Um olhar sobre Meu Passado Me Condena 2

Adoro o período da manhã. Tem cheiro de recomeço. Creio que é o período em que meu rendimento chega a mil por cento. Geralmente, gosto de acordar, tomar café e descansar um pouco assistindo alguma coisa, antes de pegar no batente. A série da vez é Grey’s Anatomy (série original da American Broadcasting Company que possui quatorze temporadas, escrita por Shonda Rhimes, Krista Vernoff, Peter Nowalk, Stace MCkee, Joan Rater, Zoanne Clack, Debora Cahn, James Parriot e Mimi Schmir, disponível na Netflix. Estou no início da nona temporada). Contudo, houve uma manhã em que fiz diferente (por puro acaso do destino). Liguei a TV enquanto comia meus pães assados e tomava meu leite com achocolatado. É comum precisar esperar alguns minutos antes de acessar a Netflix na TV, foi o que fiz. Estava no canal Megapix quando começou o filme Meu Passado me Condena 2 (lançamento de 2015, direção de Júlia Rezende). É tão raro eu ligar um canal no início de um filme, não costumo memorizar horário de nada na TV (fora os horários da Globo que são fixos, né?). Pensei: mas eu já assisti esse filme, passou na Tela Quente um dia desses, já matei minha curiosidade. Mas, como peguei ele pela metade, na época, vou só assistir até a parte em que comecei, lá atrás.

Quando vi o Ricardo Pereira, percebi que eu nunca havia assistido o volume dois do filme, e sim o três. Fiquei na dúvida cruel de continuar acompanhando a vida de Meredith e terminar aquele filme. Não se trata de um filme cabeçudo como gostam de falar os intelectuais do jornalismo, mas eu sou do tipo que não define opinião até conhecer do que se trata. Sim, pode ter um enredo previsível e, até, uma comédia previsível (mesmo assim, a gente se diverte com o Fábio (Porchat). Eu queria, mesmo, me divertir com as brigas daquele casal, as belas imagens de Portugal, a comédia no velório da avó falecida, a queda da Miá Mello do cavalo, sem preconceitos ou julgamentos. Não imaginava sentir vontade de escrever sobre o filme, mas foi o que aconteceu.

“Eu tenho te pedido um dia pra a gente salvar o nosso casamento mas, agora, eu quero te pedir uma vida inteira. Vai dar errado, a gente sabe que casamento, sempre, dá errado, mas eu quero que dê errado com você”.

Queridos, foi assim que acabou o filme. Foi essa a última fala do Fábio na estação de trem enquanto convencia a Miá a não voltar para o Brasil sem ele. Por uma razão que desconheço, essa frase me marcou, de modo que a decorei e fiquei refletindo sobre ela enquanto varria a casa, antes de ir trabalhar. No dia anterior a assistir esse filme, (que curioso!), eu estava refletindo sobre o amor. Estava considerando a importância de se reconhecer em alguém, ter respeito e respeitar, ter o cuidado de alguém e cuidar, ser tratado e tratar por igual, ouvir e ter os ouvidos de alguém. Aquela frase ficou na minha cabeça e eu não sabia o por quê. Como pessoas opostas que ficam brigando uma com a outra, incompatíveis na forma de olhar a vida e encarar o dia a dia e as responsabilidades podem ser certas uma para a outra? Não, gente, isso é coisa de filme! Mas, depois, fiquei pensando: a Miá reclama das infantilidades do Fábio, o Fábio reclama das reclamações da Miá mas, nem por isso, eles deixam de se respeitar e de considerar o outro. Vai que é essa a ideia dos opostos? Vai que amor, realmente, não tem fórmula?

Os nossos relacionamentos (todos, não somente os românticos) são reflexos, espelhos do que existe dentro de nós. Aquilo que nos incomoda nos outros, nós o carregamos. As situações controversas são sinais, mensagens do que gostaríamos de mudar, em nós. Amar não se trata, somente, de analisar alguém ao nosso gosto. Trata-se de reconhecimento e de trabalho interior, junto com um trabalho em equipe. É complexo e é bonito. Faz parte da nossa estrada, do nosso aprendizado, do nosso crescimento.

Por isso, foi bom assistir (precisava colocar essas palavras para fora antes que elas me engolissem ou perturbassem por tempo indeterminado kkkk).

Menina, o que há com você?

(Na realidade, me antecipo a dizer que a menina pode tudo. Mas há quem se fira com suas atitudes intencionais)

Você tem uma raiva gratuita e espontânea de qualquer garota que ameace seu posto de ser o centro das atenções. Você se insinua pra tudo quanto é homem e não perde a chance de se envolver com eles para conseguir o que quer. Você não se importa com a ética em ambientes de estudo ou trabalho. Você não se esforça para se dedicar, ao menos, a uma única coisa, em sua vida, e acha que pode findar seus dias bebendo, dançando, fumando, vestindo roupas provocantes e passando a perna nas pessoas. Menina, o que há com você?

Será que, para se sentir alguém, você precisa criar rivais? Será que você não consegue viver sem os olhos das pessoas sobre você? Por que você quer ou precisa tanto desses olhares? Será que é porque a sua autoestima não está ok? Você luta para obter a atenção das pessoas e se sente ameaçada quando isso não acontece. Você recorre a bens que te anestesiam e se passa por uma pessoa engraçada que nunca vai ter juízo, que nunca vai tomar um rumo, que sempre vai precisar de ajuda para poder se aproximar dos outros. Na verdade, você é extremamente carente, tem a autoestima extremamente baixa, nunca sentiu amor próprio e nunca teve coragem de mostrar quem você, realmente, é.

