Aqui tem mais samba, meu bem!

Amanhã (8), a partir das 21h, a cantora Laís Xavier apresenta seu novo projeto intitulado “Aqui, tem mais samba!”. Na ocasião, a artista interpretará choros e sambas de renomados compositores, a exemplo de Cartola e Jacob do Bandolim e, também, sucessos dos repertórios de grandes nomes da MPB como Maria Rita e Roberta Sá. O show conta com as participações do Trio Aquarela e os cantores Surama Rheis e Marcílio Avlis. Vai ser no Casato Bistrô que fica na Avenida Rui Barbosa, no bairro das Graças, no Recife. O couvert artístico custa R$20.

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Foto: Keissy

Laís sobe ao palco acompanhada pelos músicos Isaque Santos (violão 7 cordas), Daniel Coimbra (cavaquinho) e Jefferson Lopes (percussão). As três participações especiais farão a abertura do show além de duetos com a cantora. Ao falar sobre a escolha do repertório para este novo projeto de 2019, ela explica que a ideia era reunir o clássico e o atual. “Todas as músicas têm um significado, mas aí você vai ter que assistir pra entender”, acrescenta, sorrindo.

O cantor Marcílio Avlis conta que se sentiu surpreso e apreensivo ao ser convidado por Laís para fazer um dueto, no show, pois não conhecia a música que farão juntos. “Mas depois que ouvi, me apaixonei pela canção. Eu fiquei muito feliz com o convite, eu sempre torci pelo trabalho dela e acompanho todos e é maravilhoso poder participar desse projeto lindo”, diz ele.

Parceiros em projetos outros profissionais, a exemplo do Vocal 4/4, onde cantam juntos, Marcílio e Laís, também, são grandes amigos. “Somos de brincar um com o outro, ajudar, de conversar sobre nossos relacionamentos, dar conselhos, ela é genial e o seu canto mais genial ainda”, declara o músico.

Amiga e colega de profissão há quatro anos, por intermédio do grupo MPB Unicap, Surama Rheis, que é uma das cantoras convidadas do show, afirma sua admiração pela beleza e identidade vocal de Laís. “Ela chegou ao MPB um tanto tímida, mas nunca me enganou, tanto que eu viva instigando-a a soltar tudo e liberar aquele vozeirão que ela traz guardado. E quando eu quero brincar com algumas cantoras eu sempre fico perguntando: e aí minha filha, quando é, mesmo? Quando é mesmo, o quê? Quando é mesmo que você vai soltar todo esse potencial pra a gente conhecer de verdade? E Laís fez isso com muita maestria. Fico muito tranquila quando a indico para os amigos que gostam da boa música o show de Laís Xavier. Laís tem um cuidado com a escolha do repertório, o modo como conduz, é muito lindo o trabalho dela. Daí não tem como dar errado”, conta a cantora.

Segundo Surama, Laís consegue transmitir, no palco, o cuidado com o trabalho musical preparado. “Ela envolve, embala, conduz o público que eu tenho certeza, só tende a crescer a cada show realizado. Quando ela solicitou que eu indicasse algumas canções para serem apreciadas, eu fiquei muito grata e como não tenho nada de meu, enviei o meu repertório completo para que ela pudesse compor sua obra de arte. Eu me senti muito grata por ser uma das convidadas a dividir esse momento com ela, tentar acrescentar junto ao grande trabalho que Laís vem fazendo”, diz ela.

Estudante do curso técnico em Canto Popular do Conservatório Pernambucano de Música (CPM), Laís Xavier afirma estar se descobrindo em alguns elementos do universo musical assim como em outros se reafirma, mas percebe um carinho especial pelo samba que estará presente no seu primeiro trabalho autoral de estúdio. “Nada me dá mais arrepio que esse gênero musical que é, tipicamente, brasileiro e que transmite tanta verdade. Dessa forma, eu me identifiquei, rapidamente, com o samba e com o choro. Eu acho de vital importância fazer com que esse estilo musical chegue para as novas gerações, que é o que eu pretendo fazer no meu EP de lançamento. Os jovens conhecem o samba, sabem que existe, mas é tudo muito superficial por conta do imediatismo da geração 2000. Se o samba é pouco conhecido, o choro nem existe pra eles. Eu quero fazer com essa cultura chegue pra esse público”, diz ela.

