Encare a rejeição com naturalidade

Ninguém gosta de ser rejeitado, mas qual é o problema? A rejeição deveria ser encarada como algo tão natural quanto comer arroz com feijão, na segunda, e bife acebolado, na terça. Pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, quem se conhece e se ama, quem sabe o seu valor, não pode esmorecer diante de uma rejeição, não pode deixar de acreditar no amor por causa de uma rejeição, nem pode se desvalorizar nem sofrer, infinitamente, por causa de uma rejeição.

Presta a atenção, gente: rejeição é coisa natural da vida. Neste mundo de afinidades e competências, estamos propícios a encontros e desencontros. Os desencontros NÃO SÃO o fim do mundo. São, só, desencontros. Não morram de tristeza por isso. Fiquem tristes, no máximo. Depois, de posse da sua essência e dos seus ideais, continue lutando pelo que faz sentido pra você. Pronto.

As pessoas têm o direito de serem diferentes e pensarem diferente, de terem gostos diferentes. Ninguém precisa brigar ou humilhar por causa disso. Tem gente que faz isso, mas aí a gente pede a Deus por esses seres humanos tão carentes de evolução como nós. O fato de uma ou, até, mais pessoas, em um universo de sete bilhões, não te querer quer dizer, absolutamente, nada. Não diminui o seu potencial nem faz esvair a tua essência. Você, com sua maturidade, tenha respeito por esses seres e siga em frente, sem tristeza ou raiva disso. Siga vazio ou pleno de amor por si mesmo e vá fazer o seu plantio. Isso é normal. Nem bom nem ruim. Normal. Não diminui e nem aumenta. Normal. Não vamos mudar para provar que aquela pessoa está enganada a nosso respeito se a única motivação existente para esta mudança for uma rejeição. Isso é normal. Não vamos detonar a pessoa e rotulá-la de todos os adjetivos denegridores e obscenos do mundo por causa de uma rejeição. Pelo amor de Deus, isso é normal. Ou você, também, nunca rejeitou alguém na sua vida?

Se eu decidir acreditar #2 – As possibilidades

Notas do capítulo anterior:
Rukam é uma cidade fictícia que fica ao norte de algum país. Lá, moram Luna, seu pai e seu irmão mais novo. Luna está na metade do curso de Economia e tem um trabalho fixo de carteira assinada e carga horária de oito horas diárias na área. Ela, também, toca teclado e arrisca umas notas cantando. Na verdade, arrisca nada, ela estuda pra isso e é bem dedicada. Só que seu pai não pode saber pois ele não compartilha de ideias e atitudes onde os sonhos podem se tornar realidade. Luna sofre, coitada… estuda no conservatório estadual escondido, à noite, e inventa desculpas para que ninguém da família descubra. Sempre que pode, ela desabafa com o seu diário (a pedido do seu psicólogo).

“Rukam, 17 de julho

Parece que o dinheiro dá o tom da maioria das nossas decisões. Assisti uma palestra que afirmava não ser bem assim: fomos condicionados a pensar que é. No meu caso, mesmo, vontade, nunca faltou de jogar quase tudo para o alto e viver feliz, fazendo o que eu gosto, me sentindo útil, me sentindo bem. A grande questão é se eu teria condições financeiras de fazer isso… como é sofrida essa vida de quem necessita de dinheiro para sobreviver… é como escolher entre se manter sendo infeliz ou ser feliz sem ter como se manter. Injusto.

Meu trabalho paga minhas contas. É algo que eu domino mas não é o que faz meu coração vibrar, não é o que me desafia, não é o que me faz levantar da cama de manhã. Não é fácil viver assim… adicione a isso as cobranças de meu pai pra eu ser a pessoa que ele sempre quis ser e nunca foi, sei lá por quê. Também, sinto que não dá pra viver pela metade. É como se eu me obrigasse a passar tempo no meu trabalho para ter como me sustentar. É como se eu, nunca, tivesse tempo para ser feliz, entende? Cansaço é bóia…

Já que largar a estabilidade de uma renda mensal, ainda, não é uma opção plausível, eu vou tentar arrumar um trabalho que me dê mais tempo, com uma carga horária menor. Foi a Rayanne que me deu esse toque. Não que arrumar um emprego seja coisa fácil nos dias de hoje, mas preciso tentar uma mudança, antes que eu enlouqueça. A Preta me alertou para a possibilidade de dar tudo certo se eu tentar. Não posso, mesmo, só me entregar às possibilidades negativas, né? A longo prazo, a Laís me disse que eu posso juntar, também. Quem sabe, o suficiente pra alugar um quartinho por um tempo ou viver sem trabalhar por alguns meses de tentativas em outros projetos… tô pensando e vendo o que é melhor tentar”.

Ajude Luna com possibilidades. O que ela poderia fazer para ter mais tempo e investir nos seus sonhos? Onde ela poderia arrumar esse tal emprego?

Você pode continuar esta história, aqui, nos comentários e acompanhar o desenrolar dos fatos na categoria Pitaque, se quiser. Já pensou se a sua sugestão for aprovada? Você vai ver seu nome e seus pitacos na história. Quem nunca quis criar o rumo de uma novela? Comenta aí!

Os verdadeiros espertos é que são raros

Texto escrito em 2014. Quem sabe, ainda, atual.

