Querido, você foi, apenas, o cara errado

Como mulher, eu escolhi ceder. Fingi que entendia as tuas necessidades masculinas. “Homem é assim, mesmo”, disseram minhas amigas. Decidi abrir mão do que, antes, jamais, abriria para que desse certo. Decidi calar diante do que, antes, jamais, calaria para continuar tentando. Questionei meus conceitos e vontades a fim de encontrar uma parte de mim que estivesse sendo rígida e incompreensiva. Eu queria achar essa parte. Imaginei estar fazendo a minha parte. Eu gostava mesmo de ti…

Gostava tanto que passei por cima de mim. Eu fui até o máximo do meu limite. Eu queria mais tempo contigo. Eu não queria aceitar que tão pouco tempo era suficiente para ir embora. Eu queria mais tempo para conversar como antes, para sentirmos essa retomada. Eu estava inteira, embora não o expressasse com palavras. Eu queria deixar tudo leve, te deixar à vontade. Eu tentei de verdade.

Mas tu querias mais do que eu podia dar. Tu querias tudo o que atendesse à tua intransigência, arrogância e falta de amor. Tu querias o que fosse fácil e conveniente para ti. Por isso, desprezastes uma escuta atenta à minha fala, desprezastes o respeito que é meu de direito. Ao primeiro não, fostes embora.

Homem tem que ser assim, não. Nem as mulheres devem se contentar em ser tratadas de maneira inferior à que merecem por um conceito bobo que se arraigou na sociedade. Existem homens de verdade. Estou falando de homem com H e não com O. Amar a ti era uma oportunidade de amar a mim, de me ver diferente, de me sentir diferente, de acreditar que a nossa história não havia acabado. Mas eu estava, completamente, errada. Quem foi que disse que eu preciso esperar alguém pôr os olhos em mim para que, então, eu possa me dedicar o amor que mereço? Quem foi que disse que eu preciso chegar ao cúmulo de meus limites numa relação só para que o meu conto de fadas imaginado se concretizasse? Quem foi que disse que me colocar em segundo plano ia fazê-lo se concretizar? Isso foi errado.

Eu errei comigo e tudo bem errar. Tudo bem abrir mão da minha vontade de estar certa sobre ti. Tudo bem fornecer a mim aquilo que te dei de sobra. Como profissional, menti para mim dizendo que queria ajudar. De novo, doei o meu melhor, engoli alguns sapos, investi tempo, investi trabalho e dedicação, chorei algumas horas na cama, no banheiro, na frente do computador lembrando da cantada que você escreveu para aquela mulher no Instagram. Eu só estava trabalhando quando vi… Por que estou fazendo isso?, me perguntei. Por que continuo fazendo isso? Eu não conseguia me responder.

Havia uma mulher ferida habitando a profissional, dedicando benefícios a quem lhe dedicou tanta dor. Uma mulher que gostaria de se proteger, de sair daquele lugar, quem sabe, sem mais uma briga que a rasgasse por dentro. Como mulher, fui usada. Como profissional, fui usada. Mas não queria dedicar a ti nenhuma atitude próxima à que dedicastes a mim porque eu não sou assim. Eu não sabia o que fazer. Eu não sabia como ir embora. Por quê? Não sei.

Tu fostes o ausente amor-próprio. Tu fostes a minha dificuldade de me aprofundar numa relação. Tu fostes as minhas fugas diante daquilo que não sei lidar. Tu fostes a minha intransigência, a minha vontade de não estar enganada. Tu fostes a falta de escuta e de respeito que dediquei a mim. Tu fostes a apresentação de monstros meus que preciso destruir. Tu fostes, principalmente, a pessoa “errada” que veio me mostrar que a minha vontade é ser a pessoa certa para mim.

O dom de desnudar suas fragilidades pra qualquer pessoa

Olá, senhoras. Olá, senhores. Olá, LGBT’s do meu coração. Seguiremos a nossa trilogia postidiana (um neologismo pra me deixar feliz) com a situação número dois descrita no nosso título: o dom de desnudar suas fragilidades para QUALQUER pessoa. Você sofre disso? Isso te incomoda? Calma, eu estou aqui para te ajudar (pode segurar minha mão). Você já sofreu disso? Superou? Vamos combinar de trocar ideias nos comentários?