O que você ganha com isso, garota? Qual é a graça de achar que a solução dos seus problemas está em fatores externos? Por que será que você não consegue olhar pra dentro? Qual é a sua real necessidade quando se insinua para pessoas do sexo oposto e faz sexo com elas sem nunca ter sentido o amor? Que medo é esse de se entregar? Que medo é esse de encontrar o seu lugar? Agora, mesmo, você está seduzindo e se envolvendo com o seu superior. Ele está perdido no sofrimento e você o leva para bares e festas com as quais ele não se identifica, mas ele vai porque ele é muito mais velho do que você e tem um complexo gerado por uma juventude que não viveu. Ele está encantado com o seu frescor, com a sua juventude, com a sua loucura. Na verdade, ele acha que estar perto de você e acompanhar suas inconsequências pode ser a única escolha empolgante, já que ele luta para se sentir confiante e não consegue. Ele não consegue enfrentar a si, ele não sabe porquê está com você e você não sabe porquê está com ele.

O que te faz sentir uma pessoa melhor em se aproveitar de uma pessoa que está frágil, emocionalmente? Qual é a graça de fazer tantos movimentos para sua vida sexual sem algo de verdadeiro? O que de bom há em machucar o coração da mulher que, realmente, ama esse cara? Não quero tirar a responsabilidade dele da história. Mas seria bom que o seu senso de autorresponsabilidade acordasse desse sono profundo. Menina, você é jovem, bonita, inteligente, tem uma vida pela frente te esperando. Uma vida maior do que esse círculo vicioso onde você se meteu. A vida pode ser melhor do que isso. Seja lá qual for a dor que você esconde, descubra-a, enfrente-a. Descubra quem você é e o que realmente quer. Então, terá paz. Acredite, magoar os outros, causar intrigas, competições, viver relações vazias não contribui para que te tornes a melhor versão de si. Não atrai para ti um olhar verdadeiro e profundo, não te faz ser amada.

Menina, aprende a se respeitar, aprende a se amar. Se conseguires, entenderás o quanto é importante ter respeito pelos outros, aproximar-se dos outros por quem você é. Sei que estás cansada de fazer este papel. Sei que pode ser doloroso não descansar no seu próprio eu. Então desista disso. Desista de se alimentar do que os outros pensam e falam, desista de montar um personagem para obter a atenção e o cuidado deles. Cuide-se, cresça, amadureça, tome as rédeas de sua vida. Menina, pare de magoar as pessoas, gratuitamente, apanha a tua dignidade do chão ou as pessoas nunca deixarão de sentir pena de ti.

Compre 2 pelo preço de 3

Vamos falar sobre ética. Não te preocupes se essa palavra lhe soa com ar de chatice. Acredite, tem muita gente que acha a maior chatice falar de ética ou política ou economia. Quer saber meu palpite sobre essa realidade? Deve ser muito chato falar de algo que não funciona dentro de um país e de uma sociedade. Tanta gente bacana apresentando soluções e projetos louváveis mas, quer saber? Não iremos a lugar algum caso eu ou você não façamos aquela famosa porém não executada “nossa parte”.

Vou falar de mim. Quando eu era criança, meus pais me obrigaram a fazer o que é certo. O certo era estudar para a prova, não colar. O certo era jogar meu lixo no lixo, não no chão. O certo era falar, respeitosamente, com as pessoas, não com falta de educação. Eu cresci sem jeitinho brasileiro, me dedicando para alcançar a menor conquista que fosse. Eu cresci sem recorrer a favores de conhecidos (embora tenha recebido, também, grandes favores de grandes amigos que se disponibilizaram por livre e espontânea vontade, mas você deve saber que isso é diferente, né?). Meu movimento sempre foi acompanhando o fluxo do povo marcado de Zé Ramalho em sua Admirável Gado Novo. Eu sou povo marcado.

Muito bem, deixado isso claro, falada a minha compreensão vivida do que seja ética, vamos falar sobre a compra que eu fiz, no dia 4 de julho de 2018, nas Farmácias Independente do Shopping Boa Vista, no Recife (conhece?). Levei alguns produtos, dentre eles uma promoção de três frascos de Cenevit Zinco (aquela vitamina C, sabe?), por R$32,41. A atendente disse que estava na promoção, a embalagem me prometia 30 comprimidos efervescentes.

nota fiscal
Nota fiscal da compra

Após ter resolvido algumas coisas em outros estabelecimentos do centro da cidade, voltei para casa. Ao chegar e abrir a caixa, que me prometia 30 comprimidos, adivinha quantos comprimidos encontrei? 20. Fui, completamente, lesada! Não retornei ao estabelecimento da compra por que enfrentaria o trajeto de dois ônibus em cerca de uma hora e meia de viagem mas fui em busca de respostas e encaminhamentos para uma situação como essa.

Segundo o advogado e oficial de Justiça Avaliador Federal do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, Joeldson Ribeiro de Barros, “inicialmente, o ideal era que as pessoas abrissem a embalagem ainda no estabelecimento em que está efetuando a compra porque a vinculação da propaganda exige que seja entregue, exatamente, aquilo que se está anunciando”. Contudo, ainda que o consumidor efetue a abertura da embalagem fora do estabelecimento de compra, não estará invalidado o seu direito. “Nada impede que o consumidor, sentindo-se lesado, como de fato o foi, retorne ao estabelecimento, com o produto, a embalagem e a nota fiscal e exija que lhe seja entregue um produto correto, nos mesmos moldes do que ele comprou ou, de forma alternativa, devolva o produto e exija a devolução do seu dinheiro”, explica Barros.

Embalagem cenevit
A embalagem enganosa

A lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990 do Código de Defesa do Consumidor aponta, em seu artigo 6, inciso IV, como direito básico do mesmo “a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços”. Mais adiante, no artigo 18, a informação é a de que “os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.
§ 1º Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:
I – a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;
II – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;
III – o abatimento proporcional do preço”.