As pessoas vivem dizendo, com ar de sabedoria, que não se deve levar a sério qualquer tipo de relação. Nos dias de hoje, maturidade é proteger os sentimentos com várias cascas de jogos. As pessoas jogam. Ter os pés no chão é enxergar a realidade, exatamente, do jeito que ela é: “homem trai, meu velho, e não pense que as mulheres estão longe disso”, “na realidade, hoje em dia, tudo está muito fácil”, “ai, meu Deus, não seja romântico, as pessoas são livres e podem ficar com quem bem entenderem”. Percebo que qualquer nuance que demonstre o mínimo de sentimento precisa ser escondida: você não será aceito, com facilidade, nos grupos, se não concordar com a ideia de que o amor não existe porque acreditar num relacionamento sério, duradouro e com amor é viver no mundo da fantasia ou ser discriminado como um boboca, abestalhado, abigobal, tabacudo, pra ser mais preciso.

Ter experiência é saber que, no fundo, não existe sentimento que leve à fidelidade ou à vontade de construir uma vida a dois. Não existe amor a dois. Isso fica no campo etéreo da raridade. Vejo muitos homens bonitos, inteligentes, apaixonados por seus ofícios, lutadores por uma sociedade mais justa e casados ou noivos ou namorando agarrando pela cintura e olhando dos pés a cabeça qualquer amiga que passe por eles. Claro, quando suas mulheres não estão por perto. Homens admiráveis até o momento em que demonstram, sutilmente, que estão inseridos na sociedade da sacanagem. Vejo muitas mulheres lindas, com corpos esculturais, inteligentes ou não, sendo o alvo de qualquer um – casado ou não – ao qual levante o dedinho com o gesto de “venha”.

Então, viver bem significa não levar nada, absolutamente, nada a sério. Vamos beijar na boca, trocar salivas, roçar, sentir o cheiro real de nossos corpos colados, fundir nossos órgãos genitais, sentir prazer, prazer, prazer e fingir que nada daquilo mexeu com a gente, que a gente só se gosta ou se curte, no máximo. Vamos ver se, assim, ele ou ela sente vontade de ficar junto, novamente, e vamos vendo no que vai dar. Na maioria das vezes, dá em nada, depois de algum tempo. Um ano, quem sabe. Ou dá: quando acaba, a mulher sente um buraco no meio do corpo, no meio do peito. Não, ela não está apaixonada pelo cara ao qual entregou seu corpo inteiro sem qualquer tipo de pudor ou limite, ela só havia se acostumado com os encontros sistemáticos e frequentes, só se acostumou com o cheiro do suor dele e o seu peso em cima de si, seu hálito, seus beijos, seu olhar, suas brincadeiras, suas gargalhadas. Mas, o que será que ele pensa? Como será, mesmo, a vida dele? Como seriam as pessoas que ele mais ama? Imagina, se essas perguntas passariam pela cabeça dela… Acabou. A fila anda.

O homem nem sabe porque se afastou daquela mulher. Vai ver, ela encheu o saco, ele perdeu a vontade. Vai ver ele nem consegue entender que, em alguma instância, pode ter sentido o campo da fragilidade sentimental se aproximando com alguma conversa boba, alguma cobrança disfarçada de riso. Tenho a impressão que a maioria dos homens se afasta quando se sente desprezado ou quando não se sente suficiente para aquela mulher. Mas os sentimentos dos homens são, mesmo, ocultos pra quem quer que seja. O que sei é que eles se afastam. Acho que nem sabem direito porque se afastam. E, de repente, uma relação que era tão íntima, vira um nada, como se ninguém se conhecesse ou como se fossem inimigos de longa data.

Posso estar enganada mas acredito que a sociedade de 2014 pode estar caindo no grave erro de mentir para si. Ser 100% sincero com seus desejos e sonhos dá trabalho. Eu acho que mulheres e homens querem, sim, amar, mas camuflam essa vontade porque, no fundo, bem lá no fundo do inconsciente, escondidinho, vive um medo de nunca encontrar sua tampa da panela. Na cabeça deles, estão só se permitindo com relações baratas ou dadas como se não houvesse outra forma de ser feliz: a forma que corresponde a ser 100% verdadeiro consigo.

Fico me perguntando se existe ou existirá lugar para os corajosos: aqueles que admitem para o próprio coração que tapar esse buraco no peito significa ter amor próprio, ter respeito pelo próximo e ter a certeza concreta de que querer fazer sexo com quem se ama ou se aposta amar e ter as duas coisas, no cotidiano, não é ter vida de tabacudo. Ser esperto é ser você. Por quantas e quantas vezes esses homens ou essas mulheres se contentarão com uma dança do acasalamento atrás da outra sem nunca se aprofundar, de verdade, no que o outro está trazendo para a sua vida em energia, em aprendizado, em bem estar? Será, mesmo, que eles pensam que entender o outro – casado ou não, gostoso ou não, esperto ou não – como um ser integral, que tem um corpo lindo mas também coração, que sabe fazer direitinho mas que tem pensamentos, sonhos, vida, família – é agir como um tabacudo? E se for, o que me resta afirmar é: nos dias de hoje, os verdadeiros espertos é que são raros.