LAÍS XAVIER – Com 23 anos de idade e 10 de carreira, iniciou sua vida musical na igreja. Sempre muito tímida, era na música que encontrava segurança para desenvolver melhor suas relações pessoais, a partir do contato com o público. O amor pela sua forma preferida de comunicação cresceu e veio a vontade de se aprimorar mais na área. Em 2015, iniciou seus estudos no Centro de Educação Musical de Olinda (CEMO), onde frequentou aulas de canto e teoria musical. Em 2018, foi aprovada no teste e garantiu vaga no curso técnico do Conservatório Pernambucano de Música (CPM), para trabalhar, ainda mais, as potencialidades de seu principal instrumento: a voz. Paralelamente aos estudos vocais, também toca violão e ukulelê.

Além da carreira solo, atua como vocalista nos grupos Vocal 4por4 e MPB Unicap, tendo passagem por grandes palcos como dos teatros Luiz Mendonça, Guararapes e Santa Isabel. Em 2014, começou sua trajetória como compositora, escrevendo a canção “Maré Vermelha”. Para 2019, planeja gravar o seu primeiro EP, com repertório autoral.

Serviço
O quê? Show Aqui, tem mais samba! (Laís Xavier)
Quando? Amanhã (08/02/2019) às 21h
Onde? Casato Bistrô (Avenida Rui Barbosa, 1503, Graças, Recife/PE)
Quanto custa? R$20 (couvert artístico)

Ter um sonho todo azul

Quem tem um timbre de voz diferenciado e marcante deve ser grato pelo resto da vida e não deixar passar a chance de utilizar esse dom. Imagina alguém escutar a sua voz, independente do momento, ou de ruídos ocasionais, ou de qualquer melodia desconhecida, e reconhecer você. É sublime. É uma bênção. A voz é um instrumento poderoso capaz de transformar lugares, no interior do ser, inimagináveis. Tim Maia tinha esse dom. E lutou por ele com garra invejável. Ele se foi mas a voz dele continua, inegavelmente reconhecida, na mente das pessoas onde quer que ele seja ouvido. Sua obra é seu legado. Ele se foi e eu era criança mas ouvi Tim Maia minha vida inteira e ouço, ainda, porque adoro.

A música Azul da cor do mar, composição dele lançada em 1970, é uma de minhas prediletas. Ela fica num grupo especial de outras músicas que me ensinam a olhar para a vida de uma maneira mais reflexiva e sábia. Era dom, também, a maneira que ele tinha de falar sobre a vida e ele o aproveitou muito bem. Azul da cor do mar me leva a um lugar de resignação. Muitas vezes, confundi resignação com derrota. Nada disso: resignação é uma postura sábia de gente que não perde a esperança de que o futuro pode ser diferente sem perder, também, a aceitação sobre o momento presente. E aceitar, minha gente, é abraçar tudo o que, hoje, é, do jeito que é, sem tentar modificar forçando soluções que podem gerar novos problemas. Aceitar o presente é tomá-lo como um ponto de partida, é entender que, em tudo, existe uma oportunidade de sermos melhores.

Ao aceitar o presente podemos pretender o futuro e é assim que nossos sonhos se tornam reais: liberamos a carga de insatisfação ao aceitar e abrimos espaço para focar na realidade que queremos. Por isso, é importante sonhar. Nós somos o que sonhamos, somos seres puramente subjetivos, feitos de energia. Nós precisamos sonhar. Ao sonhar, estamos co-criando uma nova realidade para as nossas vidas.

Fiz um cover de Azul da cor do mar (a long time ago). Assistam a seguir =*

 

Não somos o que queríamos ser

Não somos o que queríamos ser. Somos um breve pulsar em um silêncio antigo com a idade do céu. 
(Paulinho Moska)

Já viu letra mais linda que essa? Já viu reflexão mais assertiva sobre a existência humana? Quem somos, afinal? Quem somos diante da grandeza de todo o universo? Quem somos para interferir ou pensar que obtém o controle sobre o seu funcionamento? Eu sempre viajei na letra de Idade do céu. Música linda, lançada em 2003. Composição de Jorge Drexler com versão em português de Paulinho Moska. Eu queria tê-la cantado em espanhol, também, mas a versão em português toca tão fundo quanto.  Como o Moska é sensível, né? Não é de hoje que venho observando as composições dele. Melodias encantadoras, letras cheias de sentimentos. Algumas me marcaram no coração como Pensando em você, Tudo novo de novo e Meu nome é saudade de você.