Se você tiver alguma dúvida, pode acessar o site do Procon (Proteção e Defesa do Consumidor) Pernambuco (procon.pe.gov.br) ou mesmo entrar em contato com as unidades do órgão existentes em todo o estado. No Recife, o Procon está situado na Rua Carlos Porto Carneiro, nº 156, no bairro do Derby. Para o atendimento, cujo horário de funcionamento é das 9h às 13h, é indicado que o consumidor leve original e cópia de seus documentos pessoais como RG e CPF, cópia de todos os documentos e informações referente à queixa, como cupom ou nota fiscal, recibos, e-mails, contratos, números de protocolos de atendimento, folheto de propagandas ou outros documentos comprobatórios. O número de lá é o (81) 3355-3290 e o e-mail: procon@recife.pe.gov.br.

Querido, eu estou indo embora

Querido, eu cheguei à conclusão de que você gosta do conflito. Eu te amo, mas você se alimenta de conflito. Eu te amo, mas você precisa impor condições e situações, ao seu modo, para ficarmos juntos. Eu te amo tanto que consigo te entender sem ficar com raiva. Eu te amo tanto que consigo compreender que, por ora, ficamos incompatíveis…

Isso não é uma despedida. Somos amigos e o seremos, sempre, no que depender de mim. Mas eu não sou essa mulher que aceita tudo o que você quer sem questionar. Eu não sou essa mulher que não expõe opiniões e pensamentos. Eu não sou essa mulher que passa por cima dos próprios quereres só pra você não ficar com raiva. Eu não sou essa mulher capaz de abrir mão de tanto por alguém que não merece.

Desculpe a franqueza, mas você mudou. Você age como esses homens egoístas, machistas e apressados que contam os minutos para dar prazer pensando no que quer receber, ao invés de viver o momento. Você age como esses idiotas que não prestam atenção nos sentimentos alheios, que não conversam depois da conquista, que são intransigentes e irredutíveis. Você age como esses manés que se acham um grande prêmio. Você age como esses mamões que não conseguem dar conta de uma relação estável, prazerosa, sem briguinhas, nem joguinhos. Desculpe, querido, mas eu não posso ser essa mulher que fecha os olhos para tanta imaturidade…

Posso compreender que você esteja numa fase ruim. Posso te conhecer e saber, com um simples olhar, que você não está bem. Posso saber até das coisas que você não me diz. Posso ser sua amiga, se você quiser. O que eu não posso é perder o meu valor enquanto você se sente perdido. Não posso passar por cima do que é importante pra mim por sua causa. Não tenho disponibilidade para a tua inconstância.

Eu quero tranquilidade, querido… quero conversas agradáveis, confiança no que for fechado a dois, vivências saudáveis e prazerosas. Entende isso? Não é pedir muito da vida, não é impossível de se encontrar. É o que eu mereço. Não precisa ser um amor retumbante. Pode até nem ser pra amar, mas precisa ter respeito. Eu te amo, mas nem o mínimo você consegue me dar.

Fica bem.

Izabela Alves: uma pessoa que você precisa conhecer

Bela
Izabela Alves

Eu conheci Bela (a incrível fotógrafa Izabela Alves) durante o curso de Comunicação Social com Habilidade em Jornalismo. Não consigo lembrar em que período, exatamente, ficamos próximas, mas lembro que a afinidade foi instantânea. Bela sempre cuidou de mim e me dá os conselhos mais assertivos. Enquanto todo mundo estava, ainda, a procura do que fazer, Bela era uma das únicas do curso que parecia haver achado o seu caminho (e achou!). Ela é uma das pessoas que mais admiro na minha vida. Ela merece todos os holofotes.

Bela é sensível mas é muito forte, ao mesmo tempo. Ela luta com todas as forças pelos objetivos dela e nunca deixa de tentar coisas novas. Apegada à família, seu discurso é delicado, sua voz é doce, mas ela é, também, muito firme. Eu amo a nossa amizade e me sinto privilegiada por tê-la em minha vida. Ao longo de sua carreira, Bela coleciona trabalhos e imagens incríveis. Sozinha, ela iniciou a Izabela Alves Fotografia. Hoje, tem uma equipe para lhe dar suporte. É super requisitada para registrar casamentos, aniversários e outros eventos. Fora a graduação em Jornalismo, é, também historiadora. Conheça um pouco da sua história.

Izabela Alves Fotografia
Casamento de Carol e Leonardo. Foto: Izabela Alves

Ao ser questionada sobre a forma como escolheu a fotografia, Bela responde que foi, ainda, no segundo semestre do curso universitário, quando foi em busca do seu primeiro curso especializado no assunto. “Estava curiosa para saber como as coisas funcionavam nesta área, já que as cadeiras de fotografia só iriam acontecer no fim do curso. Neste curso eu me apaixonei… cada aluno tinha um foco: fotografia de criança, arquitetura, moda… Eu (para variar) fiquei em dúvida, mas saí de lá certa de queria registrar casamentos. Eu me dei conta que queria ser uma profissional da área estudando fotografia, eu achava bonito, gostava de clicar momentos, família, felicidade… algo muito forte me tocou e desde então eu soube que era para sempre!”, diz ela.

Segundo Bela, a fotografia é uma das maiores razões de sua felicidade (coisa boa é trabalhar com o que se ama, né?). Ela me contou como se sente, enquanto fotografa. “Um sentimento de êxtase toma conta do meu corpo a cada trabalho que desenvolvo. Quando sento para editar e percebo a quantidade de momentos de felicidades que consegui capturar, me sinto realizada! Sei que contribui para a preservação da memória dos meus clientes, fico feliz por eles! Na minha vida, a fotografia significa salvação! Ela me ajudou a sair do mar de dúvidas que eu me encontrava. Eu não sabia o que queria da vida até me encontrar com a fotografia. Hoje em dia, ela tem um significado ainda mais forte pois é ela que me cura, é ela que me tira de momentos fortes de tristeza, ela é minha melhor terapeuta!”, conta ela.

