Comunicar é missão

Comunicar, para mim, é servir. Existem projetos, artistas, trabalhos que precisam ser vistos e ouvidos. É incrível ver a porção do esforço se unindo à porção do amor e reverberando em forma de emissão e recepção, gerando mais força, mais solidez. O amor precisa ser mostrado. É com amor que tenho escolhido trabalhar e, por amor, buscado, sempre, me aprimorar. Somos humanos e falíveis, mas eu acredito que um trabalho feito com amor nunca passa despercebido. São doze anos de assessoria de imprensa, comecei estagiando, ainda, no meu primeiro período de curso. É com prazer que fico por trás dos holofotes fazendo aquilo que acredito aparecer. Muita gente me pergunta como é esse trabalho. Aí eu respondo que tem que amar. A partir disso, você desenvolve tudo o que é preciso: paciência (kkkkk), boa articulação, bons materiais de divulgação, organização, atenção aos detalhes e agendamentos, aprendizado das novidades e bons contatos, de preferência cultivados à luz da ética profissional. 

Tem que gostar muito de escrever e tem que ser muito apaixonado pelo que se quer mostrar às pessoas e criativo pra poder dizer, das mais variadas formas, o quanto vale a pena conferir aquilo. Tem que se manter informado e acompanhar, todos os dias, o crescimento da semente que você plantou no terreno da mídia. Tem que cuidar daquela página, daquela rede social, daquele periódico, daquele livro, como se fosse seu. Tem que sentir. Estar disposto a apurar a essência e o propósito das coberturas, mostrando às pessoas a importância que aquele trabalho tem. Assessorar é ter cuidado, zelo, orgulho da tua contribuição.

Comunicar é missão.

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Por trás de cada erro

Mexeu com teus sentimentos. Não ficaste bem. Sentiste culpa por mexer na ferida dela. Descobriste que a distância que criaste não é, apenas, um ato de defesa teu. É, também, uma dificuldade de olhar para a dor dela porque dói em ti, também. Ela não quer se ajudar. Talvez por preconceito, medo, falta de recursos. Mas tu querias poder ajudá-la de alguma forma sem te machucares. Todo esse movimento é doloroso. A maior dor da vida dela é a maior dor da tua vida. O sonho que ela, ainda, não realizou é te ver em felicidades e realizações. Tu, sempre, soubeste que, por trás de cada erro dela, existia a vontade e a intenção de acertar. O modus operandi é que é errado. Não é fácil, para ti, vê-la sofrendo e adoecendo, por tantos anos, sem poder ajudar. Um dos teus objetivos é oferecer conforto para a saúde dela. Por muito tempo, atribuíste, aos traumas que sofreste com ela, as tuas dificuldades. Mas, pode ser que, a partir de agora, isso mude. Talvez, a partir de agora, enxergues teus medos de forma diferente.

Eu voltei pra casa

Eu voltei pra casa e eles estavam lá. Antes de entrar, agradeci, perdoei, enviei amor. Ao agradecer, me senti plena, farta, completa, abundante. Eles estavam lá e eu me sentei no topo de uma montanha pra ver, ouvir e sentir.

O sol continuava brilhante e calmo em seu eterno “se pôr”. No sol, coloquei várias pessoas, aquelas que me causaram dor. Ao vê-las envoltas em luz, gerei amor em meu corpo inteiro e o enviei. Eu pedi a força do perdão e a força do amor, em minha vida, a fim de me libertar e, livre, ver o que vem.

E me veio uma emoção muito grande, uma vontade de chorar. Eles seguravam as minhas mãos e diziam: “como é bom ter você de volta”. Então, Ele chegou sorrindo. Sentou-se próximo a mim na terra seca e me abraçou. Falei de minhas dificuldades, anseios, sonhos. E tudo Ele entendia. Disse que ia ficar tudo bem após me ouvir, atentamente, enquanto minhas lágrimas corriam pelo rosto e alcançavam a manga direita de sua roupa. Disse que iríamos trabalhar juntos.

Muitos outros vieram e cantavam em línguas desconhecidas. Também eu cantei e o som era, curiosamente, perfeito. Melodias e letras diferentes, dezenas deles a reverenciarem o sol, cantando. E tudo se encaixava. Eu me senti em casa. Eu estava em casa. Eu voltei pra casa depois que agradeci, perdoei e amei.