Lá vou eu com meu bocão dizer o que eu acho. Acho que o primeiro passo é perceber. Sabe quando a gente percebe que alguma coisa está errada? Quando a gente sofre. Essa informação me fez olhar a dor de uma forma diferente, me fez entender que tudo tem um propósito. Há propósitos que se cumprem, silenciosamente. A gente cresce, a gente aprende, a gente se sente melhor e pronto. Nem tudo leva confete, amor (a não ser que você se comprometa consigo a comemorar suas conquistas espirituais e emocionais. Boa ideia essa, não?).

Não fosse a dor, muitos seres humanos continuariam vagando pelo planeta Terra a repetirem os mesmos erros. Já sentiu isso? Que as situações se repetem, na sua vida, mudando, apenas, os personagens ou os lugares ou os dois? Pois, há muitas explicações para isso dependendo do caso, mas uma delas é o inconsciente. Na vida, há muitas crenças adquiridas por osmose (e eu nem tô brincando, visse?). A gente, principalmente enquanto estamos formando personalidade, apreende as crenças de tudo o que vemos, ouvimos e reagimos. Perceber que algo está errado significa sentir que a forma como a gente tem se comportado, por repetidas vezes, diante das situações, tem doído. É quando a gente percebe que, por mais louco que isso seja, somos nosso maior perigo, nosso maior inimigo, a pessoa que mais nos faz mal. Fez sentido? Fez não, né? Calma que eu vou explicar.

Digamos que você não tenha vida social. Digamos, também, que você não tem uma comunicação íntima e sincera com a sua família (você não se sente à vontade para falar sobre tudo com eles). Digamos, ainda, que você sente falta de conversar com alguém, sente falta de se sentir cercado de pessoas que te inspirem segurança e sente necessidade de se sentir inclusa(o). Diante deste cenário, digamos que muitas descobertas estão acontecendo com você, você tem medo de tomar decisões erradas, você não sabe, ainda, lidar com as coisas que você não entende, você se sente sufocado com as palavras que você não disse. Então, você adquire uma forma peculiar de fazer amigos: você faz confidências, você avalia o que as pessoas acham sobre as suas questões. Você conversa com muita gente: gente do círculo dos estudos, gente do círculo dos trabalhos. Às vezes, essa gente toda nem tem amizade mas chega um ponto em que eles se unem, de alguma maneira, porque todos sabem dos seus problemas e da sua vida. Muita gente sabe da sua vida. Você nunca conseguiu filtrar as palavras (nem as pessoas) e acaba confidenciando muitas coisas da sua vida. Qualquer passo que você der será observado por alguém que sabe muito mais do que deveria saber a seu respeito.

Entender, em primeiro lugar, é NÃO se chicotear. Punição não combina com amadurecimento (guarde isso no seu coração, ok?). Entender (que vem depois de perceber) começa com uma compreensão profunda em torno de toda essa carência afetiva, de toda essa insegurança, de toda essa baixa autoestima. Começa com uma análise carinhosa sobre toda a sua história, todas as situações pelas quais você já passou, tudo o que você aprendeu a acreditar, sem pedir ou sem querer, tudo o que contribuiu para que você seja a(o) responsável por essa grande exposição de sua vida, aberta ao falatório de um monte de gente que se sente nesse direito (e em outros mais). Uma parte é você entendendo tudo o que te fez adquirir este padrão de comportamento, outra parte é você decidindo o que vai fazer com isso. Somos feitos de escolhas, já ouviu essa frase de efeito?

Pois, o terceiro passo é esse: escolher. Você se pergunta: que tipo de pessoa eu quero ser? O que é melhor pra mim? Vai se aprofundando nessas respostas e vai fazendo o que pode para chegar perto do que respondeu. Sacou? É importante que, dentro desse processo, esteja uma limpeza de todos os pensamentos e sentimentos que não acrescentam e, ainda, trazem dor. Importante, também, descobrir a sintonia que vai te fazer vibrar junto com aquilo que você quer conquistar. Não vou mentir, o caminho é difícil mas se você quiser saber um pouco mais sobre como trilhá-lo, eu posso te dar uma ajuda (o campo de comentários é todo seu!).