Mas voltando a Idade do céu, sabe que eu não sei quando essa música entrou e ficou na minha cabeça? Eu tenho uma lembrança muito viva da Simone cantando-a com a Zélia. Um dueto liiiindo e ouvir me trazia muita paz. A voz doce da Simone e a mensagem da música foram a fórmula certeira para que eu repetisse essa música no Youtube um zilhão de vezes  para ouvir. Que mensagem, bicho! Quem somos nós, minha gente? Quem é você? Do que você dá conta? Você é parte. Para quê se aperrear? É tão simples mas é tão rico. Encaramos a vida com outro olhar a partir do momento em que decidimos cuidar do que está sob o nosso controle e reconhecer o que não está. Ao reconhecer, dimensionar a questão e relaxar quando nada se pode fazer a respeito. Felicidade é, também, o que a gente aprende a poupar, a diluir, a desatentar. Felicidade é, também, abrir espaço. Deixar de focar energia  em causas desnecessárias e usar essa mesma força para causas que interessam, que contribuem, que transformam.

Fiquei feliz quando meu amigo Alisson Fernando propôs essa música pra a gente fazer no canal. Outro TBT das antigas pelo qual tenho muito carinho. Assista :*

Podia ter vivido um amor Grand’ Hotel.

Grand’ Hotel é uma música que foi lançada em 1991 pela banda Kid Abelha. Foi escrita pelo trio George Israel, Lui Farias e Paula Toller. Eu não diria que, necessariamente, tenho uma história com essa canção (muito bela, por sinal!). Ela estava ali fazendo a trilha ambiente da minha infância, sem que eu me atentasse para isso. Anos 1990 e meu tio adolescente colocava as fitas cassete pra rodar no gravador. Fã das bandas de rock dos anos 1980 e exímio apreciador de música nas alturas, meu tio não deixaria faltar Kid Abelha em sua playlist. Estava lá a Paulinha cantando enquanto eu brincava de pique esconde com as minhas primas, no quintal.

Kid Abelha é assim: um caso curioso de músicas que sei cantar sem lembrar direito como e nem por quê. Só sei que é bom! Mais tarde, meu amigo violonista e cavaquinista Brown Sousa a sugeriria para a fazermos juntos pra o canal. Eu (que nem gosto de receber indicações de coisas pra ouvir e cantar de mentira que eu adoro, sim) me amarrei na ideia! Principalmente porque, mais tarde, também, a Paula Toller seria uma grande inspiração pra mim. Nossos timbres se assemelham em leveza e alcance de agudos. Ela sabe muito bem o que fazer com a voz e ouvi-la é aprender e me espelhar nisso.

Grand’ Hotel é a descrição do típico amor imaturo que não cultiva o tempo certo para plantios e colheitas. São os impulsos do ego que falam mais alto sem se importarem com as consequências. É a tradução poética da dor do arrependimento, das dúvidas sobre ter feito diferente. É a preferência pelos extremos: se amar como eu amo não dá certo, então, será que é melhor não amar? É aquele sentimento, sabe, tão intenso que não questiona o que é o amor, que não aceita outras condições, que não enxerga o que a inexperiência não pode mostrar. É uma melodia doce e melancólica de uma história que poderia ter sido mas não foi.

Sorte nossa que as coisas têm um tempo certo para acontecer, né? Tudo o que vem é reflexo do que sentimos e de como sabemos lidar, até aquele momento. Atraímos situações e pessoas em sintonia com a nossa sintonia. Dor é oportunidade. Dor é evolução.

