O dom de desnudar suas fragilidades pra qualquer pessoa

Olá, senhoras. Olá, senhores. Olá, LGBT’s do meu coração. Seguiremos a nossa trilogia postidiana (um neologismo pra me deixar feliz) com a situação número dois descrita no nosso título: o dom de desnudar suas fragilidades para QUALQUER pessoa. Você sofre disso? Isso te incomoda? Calma, eu estou aqui para te ajudar (pode segurar minha mão). Você já sofreu disso? Superou? Vamos combinar de trocar ideias nos comentários?

Lá vou eu com meu bocão dizer o que eu acho. Acho que o primeiro passo é perceber. Sabe quando a gente percebe que alguma coisa está errada? Quando a gente sofre. Essa informação me fez olhar a dor de uma forma diferente, me fez entender que tudo tem um propósito. Há propósitos que se cumprem, silenciosamente. A gente cresce, a gente aprende, a gente se sente melhor e pronto. Nem tudo leva confete, amor (a não ser que você se comprometa consigo a comemorar suas conquistas espirituais e emocionais. Boa ideia essa, não?).

Não fosse a dor, muitos seres humanos continuariam vagando pelo planeta Terra a repetirem os mesmos erros. Já sentiu isso? Que as situações se repetem, na sua vida, mudando, apenas, os personagens ou os lugares ou os dois? Pois, há muitas explicações para isso dependendo do caso, mas uma delas é o inconsciente. Na vida, há muitas crenças adquiridas por osmose (e eu nem tô brincando, visse?). A gente, principalmente enquanto estamos formando personalidade, apreende as crenças de tudo o que vemos, ouvimos e reagimos. Perceber que algo está errado significa sentir que a forma como a gente tem se comportado, por repetidas vezes, diante das situações, tem doído. É quando a gente percebe que, por mais louco que isso seja, somos nosso maior perigo, nosso maior inimigo, a pessoa que mais nos faz mal. Fez sentido? Fez não, né? Calma que eu vou explicar.

Digamos que você não tenha vida social. Digamos, também, que você não tem uma comunicação íntima e sincera com a sua família (você não se sente à vontade para falar sobre tudo com eles). Digamos, ainda, que você sente falta de conversar com alguém, sente falta de se sentir cercado de pessoas que te inspirem segurança e sente necessidade de se sentir inclusa(o). Diante deste cenário, digamos que muitas descobertas estão acontecendo com você, você tem medo de tomar decisões erradas, você não sabe, ainda, lidar com as coisas que você não entende, você se sente sufocado com as palavras que você não disse. Então, você adquire uma forma peculiar de fazer amigos: você faz confidências, você avalia o que as pessoas acham sobre as suas questões. Você conversa com muita gente: gente do círculo dos estudos, gente do círculo dos trabalhos. Às vezes, essa gente toda nem tem amizade mas chega um ponto em que eles se unem, de alguma maneira, porque todos sabem dos seus problemas e da sua vida. Muita gente sabe da sua vida. Você nunca conseguiu filtrar as palavras (nem as pessoas) e acaba confidenciando muitas coisas da sua vida. Qualquer passo que você der será observado por alguém que sabe muito mais do que deveria saber a seu respeito.

Entender, em primeiro lugar, é NÃO se chicotear. Punição não combina com amadurecimento (guarde isso no seu coração, ok?). Entender (que vem depois de perceber) começa com uma compreensão profunda em torno de toda essa carência afetiva, de toda essa insegurança, de toda essa baixa autoestima. Começa com uma análise carinhosa sobre toda a sua história, todas as situações pelas quais você já passou, tudo o que você aprendeu a acreditar, sem pedir ou sem querer, tudo o que contribuiu para que você seja a(o) responsável por essa grande exposição de sua vida, aberta ao falatório de um monte de gente que se sente nesse direito (e em outros mais). Uma parte é você entendendo tudo o que te fez adquirir este padrão de comportamento, outra parte é você decidindo o que vai fazer com isso. Somos feitos de escolhas, já ouviu essa frase de efeito?

Pois, o terceiro passo é esse: escolher. Você se pergunta: que tipo de pessoa eu quero ser? O que é melhor pra mim? Vai se aprofundando nessas respostas e vai fazendo o que pode para chegar perto do que respondeu. Sacou? É importante que, dentro desse processo, esteja uma limpeza de todos os pensamentos e sentimentos que não acrescentam e, ainda, trazem dor. Importante, também, descobrir a sintonia que vai te fazer vibrar junto com aquilo que você quer conquistar. Não vou mentir, o caminho é difícil mas se você quiser saber um pouco mais sobre como trilhá-lo, eu posso te dar uma ajuda (o campo de comentários é todo seu!).

Menina, o que há com você?

(Na realidade, me antecipo a dizer que a menina pode tudo. Mas há quem se fira com suas atitudes intencionais)

Você tem uma raiva gratuita e espontânea de qualquer garota que ameace seu posto de ser o centro das atenções. Você se insinua pra tudo quanto é homem e não perde a chance de se envolver com eles para conseguir o que quer. Você não se importa com a ética em ambientes de estudo ou trabalho. Você não se esforça para se dedicar, ao menos, a uma única coisa, em sua vida, e acha que pode findar seus dias bebendo, dançando, fumando, vestindo roupas provocantes e passando a perna nas pessoas. Menina, o que há com você?

