Por trás de cada erro

Mexeu com teus sentimentos. Não ficaste bem. Sentiste culpa por mexer na ferida dela. Descobriste que a distância que criaste não é, apenas, um ato de defesa teu. É, também, uma dificuldade de olhar para a dor dela porque dói em ti, também. Ela não quer se ajudar. Talvez por preconceito, medo, falta de recursos. Mas tu querias poder ajudá-la de alguma forma sem te machucares. Todo esse movimento é doloroso. A maior dor da vida dela é a maior dor da tua vida. O sonho que ela, ainda, não realizou é te ver em felicidades e realizações. Tu, sempre, soubeste que, por trás de cada erro dela, existia a vontade e a intenção de acertar. O modus operandi é que é errado. Não é fácil, para ti, vê-la sofrendo e adoecendo, por tantos anos, sem poder ajudar. Um dos teus objetivos é oferecer conforto para a saúde dela. Por muito tempo, atribuíste, aos traumas que sofreste com ela, as tuas dificuldades. Mas, pode ser que, a partir de agora, isso mude. Talvez, a partir de agora, enxergues teus medos de forma diferente.

É assim que eu me saboto

Eu estava bem e, sem querer, arrumei um motivo para concentrar toda a minha energia. Um motivo de sofrimento. É injusta a facilidade com que a angústia me pega e me leva e me faz alimentar pensamentos destrutivos. Diferente é a alegria que, quando vem, me pega de uma maneira doce mas, em poucos instantes, me percebo ali e penso como isso é raro. Eu estranho. Diferente da conquista que, quando vem, vem sofrida, vem entre lágrimas que quando não são de alívio com dor misturados, é de surpresa: “mas nossa, isso está acontecendo, mesmo? Porque nunca pensei que pudesse chegar, porque não achava, de verdade, que eu merecia”. Ao resolver o foco do sofrimento, logo o substituo por outro. E é assim que eu me saboto.

Essa nem é a única forma. Existe uma tendência a contaminar as outras áreas da vida com a tristeza de, apenas, uma área. Isso gera uma paralisação do corpo e do movimento da vida. Um dia, eu Te pedi ajuda. Disse que não conseguia perceber as ondas do sofrimento me arrastando como quando percebo as da felicidade (e saio correndo, em querer). Então, perguntei: “o que fazer na hora em que o sofrimento me venda? O que fazer quando eu não consigo enxergar?”. Aí Você me disse que eu sou inteligente, que eu posso utilizar o recurso de observar. Bastava escrever, desenhar, expressar aquilo de alguma forma, colocar pra fora e dar um nome ao sentimento. Ao dar nome ao monstro, eu iria descobrir como lidar com ele. “Mas, e se eu não tiver forças para escrever?”, perguntei, em resposta. “Me chame que eu lhe ajudo a pegar a caneta”, Você respondeu.

Foi assim que eu entendi que tudo partia da forma como eu olhava as dificuldades e da proporção que eu estava dando a elas, em minha vida. Usei ângulos distorcidos e os deixei se apossarem de mim. Tudo bem ter medo desde que não se deixe imobilizar por ele. Fiquei me perguntando se eu conseguiria olhar diferente para a próxima dificuldade até entender que minha mente já a esperava, antes de ela chegar, sem saber se ela iria chegar. Há uns dias, me dei conta do alimento que tenho fornecido à minha saúde mental e espiritual. Olhei para os tipos de elementos que tenho derramado em meu cotidiano através dos pensamentos. Eles não são bons, Jesus…

Não me autorizo a aceitar que está tudo bem, não me entrego ao bem-estar porque, quando menos espero, trago lembranças à tona que me fazem sentir dor, mágoa, ressentimento, sentimento de vitimização, sentimento de vingança. Não limpei, completamente, esses lixos emocionais e eles não me deixaram abrir espaço para o que é bom. Tudo passou, mas os sentimentos permanecem vivos e me fazem reviver tudo o que passei. Entendi que não se trata, apenas, de perdoar as pessoas. Trata-se de me perdoar, todos os dias, e quantas vezes forem necessárias até o perdão brotar seguro do coração. Eu preciso me perdoar por ter permitido que me machucassem, preciso me perdoar pela ingenuidade de outrora, preciso me perdoar pela culpa que joguei nas minhas costas, pela forma que olhei pra mim após ter sido, impiedosamente, vítima pois, ter sido escolhida pelos outros para a prática de ações tão maldosas só me dá informações de quem eles são. A mim, entendo que me acomodei no lugar do sofrimento ao ponto de enxergá-lo como natural, a ponto de não saber como reagir, pois ele é tudo o que conheci, por toda a vida. Mas isso precisa mudar.