Que seja amor

Ontem, sonhei com o perdão que eu ia te dar
Abri a porta e te vi tão compenetrado
Esperei ver teu olhar, teu rosto
Depois, eu me perguntei o por quê
O medo é aquilo que não nos deixa mostrar

Naquela sala, senti pressão e exclusão
Lembro esperar o momento de ser ouvida
Quis despejar o erro alheio
Eu quis culpar alguém da minha dor
A mágoa é aquilo que se volta para nós

Por isso, a gente sente aquilo que emana
A gente perde o equilíbrio com a dor
A gente perde a noção de quem a gente é
Quando mergulha em emoções ruins

Por isso, devemos ser protagonistas
Devemos tomar responsabilidade
Devemos ter o poder de nos consertar

O amor é o fluxo
Ele está dentro de nós
O amor é o caminho
Procuremos até encontrar!

O amor deve ser o reflexo das nossas ações
O amor é o lugar onde não existe medo
E, onde há medo, não há amor
Um deles precisa vencer
A gente age conforme o que sente
Que seja amor nossa forma de ser

O tanto de amor que me salva deste mundo

Paulista, 14 de março de 2015

Hoje, eu acordaria cedo (como, de fato, acordei) e tentaria preparar um café da manhã, enquanto você dorme. Quem sabe, eu teria comprado um presente que fosse te agradar (alguma coisa relacionada à Música, certamente) e te entregaria com uma das infindáveis cartas que, sempre, tive o costume de te escrever. Eu poderia, até, tocar alguma coisa pra ti e cantar… como, sempre, cantávamos. Você choraria (como, sempre, chorou com minhas declarações ahahah) me abraçaria forte, me agradeceria e diria, incansavelmente, por muitas e muitas vezes, o quanto me ama.

Muitos pensam que você se foi pra sempre. Não sabem eles o quanto você vive em cada partícula de oxigênio que enche o meu corpo de ar, em cada motivo que me faz abrir os olhos, pelas manhãs, e levantar da cama, em cada luta cotidiana por uma vida, um mundo melhor, em cada conquista e em cada queda, em cada aprendizado e nova forma de enxergar o mundo. Você vive dentro de mim. Você sou eu. Eu sou o que você construiu. Eu sou o que eles podem ver de você.

Muitos pensam que eu sou frágil por toda a quantidade de sofrimento que me abateu quando pensei que você se tinha ido. Não sabem eles que a maior de todas as forças que me faz equilibrar o pulso firme, na vida, com a meiguice, o requinte, a simpatia e a delicadeza está plantada no orgulho e na gratidão ao universo por ter sido escolhida para ser sua filha. Pai, sua existência me prova o quanto de amor me salva deste mundo, o quanto sou capaz de amar apesar da realidade que nos rodeia, o quanto de amor existe em mim. Você é o meu amor. Obrigada por existir. Parabéns.

Só chegue

Só chegue
Que é pra eu não acreditar que você não existe
Só chegue
Que é pra eu não amargar de tão triste

Só chegue
Que é pra eu ficar feliz de estar errada
Só chegue
E me prove que andei muito enganada

Só chegue
Me perdoe se tudo estiver desarrumado
Mas chegue…
E me mostre essa coisa de caminhar lado a lado

Só chegue
Não precisa pedir licença se for pra ficar
Só chegue
Que é pra a sorte não desistir se me ver chorar

Os verdadeiros espertos é que são raros

Texto escrito em 2014. Quem sabe, ainda, atual.

As pessoas vivem dizendo, com ar de sabedoria, que não se deve levar a sério qualquer tipo de relação. Nos dias de hoje, maturidade é proteger os sentimentos com várias cascas de jogos. As pessoas jogam. Ter os pés no chão é enxergar a realidade, exatamente, do jeito que ela é: “homem trai, meu velho, e não pense que as mulheres estão longe disso”, “na realidade, hoje em dia, tudo está muito fácil”, “ai, meu Deus, não seja romântico, as pessoas são livres e podem ficar com quem bem entenderem”. Percebo que qualquer nuance que demonstre o mínimo de sentimento precisa ser escondida: você não será aceito, com facilidade, nos grupos, se não concordar com a ideia de que o amor não existe porque acreditar num relacionamento sério, duradouro e com amor é viver no mundo da fantasia ou ser discriminado como um boboca, abestalhado, abigobal, tabacudo, pra ser mais preciso.

Ter experiência é saber que, no fundo, não existe sentimento que leve à fidelidade ou à vontade de construir uma vida a dois. Não existe amor a dois. Isso fica no campo etéreo da raridade. Vejo muitos homens bonitos, inteligentes, apaixonados por seus ofícios, lutadores por uma sociedade mais justa e casados ou noivos ou namorando agarrando pela cintura e olhando dos pés a cabeça qualquer amiga que passe por eles. Claro, quando suas mulheres não estão por perto. Homens admiráveis até o momento em que demonstram, sutilmente, que estão inseridos na sociedade da sacanagem. Vejo muitas mulheres lindas, com corpos esculturais, inteligentes ou não, sendo o alvo de qualquer um – casado ou não – ao qual levante o dedinho com o gesto de “venha”.