Izabela Alves Fotografia
Ensaio em Nova York. Foto: Izabela Alves

Eu sou testemunha do quanto as pessoas se sentem felizes e realizadas com o trabalho da Bela, por isso, perguntei como ela se sente com todo esse carinho e retorno. “Ah, eu fico super feliz quando um cliente aprova o trabalho, quando recebo uma mensagem de agradecimento. Normalmente, os clientes falam que não lembravam de certas coisas e isso resume bem o que faço: sou uma coletora de memórias!”, declara.

Considero Bela uma pessoa bem sucedida porque ela é feliz com o que faz e com as pessoas que estão ao seu redor. Perguntei pra ela o que mais contribui para que ela seja quem é ou quem gostaria de ser. Ela me deu ingredientes fundamentais como persistência, foco, determinação e apoio de familiares e amigos. “São eles que me incentivam, que curtem e comentam meus trabalhos, que vibram com as minhas conquistas, até as mais pequenas”, diz ela.

Sabe por que eu quis contar a história da Bela? Porque o mundo precisa de inspiração e ela é um exemplo disso. O mundo precisa conhecer pessoas como Bela que possuem a coragem de lutar pelos seus sonhos com garra, ética e honestidade. O mundo precisa de mais Belas nos holofotes.

Finalizo meu texto com um ping pong incrível que eu fiz com ela.

Se você fosse dar um conselho para quem você era há 10 anos, qual seria? Tenha calma, tudo vai dar certo! Tenha mais paciência e seja gentil consigo mesma.

Se você pudesse traduzir o propósito da vida e o sentido da felicidade, o que você diria? Nossa… pergunta difícil! Mas lá vai minha opinião: o propósito da vida é (pelo menos a minha) é cuidar das pessoas que amo. Não consigo ser alguém que não se preocupa com o outro. Além da fotografia, a minha vida é preenchida com muito carinho que distribuo entre pessoas especiais da minha vida. Eu amo fazer isso e faço com prazer. Sem isso eu seria incompleta. Para mim, felicidade é ver o outro feliz, bem resolvido, isso me deixa alegre!

Se o mundo pudesse te ouvir, qual seria o teu recado? Além de resiliência (palavra da moda, atualmente), procure praticar a compaixão! Em poucas palavras, pare, apenas, para se colocar no lugar do outro, arregace as mangas e faça algo de bom e construtivo pelos outros!

Fique à vontade para acrescentar o que quiser. Amo você amiga… a sua entrevista mexeu comigo… adorei respondê-la!

Eu te amo muito, Bela. Obrigada.

Para conhecer o trabalho da Bela, acesse: izabelaalves.com

 

 

Ouça a entrevista que fiz com Bela:

Assista a entrevista que eu fiz com a Bela:

O tanto de amor que me salva deste mundo

Paulista, 14 de março de 2015

Hoje, eu acordaria cedo (como, de fato, acordei) e tentaria preparar um café da manhã, enquanto você dorme. Quem sabe, eu teria comprado um presente que fosse te agradar (alguma coisa relacionada à Música, certamente) e te entregaria com uma das infindáveis cartas que, sempre, tive o costume de te escrever. Eu poderia, até, tocar alguma coisa pra ti e cantar… como, sempre, cantávamos. Você choraria (como, sempre, chorou com minhas declarações ahahah) me abraçaria forte, me agradeceria e diria, incansavelmente, por muitas e muitas vezes, o quanto me ama.

Muitos pensam que você se foi pra sempre. Não sabem eles o quanto você vive em cada partícula de oxigênio que enche o meu corpo de ar, em cada motivo que me faz abrir os olhos, pelas manhãs, e levantar da cama, em cada luta cotidiana por uma vida, um mundo melhor, em cada conquista e em cada queda, em cada aprendizado e nova forma de enxergar o mundo. Você vive dentro de mim. Você sou eu. Eu sou o que você construiu. Eu sou o que eles podem ver de você.

Muitos pensam que eu sou frágil por toda a quantidade de sofrimento que me abateu quando pensei que você se tinha ido. Não sabem eles que a maior de todas as forças que me faz equilibrar o pulso firme, na vida, com a meiguice, o requinte, a simpatia e a delicadeza está plantada no orgulho e na gratidão ao universo por ter sido escolhida para ser sua filha. Pai, sua existência me prova o quanto de amor me salva deste mundo, o quanto sou capaz de amar apesar da realidade que nos rodeia, o quanto de amor existe em mim. Você é o meu amor. Obrigada por existir. Parabéns.

Quanto tempo o tempo tem?

Recentemente, uma amiga me indicou um documentário, disponível na Netflix, de mesmo nome do título da resenha de hoje. Estávamos conversando sobre espiritualidade, energia e meditação quando ela me falou dele. Anotei o título na minha listinha para quando eu tivesse uma oportunidade de assistir, em meu tempo livre, e segui a vida. Mais tarde, estreei a categoria e tive vontade de compartilhar o primeiro texto com amigos próximos. Foi o que eu fiz. Aí, uma outra amiga me indicou esse mesmo filme me pedindo uma resenha dele. Pensei: não pode ser coincidência, não é mesmo? Preciso assistir. Foi o que eu fiz.

Quanto tempo o tempo tem é um documentário de Adriana L. Dutra e foi lançado em 2011 (contudo, continua bem atual). Como você deve saber (caso tenha lido minha última resenha), não me prenderei a detalhes técnicos. Apenas, elogiarei a belíssima locução da Adriana e a forma como ela costurou os assuntos dentro daquele tempo de uma hora e quinze minutos. Há uma arte coerente e bela de imagens urbanas, em ritmo acelerado, que marca a condução das abordagens, juntamente à voz da Adriana e a uma sonoplastia que torna tudo confortável. No filme, ela revela que passou um ano viajando e gravando entrevistas com diversos especialistas de diversos países. É divertido ver a quantidade de línguas a medida que as falas vão sendo costuradas: gente que fala italiano, inglês, francês, português. Gente que estudou Física, Neurociência, Psicologia, Budismo, Jornalismo, dentre outras especialidades. Gente pra falar do tempo e das mudanças que têm interferido nele.