Quando eu conseguir me perdoar completamente, sei que a venda cairá de meus olhos me permitindo enxergar uma outra realidade dentro da mesma que vivo. Por vezes, não sei como tentar alcançar este perdão, novamente, como aprender a relaxar e me autorizar ao sentimento de libertação e felicidade. Em outras, não sinto forças de continuar tentando. É aí que eu conto com Você pra isso. Não foi por acaso que descobri tudo isso. Por perto, Você há de me guiar.

Ser feliz é a arte de deixar coexistir

Olá, meninos! Olá, meninas! Olá, menines! Vamos finalizar essa trilogia com uma frase maravilhosa que eu mesma inventei (mas cujo conceito você já deve ter visto em muitos lugares): ser feliz é a arte de deixar coexistir. Eu comecei a refletir sobre isso há um tempo, assistindo a um vídeo da Cecilia Dassi (conhece o canal dela? Recomendo!). No vídeo, a Cecilia comenta o livro A Parte que Falta, do Shel Silverstein (lembra daquele livro infantil que bombou nas redes sociais e esgotou nas livrarias depois que a Jout Jout o leu, em seu canal? Então: é esse).

Esse vídeo clareou boa parte da minha escuridão a partir de uma informação valiosa que a Cecilia me deu: o lugar da falta e o lugar do preenchimento podem coexistir. Essa situação pode ser permanente e, ainda assim, tudo bem. Do contrário, corremos o risco de estar, sempre, correndo atrás do que falta e isso pode nos roubar as condições e os momentos de sermos felizes, hoje. Ao mesmo tempo que falta alguma coisa (e precisamos ser fortes para lidar com isso) outras partes estão sendo preenchidas.

Há beleza nisso: a falta é necessária. Ela nos faz aprender. Ela nos faz evoluir. Ela nos faz sensíveis o suficiente para estarmos prontos para ouvir. Ouvir Deus. Ouvir o universo. Ouvir a nós. Ela nos prepara para as descobertas das quais necessitamos. Por isso, ela precisa existir. Essa informação me deu uma certa paz mas, ao pensar sobre isso, eu relacionava com coisas ou com pessoas. Lindo mesmo, foi quando comecei a pensar nisso como um estado de ser.

Você pode ficar triste. Você tem esse direito. Mas você não é essa tristeza. Você, também, é a alegria de poder fazer o que gosta. Você pode ficar frustrado. Mas você não é frustração. Você, também, é todas as conquistas que já teve, na vida. Você pode ficar com raiva. Mas você não é essa raiva. Você, também, é a paz de chegar no seu lugar favorito e poder descansar. Consegue perceber a grandeza disso? Não precisamos correr como desvairados atrás de resolver o que é dor. A dor pode ter o seu lugar. Ela pode conviver com o que é alegria, paz, felicidade, satisfação. Está tudo bem. Ela existe por alguma razão. Ela tem um tempo certo para sair, para se resolver. Você não é dor. Você é (e deve ser) o seu próprio suporte, o seu próprio amor (ou amor próprio), o seu próprio cuidado, a sua própria satisfação, admiração. Você pode dar conta de si.

Ao ter plena consciência disso, ao viver isso, nada que venha de fora de você vai poder te derrubar. Você pode, até, envergar, mas não vai quebrar, como escreveu Lenine. Porque você terá o máximo de conhecimento possível a seu próprio respeito e isso vai te facilitar a cuidar e a proteger a si. Você poderá sentir a energia de quem está olhando troncho ou, até mesmo, de quem não gostaria de te ver nessa sintonia. Mas como você estará focado em si, nada que não se encontre dentro de si terá força para te atingir (mentalizar uma luz branca protetora ao seu redor, também, é bom e não custa nada. Funciona, viu?).

É isso amados. Que os vossos corações sejam seus guias.

Tempo de construção

Pela primeira vez
Em anos e anos virados
O ano virou e eu não senti
No meio do peito, um buraco

Nada de dor, nada de falta tua
Nada de horror, só minha alma nua

Ao lembrar do ano velho
Onde tanto me despedi
Penso que ser adulto
É, também, aprender a deixar ir

A dor ensina, isso é certo
Ensina quem queremos ter por perto

E o meu sentir sairá
Em lugar seguro de se deixar
Eu escrevo e canto o que vivo
Me traduzo porque preciso

Deixo ser quem sou eu
Deixo ver quem o tempo de construção escolheu

Eu voltei pra casa

Eu voltei pra casa e eles estavam lá. Antes de entrar, agradeci, perdoei, enviei amor. Ao agradecer, me senti plena, farta, completa, abundante. Eles estavam lá e eu me sentei no topo de uma montanha pra ver, ouvir e sentir.