Aí vai o cover que fizemos (a long time ago) de Grand’ Hotel :*


Minha história com Brigas nunca mais

Brigas nunca mais  é uma música de 1959. Foi lançada no lendário álbum Chega de saudade, um marco na história da Música Popular Brasileira pois trazia ao público a primeira apreciação do movimento Bossa Nova quando sua ilustre tríade, representada por Tonzinho (Tom Jobim), João Gilberto e o Poetinha (Vinicius de Moraes), se juntou para apresentar os primeiros resultados daquela parceria. Nossa, como eu amo o Vinicius! Tudo começou quando decidi montar um projeto com as músicas que ele letrou no ano de seu centenário. Fui até a biblioteca pública da cidade mais próxima e arranjei a biografia dele para ler. Devorei aquele livro, de nome Vinicius de Moraes: O poeta da paixão: Uma biografia, de José Castello. Após cinco anos daquela leitura, ainda, lembro de tantas passagens, tantos sentimentos ao entrar em contato com aquelas histórias, tanta vontade de ter sentido os ares da Bossa Nova, a época em que Vinicius vivia… Eu me apaixonei pelo jeito errante e romântico dele, pelos poemas, pela maravilhosa maneira de escrever as letras daquelas músicas, beirando à perfeição em algumas e, em outras, sendo, honestamente, perfeito! A prosódia, completamente, condizente com as melodias. Vinicius é um amor e um ideal na Literatura e na Música, para mim. Sempre, será. Penso nele, ouço a obra dele e, sempre, me emociono. Consequentemente, e por tabela, amei e amo os parceiros de composição dele. Certamente, ao ler suas biografias, o amor só aumentará, também. Esse povo, inegavelmente, fez história.

Pois bem, ao entrar em contato com as primeiras pesquisas da disciplina de Canto Popular, no curso técnico do Conservatório de Música, eu sabia que deveria cantar Bossa Nova. Trouxe Vinicius e Tom comigo. Eu, tão verde, nunca havia pisado em um palco de verdade pra cantar. Havia cantado em salas, mesmo quando cantei em eventos, eram grandes salas. O Conservatório tem um auditório que imita um teatro, tem um palquinho com direito a escadas pra alcançar. Foi neste dia que tomei a decisão de nunca mais cantar de salto. Minhas pernas tremiam e parecia que havia um grande parafuso em cada salto pois não saíram do mesmo lugar durante as quatro músicas que cantei. E Brigas nunca mais estava entre elas. Uma música fofa, sabe? Que transmite a sensação de um amor leve, com briguinhas à toa, e doces reconciliações. Chega a ser um pouco cômica a forma de se falar de amor, nela mas, sem dúvida, uma forma linda onde o mesmo amor se demonstra forte e inabalável às tempestades.

Tempos depois, durante o curso de Violão Popular em outro Centro Musical, sugeri ao meu professor tocá-la na audição de alunos. Aí pude cantar e me acompanhar tocando. Pense numa coisa gostosa! O violão me dava uma sensação de segurança, o gosto pela música me fazia ter vontade de dar o meu melhor. Não que eu seja uma Brastemp, mas pense num sentido que esse fazer me traz! Foi com Brigas nunca mais que me estreei tocando e cantando no canal. Postei e saí correndo. Não divulguei em canto nenhum até a escrita deste post que levará o vídeo em anexo. Quando gravado, era pós São João mas, no Nordeste, vocês sabem, o São João só acaba quando chega agosto. Então, havia som nas alturas na casa dos vizinhos, menino estourando os fogos que sobraram da noite de festas, etc. Eu estava criando coragem para gravar. Gravei e postei como uma maneira de dizer pra mim que faz sentido começar, mesmo que não esteja perfeito, mesmo com vergonha. Deixei a sonoplastia dos fogos sobreviverem ao vídeo pois quando eu poderia imaginar que depois que eu cantasse a palavra “chegou” haveria uns fogos, estourando? Foi como uma sonoplastia contratada: “olha, quando eu cantar que a moça chegou, solta uns fogos aí, beleza?”.

Gosto desse vídeo. Após ele, não voltei a gravar (kkkk). Mas vou voltar porque sei que o sentido é a trajetória e não o resultado. O sentido é aquilo que a gente sente enquanto faz o que se ama e como nos projetamos para superar os desafios que surgem, no caminho. Aí foi a minha história com Brigas nunca mais. Aí vai meu cover dessa música para vocês assistirem :*