Eu comecei a assistir e, logo, lembrei do meu script. Você deve estar se perguntando: que script, querida? Está trabalhando em algum espetáculo ou programa de TV? Ainda não! (kkkkkk) Script é como minha antiga terapeuta chamava o meu manual diário de afazeres e produções. Desde adolescente até meses atrás, eu tinha essa prática e, após assistir Quanto tempo o tempo tem, tenho me questionado se não era uma maneira de querer controlar o tempo. Eu separava, nos mínimos detalhes, tempo para tudo: estudar, trabalhar, fazer exercícios físicos, descansar e tantas outras ideias de trabalhar e dar continuidade aos meus projetos pessoais. Era uma maneira de eu dizer para mim: se todos os dias você pegar um pouquinho em cada coisa que você deseja, você vai se sentir bem. Todas as vezes que cumpri o script, impecavelmente, de fato, eu sentia bem estar, contudo, essas vezes eram raras de acontecer. Eu não contava com o tempo do meu corpo, meu ritmo, meu cansaço, os imprevistos que estariam por vir. Era contraditório separar tempo para fazer tudo o que eu queria e gostava e, ao mesmo tempo, me sentir presa àquilo, entende? (Se não entender, tudo bem, porque a facilidade maior de assistir a esse documentário é a de aloprar! kkkkk Eu aloprei, lindamente, mas algumas passagens me tocaram. Vou continuar tentando passá-las).

Então, por que será que eu insisti tanto naquele modelo falido de script? Por ter sido muito organizada, perfeccionista, controladora? Talvez. Mas, há um dado novo nessa historinha que só passei a conhecer depois de Quanto tempo o tempo tem: a nova forma de a sociedade lidar com o tempo após o surgimento e o avanço das novas tecnologias. Há um especialista que diz algo muito interessante sobre isso, no filme. Ele menciona que é como se nós não pudéssemos desfrutar do tempo de outra forma que não fosse para produzir. Por isso, a sensação de “perder tempo” é constante. Essa discussão se entrelaçou com a de que, mesmo nas nossas horas vagas, estamos produzindo para os grandes empresários (quando geramos conteúdo para o Facebook, por exemplo). Tudo isso, de alguma forma, é proveniente do que chamamos de tempo de trabalho. Isso é dito lá, também. Na época da escravidão, os senhores detinham o poder sobre todo o tempo de seu escravo e o utilizavam como bem lhe conviesse. Até os tempos atuais, o que se vende para os chefes é o tempo de trabalho, de forma que o tempo é tratado como algo, extremamente, valioso.

O início do documentário é fascinante porque tem o poder de bugar a pessoa, completamente kkkkk. Eles dizem que o momento presente é tudo o que há. Eu escrevo esta frase, por exemplo, agora mas, no momento em que eu a finalizar, ela fará parte do passado. Pronto. Então, apesar de revivermos emoções do passado através das lembranças ou projetarmos o futuro, tudo o que somos mora no presente e isso se repete a cada segundo. Louco, não? Mas faz sentido.

Antes do advento da internet, o espaço era considerado e a forma de vida era diferente. Havia tempo para a chegada das informações e mensagens, tempo para trabalhar e descansar, tempo para se formar, produzir e se aposentar. As novas tecnologias bagunçaram esse sistema a começar pela comunicação que elimina, completamente, toda e qualquer distância.

Há papo para muitas outras abordagens de Quanto tempo o tempo tem, eu vou te dizer só mais um termo de discussão lá contido para que você sinta vontade de viajar, também: transhumanismo. Pois, há estudos que analisam a possibilidade de não sermos mais finitos.

Eu finalizo minhas palavras concordando com uma passagem interessantíssima do filme. Ela diz que quando fechamos os olhos e experimentamos, apenas respirar, é como viver minutos na eternidade. Nosso corpo tem um tempo, e nossa mente e nossa forma de produzir e viver. Não esqueçamos de que nós somos detentores do poder de regular o nosso tempo.

Minha experiência com Elainne Ourives e outros livros

Vou tentar explicar do começo: eu era uma adolescente de sentimentos complicados que adorava se enfiar na biblioteca do colégio e ler. Um dia, deparei-me com um título que me despertou curiosidade (sendo eu um ser romântico, sonhador e extremamente empenhado em entender e desvendar emoções): Você pode curar sua vida. O livro de Louise L. Hay poderia ter aberto as porteiras do autoconhecimento mas, apesar de já ter feito terapia, lido o livro e aplicado as técnicas da autora, tudo, ainda, era muito inconsciente para mim. Ao terminar o Ensino Médio, prometi a Deus que nunca mais pensaria negativo caso eu conseguisse realizar um grande sonho. Realizei. Mas não consegui cumprir a promessa. Apesar de muito jovem, algo em mim sabia que essas práticas silenciosas de treinamento mental (que muitos, inclusive, seguem via religião e espiritualidade) são importantes para a conquista dos objetivos. Nessa época, toda minha fé na vida resumia-se a longas conversas com Deus a cada vez que eu me auto sabotava sem saber que o estava fazendo. Tudo o que eu entendia de fé era que Deus decidiria tudo por mim independente do que eu estivesse fazendo e a única coisa que eu poderia fazer era conversar com Ele.

Após muito sofrer com o que eu provocava a mim, inconscientemente, já recém graduada no curso de Comunicação Social com Habilidade em Jornalismo, fui apresentada a um livro de um autor que eu desconhecia: Deepak Choppra. Chama-se As Sete Leis Espirituais do Sucesso. Conheço muitas pessoas que se recusaram a iniciar essa leitura por preconceito com o título (que parece uma fórmula mágica de bolo, porém, não deixa de introduzir, com exatidão, o que é o livro). Eu o indiquei inúmeras vezes aos meus amigos porque ele foi um divisor de águas, em minha vida. Ele me ajudou a iniciar a jornada de mudar a mim (e deixar de querer mudar o mundo como fazem os jovens jornalistas foca). Choppra me ensinou que eu faço parte da natureza e que minha vida pode ser fluida como é o funcionamento da natureza. Eu só precisava aprender a seguir as leis que me permitiriam alcançar o poder de atrair a realização dos meus sonhos.