Então, viver bem significa não levar nada, absolutamente, nada a sério. Vamos beijar na boca, trocar salivas, roçar, sentir o cheiro real de nossos corpos colados, fundir nossos órgãos genitais, sentir prazer, prazer, prazer e fingir que nada daquilo mexeu com a gente, que a gente só se gosta ou se curte, no máximo. Vamos ver se, assim, ele ou ela sente vontade de ficar junto, novamente, e vamos vendo no que vai dar. Na maioria das vezes, dá em nada, depois de algum tempo. Um ano, quem sabe. Ou dá: quando acaba, a mulher sente um buraco no meio do corpo, no meio do peito. Não, ela não está apaixonada pelo cara ao qual entregou seu corpo inteiro sem qualquer tipo de pudor ou limite, ela só havia se acostumado com os encontros sistemáticos e frequentes, só se acostumou com o cheiro do suor dele e o seu peso em cima de si, seu hálito, seus beijos, seu olhar, suas brincadeiras, suas gargalhadas. Mas, o que será que ele pensa? Como será, mesmo, a vida dele? Como seriam as pessoas que ele mais ama? Imagina, se essas perguntas passariam pela cabeça dela… Acabou. A fila anda.

O homem nem sabe porque se afastou daquela mulher. Vai ver, ela encheu o saco, ele perdeu a vontade. Vai ver ele nem consegue entender que, em alguma instância, pode ter sentido o campo da fragilidade sentimental se aproximando com alguma conversa boba, alguma cobrança disfarçada de riso. Tenho a impressão que a maioria dos homens se afasta quando se sente desprezado ou quando não se sente suficiente para aquela mulher. Mas os sentimentos dos homens são, mesmo, ocultos pra quem quer que seja. O que sei é que eles se afastam. Acho que nem sabem direito porque se afastam. E, de repente, uma relação que era tão íntima, vira um nada, como se ninguém se conhecesse ou como se fossem inimigos de longa data.

Posso estar enganada mas acredito que a sociedade de 2014 pode estar caindo no grave erro de mentir para si. Ser 100% sincero com seus desejos e sonhos dá trabalho. Eu acho que mulheres e homens querem, sim, amar, mas camuflam essa vontade porque, no fundo, bem lá no fundo do inconsciente, escondidinho, vive um medo de nunca encontrar sua tampa da panela. Na cabeça deles, estão só se permitindo com relações baratas ou dadas como se não houvesse outra forma de ser feliz: a forma que corresponde a ser 100% verdadeiro consigo.

Fico me perguntando se existe ou existirá lugar para os corajosos: aqueles que admitem para o próprio coração que tapar esse buraco no peito significa ter amor próprio, ter respeito pelo próximo e ter a certeza concreta de que querer fazer sexo com quem se ama ou se aposta amar e ter as duas coisas, no cotidiano, não é ter vida de tabacudo. Ser esperto é ser você. Por quantas e quantas vezes esses homens ou essas mulheres se contentarão com uma dança do acasalamento atrás da outra sem nunca se aprofundar, de verdade, no que o outro está trazendo para a sua vida em energia, em aprendizado, em bem estar? Será, mesmo, que eles pensam que entender o outro – casado ou não, gostoso ou não, esperto ou não – como um ser integral, que tem um corpo lindo mas também coração, que sabe fazer direitinho mas que tem pensamentos, sonhos, vida, família – é agir como um tabacudo? E se for, o que me resta afirmar é: nos dias de hoje, os verdadeiros espertos é que são raros.

Me trazer de volta

Paulista, 13 de junho de 2018

Querido Deus,

Ainda me surpreendo com a Tua forma de falar com as pessoas. Pergunto-me se todas possuem condições de interpretar os Teus sinais e logo me respondo que não. Por isso, imagino eu, o Senhor arruma novas e novas formas de falar a mesma coisa, até que nós ouçamos/percebamos a mensagem. Às vezes, o Senhor fala por intuição, outras vezes por acontecimentos, outras por pessoas, outras, ainda, por repetições. Isso mesmo. O Senhor é tão esperto e a Tua criatividade é tão infinita (assim como a Tua grandeza e bondade) que permite que os mesmos ciclos se repitam, que os mesmos sofrimentos retornem vestidos com outras roupas só para que nós tenhamos a oportunidade de entender o que tanto queres falar.