Será que, para se sentir alguém, você precisa criar rivais? Será que você não consegue viver sem os olhos das pessoas sobre você? Por que você quer ou precisa tanto desses olhares? Será que é porque a sua autoestima não está ok? Você luta para obter a atenção das pessoas e se sente ameaçada quando isso não acontece. Você recorre a bens que te anestesiam e se passa por uma pessoa engraçada que nunca vai ter juízo, que nunca vai tomar um rumo, que sempre vai precisar de ajuda para poder se aproximar dos outros. Na verdade, você é extremamente carente, tem a autoestima extremamente baixa, nunca sentiu amor próprio e nunca teve coragem de mostrar quem você, realmente, é.

O que você ganha com isso, garota? Qual é a graça de achar que a solução dos seus problemas está em fatores externos? Por que será que você não consegue olhar pra dentro? Qual é a sua real necessidade quando se insinua para pessoas do sexo oposto e faz sexo com elas sem nunca ter sentido o amor? Que medo é esse de se entregar? Que medo é esse de encontrar o seu lugar? Agora, mesmo, você está seduzindo e se envolvendo com o seu superior. Ele está perdido no sofrimento e você o leva para bares e festas com as quais ele não se identifica, mas ele vai porque ele é muito mais velho do que você e tem um complexo gerado por uma juventude que não viveu. Ele está encantado com o seu frescor, com a sua juventude, com a sua loucura. Na verdade, ele acha que estar perto de você e acompanhar suas inconsequências pode ser a única escolha empolgante, já que ele luta para se sentir confiante e não consegue. Ele não consegue enfrentar a si, ele não sabe porquê está com você e você não sabe porquê está com ele.

O que te faz sentir uma pessoa melhor em se aproveitar de uma pessoa que está frágil, emocionalmente? Qual é a graça de fazer tantos movimentos para sua vida sexual sem algo de verdadeiro? O que de bom há em machucar o coração da mulher que, realmente, ama esse cara? Não quero tirar a responsabilidade dele da história. Mas seria bom que o seu senso de autorresponsabilidade acordasse desse sono profundo. Menina, você é jovem, bonita, inteligente, tem uma vida pela frente te esperando. Uma vida maior do que esse círculo vicioso onde você se meteu. A vida pode ser melhor do que isso. Seja lá qual for a dor que você esconde, descubra-a, enfrente-a. Descubra quem você é e o que realmente quer. Então, terá paz. Acredite, magoar os outros, causar intrigas, competições, viver relações vazias não contribui para que te tornes a melhor versão de si. Não atrai para ti um olhar verdadeiro e profundo, não te faz ser amada.

Menina, aprende a se respeitar, aprende a se amar. Se conseguires, entenderás o quanto é importante ter respeito pelos outros, aproximar-se dos outros por quem você é. Sei que estás cansada de fazer este papel. Sei que pode ser doloroso não descansar no seu próprio eu. Então desista disso. Desista de se alimentar do que os outros pensam e falam, desista de montar um personagem para obter a atenção e o cuidado deles. Cuide-se, cresça, amadureça, tome as rédeas de sua vida. Menina, pare de magoar as pessoas, gratuitamente, apanha a tua dignidade do chão ou as pessoas nunca deixarão de sentir pena de ti.

Me perdoe por não poder lhe julgar, julgando

Colega, por algum tempo, eu te chamei de amigo… Eu me doei e me atirei a me importar contigo como é praxe de minha personalidade com novas relações. Tenho reparado que as pessoas muito se defendem. Eu não. Eu pago pra ver, até que me provem o contrário. Que besteira é essa de não me dar uma chance de ter um amigo? Que besteira é essa de não me dar uma chance de ser um amigo para alguém? Tenho reparado que o universo emocional das pessoas anda meio adoentado e tudo pode ser motivo para alguma desconfiança.

Colega, não acho que este seja o nosso caso. O que eu acho é uma realidade muito dura de dizer. No entanto, uma vez dita, se torna algo simples como uma pena que cai no chão, vagarosamente.

Eu acho que afinidade e bem-querer não se escolhe com a cabeça. Até hoje, nunca se descobriu o motivo real que nos leva a gostar de alguém querendo compartilhar felicidade. A gente gosta e pronto. Por isso, não posso te julgar…

Não posso te julgar pelo abandono que eu sinto. Não posso te julgar por essa sensação inadequada de injustiça. Não posso te julgar pela minha escolha de ter te acolhido no círculo de doação da minha mais carinhosa amizade. Compreenda que sou humana e meu nível de evolução, ainda, não me permite enxergar com naturalidade estes momentos em que tanto precisei de ti e tu, sabendo que eu não estava bem, nada fez. Não cresci tanto a ponto de não sentir falta de um feliz aniversário, no início do mês passado. Sendo que fulano ficou doente e todo mundo caiu em cima de preocupação. Sendo que sicrano fez aniversário e todo mundo se mobilizou para comemorar. Não sou tão madura para admitir que doei mais do que o necessário e que tu, também, podes estar galgando teus níveis de evolução.

Foi barra, colega… É uma barra esses desencontros da vida que brigam com as nossas carências. É muito difícil não querer se fechar para o mundo, não tomar uma postura vingativa, não querer se proteger de quem te desmerece, mesmo que esse alguém não tenha culpa. Quem não fecha o coração diante das frustrações dessa vida é que é forte, mesmo.