As sete leis espirituais do sucesso
As Sete Leis Espirituais do Sucesso (Deepak Choppra) – Editora Best Seller

Na busca por entender melhor o funcionamento das relações e a psicologia masculina (sendo eu uma hetero que estava tendo problemas com o comportamento dos homens que passavam por sua vida), esbarrei em leituras que me ajudaram bastante como Mulheres que Atraem os Homens e Mulheres que os Afastam, de Connel Cowan, Por que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor?, de Allan e Barbara Pease e alguns outros mais, contudo foi em Um Jogo Chamado Amor (um título clássico de trama adolescente), de Robert Sheid, que eu parei. Esse livro me fez acreditar que eu poderia ser, plenamente, feliz. Ele me deu algumas explicações científicas e espirituais que eu desconhecia. Sheid joga no time de Choppra mas era incrível o estudo e a abordagem dele. Ele passa nove capítulos ensinando como ser uma pessoa melhor, mais leve, menos carregada, menos bloqueada para, no décimo, realmente, falar sobre como atrair um grande amor. Ele usa o amor (um tema atrativo para tantas pessoas) para explicar a razão pela qual muitos não conseguem realizar seus sonhos. Sheid não me deixou parar, esse livro criou em mim a vontade de ter minha pequena biblioteca de autoconhecimento para que eu pudesse recorrer a ela sempre que eu precisasse. Eu sabia que, por muitos anos, havia automatizado padrões de pensamento e comportamento dos quais precisaria me libertar. Eu precisava reler muitas vezes para que a minha cabeça desaprendesse o que é ruim para aprender o que é bom.

Em determinado momento da vida, em que nenhum vento bom soprava, eu disse, assim, pra mim: vou aplicar essas técnicas, aqui, desses livros, não me custa nada. Ali, fui entendendo sem entender que uma coisa é a compreensão, outra coisa é a ação. Nós precisamos das duas (mas eu, ainda, não sabia). Contudo, ventos bons começaram a soprar, fortemente. Fui caminhando para as minhas conquistas. Com o passar do tempo, fui começando a ficar sem tempo de meditar, de orar, de ler, de estudar. Eu tinha a sensação de que estava sobrevivendo de uma energia poderosa da qual eu havia me revestido num passado recente. Mas aí o passado começou a ficar distante e a falta de tempo foi se transformando em desânimo e cansaço. Eu estava caindo de novo, voltando para um lugar que eu não queria. Um dia, minha intuição foi abafada pelo meu medo e eu já não mais me encontrava no meio de todas as emoções negativas que ele me trouxe. Fui me perdendo, gradativamente, de quem eu era até perder, de vez e ao mesmo tempo, tudo o que eu tinha (ou achava ter).

Um jogo chamado amor
Um Jogo Chamado Amor (Robert Sheid) – Editora Saraiva

Os bons ventos passaram a não soprar, novamente, e eu me perguntava, frequentemente: por que eu voltei pra cá? Eu, simplesmente, não entendia. Retomei todo o árduo caminho de busca interior que havia realizado, anteriormente, mas eu precisava dessa resposta. O que foi, exatamente, que aconteceu? Deixar de realizar minhas práticas era suficiente para me provocar tantas situações negativas? Foi me abrindo, humildemente, para começar tudo de novo e tentando me envolver com novas abordagens assistindo alguns vídeos, na internet, de terapeutas e treinadores que eu conheci a Elainne Ourives. Na verdade, recebi um vídeo dela no meu Whatsapp e, muito por acaso, eu assisti (pois não costumo assistir tudo que me enviam). Inscrevi-me no canal dela do Youtube e a pus na listinha de canais que gosto de assistir e que falam de autoconhecimento (Paula Abreu, Cecília Dassi, Pamela Magalhães, Alexandra Solnado, Jout Jout Prazer).

A Elainne me salvou de mim e digo isso sem exagero. Na época em que a conheci, ela estava lançando uma websérie gratuita, em sua página, de cinco episódios. Cada episódio durou cerca de duas horas e, muito por acaso, eu assisti (pois não costumo parar tanto tempo em vídeos da internet). Durante as aulas dela e diante do compromisso que eu estava reassumindo comigo, fui me identificando até que ela me deu a resposta que eu precisava: a Elainne me ensinou que não adianta ativar pensamento positivo e outras técnicas se o meu sentimento estiver me sabotando. Era isso. Através de uma abordagem diferente de todas as outras que já vi (pois seu embasamento está na Física Quântica e na Neurociência), eu passei a entender, não só de maneira espiritual como científica, que o meu processo de limpeza (que é a primeira etapa de qualquer cura e realização dos sonhos) foi incompleta. No momento em que parei de dar continuidade ao meu processo de prestar a atenção em mim e me libertar das emoções que me fazem mal, resquícios de lixo interior se avolumaram e trouxeram de volta tudo o que lutei tanto para eliminar. Por isso, acontece de conquistar e perder tudo. É necessário continuar limpando, limpar tudo, vibrar com o universo, com Deus, estar sólido nesta escolha, neste estado, nos sentimentos bons.

