que sinto, ao invés de promover reconciliação, seria motivo para um festival de acusações. Sim, meu caro, a culpa é minha de não ter ido embora resolver meus sentimentos sozinha. Em segundo lugar, porque um amigo não deve se prestar ao papel de se alimentar do sofrimento do outro.

A verdade é que, sim, ainda sou apaixonada por ti e não posso continuar tentando mentir pra mim e sofrendo com isso. Acho que não preciso me forçar a ser forte permanecendo numa relação que já não me faz bem. No momento em que estava quase, definitivamente, me curando disso, eu voltei atrás. Em primeiro lugar, porque eu sabia que estavas precisando de alguém ao teu lado em um momento difícil. Para mim, sempre foi inconcebível te ver sofrendo e fazer nada. Hoje, entendo que há um tempo pra tudo, na vida de cada um de nós, e tu deves, sim, ter teu tempo para sofrer e aprender, também. Gostaria de ser um ombro amigo dentro de uma relação saudável, para ti… Em segundo lugar porque, lá no fundo, sem notar, me deixei levar pela tua forma de lidar comigo que nunca deixou de me revelar rastros e esperanças de que, um dia, irias gostar de mim. Agora vejo que era, apenas, uma forma, de me manteres no teu banco de reservas como o deves fazer com tantas outras. Mas nunca irás te culpar por confundir os sentimentos de uma pessoa e ir embora pois pecado, mesmo, para ti, seria se tivéssemos nos rendido aos prazeres carnais e, em seguida, tu me deixasses. Magoar o coração de uma pessoa não conta.

A verdade, talvez a maior verdade de tudo isso, é que somos duas pessoas tentando ser melhores e cometendo erros e acertos. Eu não devo te culpar por não saberes lidar de outra forma com esta situação. Também, não devo me culpar por não saber o que fazer. Talvez, eu precise de um tempo longe deste ciclo para me entender e me curar. Preciso provar pra mim que eu tenho amor-próprio. Só não sei como fazer isso. Como vou me curar? Como posso apostar que tudo pode não voltar se eu te reencontrar? Estaria eu fugindo, desfocando, deixando mal resolvido? Não sei. Isso tudo é tão forte que não me permite saber, com exatidão, o que fazer de verdade. Eu só sei que essa dor, que tem se repetido por tantas vezes, quer me dizer algo.