Eu preciso agradecer. Eu entendi que a gratidão é a força motriz que traz a cura para as dores, clareza para a alma, direcionamento para os objetivos. Eu preciso agradecer por todas as coisas, as boas e as ruins, as presentes e as ausentes, o que se pode ver e o que, ainda, não foi visto. Eu agradeço porque, nos últimos tempos, o Senhor me ensinou que os maiores sofrimentos são os maiores empurrões. A gente sofre e entra em contato com a nossa alma, a gente sofre e não tem controle sobre a sensibilidade, a gente sofre e busca entender. Essa busca é fundamental para nos encontrar com o Teu propósito de evolução.

É tanta coisa que aprendi que é, até, difícil explicar. Repetições me fizeram enxergar que todo aprendizado não é suficiente para nos manter conectados. O que nos conecta são as práticas diárias de ir até Ti, seja por leituras e estudos, reflexões, atividades que nos fazem perder a noção do tempo, ajudar o próximo, meditar, principalmente. Uma desconexão com a nossa essência pode acarretar consequências catastróficas. De repente, de mansinho, uma emoção negativa se aloja e convida outras a entrarem, sorrateiramente. A gente fala uma bobagem, cria uma preocupação, julga sem querer, se vitimiza, vive com pressa e pronto: na hora em que tudo explode, o estrago está feito.

Descobri que uma das atitudes mais difíceis da vida é retornar a se descobrir depois de pensar que já havia feito de tudo. É trilhar, pela segunda vez, o mesmo caminho de volta por ter traído a si. Imagine, Senhor, o que é pensar positivo, fazer por onde alguma coisa mudar e ver nada, absolutamente nada, sair do lugar… É desesperador. Imagine sofrer uma série de perdas simultâneas pra poder sentir uma dor inimaginável pra poder perceber que tudo o que a gente recebe é reflexo de tudo o que a gente emana e, mesmo assim, não saber como faz pra mudar. Perder tudo pra poder entender, pela segunda vez, o quanto é importante agradecer. Perder tudo pra poder entender que as respostas e os suportes estão dentro e não fora. Perder tudo pra poder sofrer, pra poder buscar, pra que alguém me diga que pensar positivo não é o suficiente se o meu sentimento estiver me sabotando…

Imagine, Senhor, ter que voltar a um lugar, dentro de mim, que eu achava já ter preenchido com terra fértil e plantado bem. Quem sabe, florestas poderiam ter sido criadas se eu não tivesse parado de alimentar a minha conexão e priorizado a minha pressa. Passou. Aprendi que não posso mudar o que passou. Não posso mudar o que podem ter feito comigo. Mas eu posso escolher o que fazer com isso. Eu posso decidir como reagir a isso. Posso ir Te encontrar todos os dias e pedir a Tua ajuda para perdoar, para gerar amor, para curar as feridas, para limpar a densidade das emoções ruins, para ser amor. Posso usar as forças que me restam para lutar contra pensamentos que me destroem e que eu permiti que entrassem sem nem perceber por causa da dor, posso medir minhas palavras e fazer um esforço pra deixar de reclamar, de julgar, de me pôr no lugar da vítima. Posso lutar por mim, para ter um coração leve, para entregar, nas Tuas mãos, meus maiores sonhos, para me dedicar ao trajeto de ir ao encontro do que mais preciso.

Essa é a luta silenciosa mais difícil que eu conheço mas sei que é a única que, realmente, vale a pena. A gente não tem o poder de fazer uma mudança exterior acontecer sem, antes, trabalhar para que ela ocorra dentro de nós. É a parte mais difícil da vida: mudar aquilo que a gente sente, aquilo que não nos serve. Quando a gente consegue… a gente chega mais perto de Deus.

Estou tentando de novo, meu Deus. Agradeço por me trazer de volta.

Com amor,
Sua filha.

Tá tudo bem

Paulista, 17 de abril de 2018

Querido Deus,

Lembro-me bem de ver meu priminho de seis anos de idade brincando de cortar e empilhar papéis, em cima de uma mesa que há no quintal da minha casa, achando que era um ajudante Seu. Ele inventou que o Senhor o havia pedido para produzir bolsas para uma grande festa no céu. Vez ou outra, ouço, sempre, ele falando de Ti com a maior naturalidade, como se pudesse, constantemente, se comunicar. Recorre-me, agora, que o nome disso é intimidade. Passo a perguntar-me como vai a minha intimidade Contigo diante de tudo o que estou passando, neste momento.