Elainne Ourives
Elainne Ourives. Foto: facebook.com/elainneourives

A Elainne explica sobre limpeza, sobre frequência, sobre reprogramação e programação da mente. Aqueles cinco episódios reacenderam em mim, a chama da coragem. Reiniciei, com gosto, todas as práticas nas quais eu acreditava. Agora, eu sabia que tudo aquilo tinha comprovação científica, também. Eu sabia (e sei) que Deus está em tudo aquilo. A Elainne faz tudo isso com muita convicção e como pessoa humana que se coloca no lugar de entender o outro pois ela, também, já esteve em situação muito difícil, na vida. Tive a oportunidade de vivenciar as técnicas que, generosamente, ela aplicou no final de cada vídeo e tive experiências emocionantes e fantásticas. Eu quero me consertar e tenho, muito claro dentro de mim, a indicação de um caminho. Acredite: é muito difícil lidar com uma pessoa que você aprendeu a ser, sem perceber, por muitos anos, sabendo que quem você é, de verdade, precisa do seu esforço e da sua dedicação para aflorar. Eu sou o tipo de pessoa que precisa muito disso para ser, verdadeiramente, feliz.

Os vídeos da websérie não estão mais disponíveis no canal da Elainne. Ela abriu inscrições para um curso fechado onde ela ajuda seus alunos, através de suas técnicas, a alcançarem seus objetivos. Chama-se Holococriação de Objetivos, Sonhos e Metas. Eu não fiz o curso mas não tenho medo de indicar pois pude ter a certeza de que ela realiza um trabalho incrível, com responsabilidade e amor. Conheço poucos profissionais que liberam informações valiosas em conteúdo gratuito e ela é um deles. Não conheço a Elainne, pessoalmente, e ela nem sabe que eu existo mas, pelo bem que ela me fez, o mínimo que eu posso fazer é escrever sobre ela e dizer para quem chegou até aqui, na leitura deste texto (obrigada!), que se você se inscrever neste curso e praticar as técnicas com vontade de vencer na vida, muitas coisas irão mudar.

Clique aqui para conhecer o canal da Elainne.

Me trazer de volta

Paulista, 13 de junho de 2018

Querido Deus,

Ainda me surpreendo com a Tua forma de falar com as pessoas. Pergunto-me se todas possuem condições de interpretar os Teus sinais e logo me respondo que não. Por isso, imagino eu, o Senhor arruma novas e novas formas de falar a mesma coisa, até que nós ouçamos/percebamos a mensagem. Às vezes, o Senhor fala por intuição, outras vezes por acontecimentos, outras por pessoas, outras, ainda, por repetições. Isso mesmo. O Senhor é tão esperto e a Tua criatividade é tão infinita (assim como a Tua grandeza e bondade) que permite que os mesmos ciclos se repitam, que os mesmos sofrimentos retornem vestidos com outras roupas só para que nós tenhamos a oportunidade de entender o que tanto queres falar.

Eu preciso agradecer. Eu entendi que a gratidão é a força motriz que traz a cura para as dores, clareza para a alma, direcionamento para os objetivos. Eu preciso agradecer por todas as coisas, as boas e as ruins, as presentes e as ausentes, o que se pode ver e o que, ainda, não foi visto. Eu agradeço porque, nos últimos tempos, o Senhor me ensinou que os maiores sofrimentos são os maiores empurrões. A gente sofre e entra em contato com a nossa alma, a gente sofre e não tem controle sobre a sensibilidade, a gente sofre e busca entender. Essa busca é fundamental para nos encontrar com o Teu propósito de evolução.

É tanta coisa que aprendi que é, até, difícil explicar. Repetições me fizeram enxergar que todo aprendizado não é suficiente para nos manter conectados. O que nos conecta são as práticas diárias de ir até Ti, seja por leituras e estudos, reflexões, atividades que nos fazem perder a noção do tempo, ajudar o próximo, meditar, principalmente. Uma desconexão com a nossa essência pode acarretar consequências catastróficas. De repente, de mansinho, uma emoção negativa se aloja e convida outras a entrarem, sorrateiramente. A gente fala uma bobagem, cria uma preocupação, julga sem querer, se vitimiza, vive com pressa e pronto: na hora em que tudo explode, o estrago está feito.

Descobri que uma das atitudes mais difíceis da vida é retornar a se descobrir depois de pensar que já havia feito de tudo. É trilhar, pela segunda vez, o mesmo caminho de volta por ter traído a si. Imagine, Senhor, o que é pensar positivo, fazer por onde alguma coisa mudar e ver nada, absolutamente nada, sair do lugar… É desesperador. Imagine sofrer uma série de perdas simultâneas pra poder sentir uma dor inimaginável pra poder perceber que tudo o que a gente recebe é reflexo de tudo o que a gente emana e, mesmo assim, não saber como faz pra mudar. Perder tudo pra poder entender, pela segunda vez, o quanto é importante agradecer. Perder tudo pra poder entender que as respostas e os suportes estão dentro e não fora. Perder tudo pra poder sofrer, pra poder buscar, pra que alguém me diga que pensar positivo não é o suficiente se o meu sentimento estiver me sabotando…

Imagine, Senhor, ter que voltar a um lugar, dentro de mim, que eu achava já ter preenchido com terra fértil e plantado bem. Quem sabe, florestas poderiam ter sido criadas se eu não tivesse parado de alimentar a minha conexão e priorizado a minha pressa. Passou. Aprendi que não posso mudar o que passou. Não posso mudar o que podem ter feito comigo. Mas eu posso escolher o que fazer com isso. Eu posso decidir como reagir a isso. Posso ir Te encontrar todos os dias e pedir a Tua ajuda para perdoar, para gerar amor, para curar as feridas, para limpar a densidade das emoções ruins, para ser amor. Posso usar as forças que me restam para lutar contra pensamentos que me destroem e que eu permiti que entrassem sem nem perceber por causa da dor, posso medir minhas palavras e fazer um esforço pra deixar de reclamar, de julgar, de me pôr no lugar da vítima. Posso lutar por mim, para ter um coração leve, para entregar, nas Tuas mãos, meus maiores sonhos, para me dedicar ao trajeto de ir ao encontro do que mais preciso.