O que sei é que tento ser forte e, por vezes, saio de mim. Ao voltar, não sei dizer por onde estive, durante tanto tempo. O sofrimento é assim: vem de mansinho, vai desestruturando cada haste pregada com esforço até que toda a atenção é doada a segurar o que sobrou. Não conseguimos perceber que mudanças foram se instalando enquanto estávamos fora de nós. Não conseguimos ver quanto tempo passou entre o tempo em que estava tudo bem até o tempo em que muito se foi perdido.

Perder-se, já analisei, é sinal de que algo, ainda, não foi encontrado no interior. Algo não foi compreendido, aprendido, introjetado de maneira que nos torne uma pessoa melhor. Quem quer ser melhor não olha cada sofrimento que vem da mesma forma. Uma coisa é a cabeça que sabe de tudo isso de cor e salteado. Uma coisa é lembrar disso a cada vez que a roda gigante pega o impulso e volta a subir. Outra coisa é resistir, segurar a casa enquanto a onda passa e leva o que tem de levar, mesmo que doa. A gente fica sem garantias para acreditar, mas escolhe acreditar, mesmo assim, porque sei lá…

Dizer que amo a Ti no meio da dor, já experimentei, é uma sensação que me faz chorar descarregando todo o peso que venho acumulando, sem querer. Querer estar diante de Deus e não saber o que dizer, mas lembrar que escolheu seguir Seus passos, escolheu fazer o bem, querer o bem é, mesmo, libertador. Sinto como se o Senhor reforçasse cada pingo de amor que possa ter sobrevivido, depois de tantos sentimentos devastadores. Às vezes, a gente precisa parar… pra enxergar os outros pontos. Às vezes, a gente precisa começar a andar, se mexer, fazer ou escrever sem rumo para, no meio do caminho, lembrar do que é mais importante: querer o bem, querer se livrar do que não faz bem.

O mais importante é ter amor, dar amor, agradecer. A gente não precisa, mesmo, mostrar que a gente consegue pra ninguém. Ainda que tudo esteja desabando, se a gente sabe que sente amor e se permite seguir com ele, fica tudo bem. A gente chora e diz: tá tudo bem. Porque tá, mesmo.

Com amor,

Sua filha.

Mais leve que o ar, tão doce de olhar

Agora que fora esquecida, havia a raiva latente. Essa coisa que dava nó na garganta e às vezes queria escorrer pelos olhos, por falta de outra via de escape. A raiva precisava ser escoada por algum lugar, para não consumi-la. Havia a raiva e havia também um pouco de dor, essa coisa que diagnostica que algo como o amor quer pairar por dentro do peito. Por sorte, a dor era pouca. Não houve tempo para tanto drama assim. Mas o amor, não fosse justamente pela falta de tempo e espaço, teria nascido em meio àquela história já findada.

É importante lembrar que a brevidade dos fatos nada podia contra a intensidade das lembranças que lhe foram plantadas na memória. Uma vez jogada a semente e ela germinada, não importa mais o tempo que se levou cavando a terra e depositando-a lá. Ela apenas cumpre seu destino e se abre para que algo brote. Algo prematuro demais para ser nomeado já havia nascido ali. E mesmo prematura, a mudinha de não-se-sabe-o-quê era cheia de vontades: a maior delas era querer ser amor. Mas esse desejo, contido na folha mais bonita do seu caule mirradinho, lhe fora podado logo cedo. Quem mandou germinar assim de pronto? E ainda mais – planta mais besta! -, quem mandou inventar de querer ser amor?

Mas era uma lembrança que ainda afagava os olhos. Foram as pequenas flores que iam surgindo por entre as folhas – se abrindo sempre apesar de – que refrearam a raiva que existia. Sob controle, a raiva foi virando melancolia. Era triste ver uma planta tão pequena, mas ousada ao se encher de flores-promessa, ter de parar ali. Não haveria frutos. Nem novos galhos. Tinha as flores por lembrança e só.

E então, mais calma, depois de uma tarde inteira se revirando por não poder mais adiar o reconhecimento do fim, abraçou aquela coisa pequena, frágil e tão bonita que tinha plantada em sua mente. Fosse o que fosse, estagnada como fosse, era sua e de verdade. Não seria justo deixar de desfrutar do perfume e da beleza deixados, já que os frutos já lhe haviam sido negados. Com o tempo, os pequenos espinhos não mais a machucariam quando quisesse abraçar aquelas flores. O tempo sempre dá leveza às memórias. Agora que fora esquecida, ela não via a hora de poder lembrar em paz.

Natércia-dantas

Repost do blogue Espelho, Espelho Meu da jornalista, cantora e estudante de Psicologia Natércia Dantas.

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