Essa é a luta silenciosa mais difícil que eu conheço mas sei que é a única que, realmente, vale a pena. A gente não tem o poder de fazer uma mudança exterior acontecer sem, antes, trabalhar para que ela ocorra dentro de nós. É a parte mais difícil da vida: mudar aquilo que a gente sente, aquilo que não nos serve. Quando a gente consegue… a gente chega mais perto de Deus.

Estou tentando de novo, meu Deus. Agradeço por me trazer de volta.

Com amor,
Sua filha.

A procura de novos horizontes

Das certezas do que quer, ela sabe. Sabe, também, que nenhum sonho nasce, assim, com a facilidade de se realizar, mas luta. Todo dia, luta um pouquinho mais, investe um pouquinho mais, estuda um pouquinho mais. Seu sonho é, um dia, poder se sustentar fazendo o que gosta.

Quando aquele trabalho com carga horária de oito horas diárias apareceu, não sabia se ficava feliz ou triste. Por um lado feliz pois, apesar de estar trabalhando para os outros, estaria aprendendo sobre coisas que precisaria para os seus projetos. Por outro lado, que tempo haveria para investir nesses tais projetos que são a fonte de sua essência e felicidade? Mesmo com tantas renúncias ficou com a primeira opção. Afinal, que escolha tem o brasileiro pobre do século XXI se não fazer um jogo de cintura brabo se quiser sobreviver e se realizar, ao mesmo tempo? Por vezes, pensava nessa injustiça: “minhas qualidades, capacidades, meu intelecto estão a serviço de enriquecer o outro que não paga metade do que mereço por renunciar à minha felicidade. Tudo isso em nome da sobrevivência…”

O plano não saiu bem como esperava. Havia algo de errado naquele ambiente. Era tudo muito pesado, a começar pela chefia. O primeiro sinal de que não aprenderia o que gostaria deu-se, logo, nos primeiros dias: foi deslocada de sua função originária de sua real profissão. Aceitou isso na ilusão de que teria acesso a outras ferramentas. Mas não teve. Deu de cara com uma chefia, extremamente, centralizadora que guarda toda a intelectualidade dos projetos para si e delega tarefinhas de casa para os seus subordinados. Tudo isso mascarado de longas e milhares de reuniões gerais de equipe que serviam mais para atrasar os trabalhos em andamento do que, verdadeiramente, para resolver alguma coisa. Ela pescava as boas ideias de sua equipe mas, no fim, levava o crédito por todo o trabalho pois fazia questão de realizar todos os planejamentos. Não conseguia, realmente, delegar. Após sofrer, consideravelmente, com as atitudes daquela mulher, alguém a fez abrir os olhos e entender que o nome daquele tipo de atitude é insegurança.

Seus santos não bateram. É o tipo de falta de sintonia que não tem explicação. A doutrina espírita diria que é uma antipatia carregada de vidas passadas. Mas esforçou-se. Encontrou outros inseguros, no caminho. Esforçou-se. Precisou render-se a não pensar (logo ela que amava colocar as ideias para fora!). Limitou-se a fazer o que lhe era pedido. Foi ficando opaca, sem cor, sem vida. Ela nunca se colocou naquele tipo de pensamento onde havia separação entre trabalho e pessoa. Acreditava que trabalhar era uma parte de si, uma parte de quem ela era. Por isso, doía não poder exercer a si, não poder contribuir como sabia que poderia, contudo, se submeteu em nome da hierarquia.

Quis sair daquele ambiente, quis afastar-se da forma como estava sendo vista e reduzida. Tentou. Procurou. Nada. Após alguns meses, houve uma reconfiguração na equipe e uma troca de chefia. Dentro da reconfiguração, assumiu o posto que sabia mexer, aquele para o qual havia estudado. O trabalho fluiu. Mostrou resultados. Todos viram e reconheceram.

Um belo dia, recebeu uma proposta:
– Você ganhou uma promoção. Mas precisamos lhe demitir deste contrato para fazer outro. Não se preocupe. Essa prática é recorrente, aqui.

Que felicidade! Fez planos, criou expectativas com o aumento, colocou algumas coisas na ponta do lápis. Enfim, reconhecimento. Mas, quando veio a demissão, algo se demonstrou errado dentro do seu coração. Foi ficando com medo. Foi achando estranha a ausência de detalhes na comunicação, a ausência de documentos que pudessem comprovar uma proposta realizada, apenas, verbalmente. Contudo, nada poderia, de fato, fazer. Conversar? Conversou! Incertezas começaram a apontar no novo discurso.
– Está tudo preparado. Dependemos de uma autorização. Fique no aguardo.

A demissão aconteceu. Todo aquele processo de rescisão, exame demissional, FGTS, documentação, seguro desemprego foi apagando o seu brilho. Buscou informação? Buscou! Recebeu as mesmas respostas vagas de sempre. Entendeu que a tal autorização não viria, a tal promoção não aconteceria. Sabia do seu valor mas não deixava de doer a tentativa de lhe reduzirem a nada, a alguém que não teria direito, ao menos, à verdade. Foi enganada. Foi seguindo adiante, na luta por refazer sua vida financeira.

Semanas após, recebeu a intervenção de uma pessoa amiga (uma, graças a Deus, dentre tantas amizades que fez mas que não se pronunciaram). Soube, por debaixo dos panos, que a antiga chefia (aquela que o santo não batia) havia retornado, ao setor, com gostinho de vingança. Fez sua caveira, disse que não produzia, que não trabalhava. “Mas, como, meu Deus? Todos viram os resultados! Está tudo lá, nos relatórios!”, pensou. Mas ninguém lhe defendeu. Ninguém.

Foi sofrendo que entendeu o ponto de vista de algumas pessoas que conhecia há muito tempo mas, na verdade, mesmo, conhecia era nada. O mais importante, para alguns perfis, não é executar um trabalho bom e ético. Às vezes, o mais importante é ter influência. Chorou. Sofreu. Por dentro, tudo se revirou. Mas continuou a procurar novos clientes e horizontes.