O sol continuava brilhante e calmo em seu eterno “se pôr”. No sol, coloquei várias pessoas, aquelas que me causaram dor. Ao vê-las envoltas em luz, gerei amor em meu corpo inteiro e o enviei. Eu pedi a força do perdão e a força do amor, em minha vida, a fim de me libertar e, livre, ver o que vem.

E me veio uma emoção muito grande, uma vontade de chorar. Eles seguravam as minhas mãos e diziam: “como é bom ter você de volta”. Então, Ele chegou sorrindo. Sentou-se próximo a mim na terra seca e me abraçou. Falei de minhas dificuldades, anseios, sonhos. E tudo Ele entendia. Disse que ia ficar tudo bem após me ouvir, atentamente, enquanto minhas lágrimas corriam pelo rosto e alcançavam a manga direita de sua roupa. Disse que iríamos trabalhar juntos.

Muitos outros vieram e cantavam em línguas desconhecidas. Também eu cantei e o som era, curiosamente, perfeito. Melodias e letras diferentes, dezenas deles a reverenciarem o sol, cantando. E tudo se encaixava. Eu me senti em casa. Eu estava em casa. Eu voltei pra casa depois que agradeci, perdoei e amei.

Querido, pode ir, apesar de tudo

Quanto tempo faz que você terminou comigo sem dizer uma palavra? Quanto tempo faz que eu fiquei, ali, como se estivesse a espera de uma resposta, uma explicação, uma confirmação que fosse, sem entender? Quanto tempo faz que eu fiquei me culpando, procurando o erro em mim, forçando a minha barra para não ficar com raiva de você? Quanto tempo faz isso? Não vou contar nos dedos. Para mim, foi tempo suficiente pra eu me reestruturar no meio do caos.

Nós fomos uma repetição desnecessária para minha coleção de traumas e necessária para a minha evolução de alma. Em você, encontrei, gratuitamente, o que eu precisava modificar em mim. Por isso, para quê vou te responsabilizar por não aguentar ouvir um “não” ou sair correndo, sem dar explicações diante de uma situação contrária ao que você quer se eu era, exatamente, assim? Quando é o outro cometendo os nossos erros é mais fácil apontar e julgar. Difícil mesmo é tomar a responsabilidade, engolir seco e dizer: eu estou olhando para mim quando olho para ele, eu estou recebendo, exatamente, o que emanei.

A culpa não é sua… Não te faz, suficientemente, inocente para me ter de volta, mas isso não é sobre você. Sou eu. Eu sei o que é estar no corpo de alguém que se defende fugindo. Eu sei o que é não saber lidar com aquilo que não planejei. Eu sei o que é ir embora sem dizer uma palavra. Você não foi homem pra mim: não me disse adeus, não me disse porque acabou, simplesmente seguiu sem mim depois de tanto tempo me seguindo. Mas eu não vou perder meu tempo te responsabilizando pelo que eu atraí. Não se inicia qualquer envolvimento com sentimentos negativos no peito. Eu fiquei com você porque não tinha mais esperanças de encontrar quem me merecesse, eu fiquei com você sentindo medo de sofrer, eu fiquei com você me sentindo insegura, eu fiquei com você querendo acreditar nas minhas mentiras. Eu não vou te culpar por ter correspondido às minhas más expectativas.

Eu te deixei ir embora e me despedi com amor e carinho naquela noite, em frente à praça, depois de um dia normal, sem você saber. Eu amo você, apesar disso não mudar fato de que não servimos um para o outro (e como é ruim admitir isso). Eu quero que você seja feliz. Sempre que o ciúme e a saudade baterem, eu vou cancelá-los e tentar preencher o vazio com amor-próprio.

Que seja amor

Ontem, sonhei com o perdão que eu ia te dar
Abri a porta e te vi tão compenetrado
Esperei ver teu olhar, teu rosto
Depois, eu me perguntei o por quê
O medo é aquilo que não nos deixa mostrar

Naquela sala, senti pressão e exclusão
Lembro esperar o momento de ser ouvida
Quis despejar o erro alheio
Eu quis culpar alguém da minha dor
A mágoa é aquilo que se volta para nós

Por isso, a gente sente aquilo que emana
A gente perde o equilíbrio com a dor
A gente perde a noção de quem a gente é
Quando mergulha em emoções ruins

Por isso, devemos ser protagonistas
Devemos tomar responsabilidade
Devemos ter o poder de nos consertar

O amor é o fluxo
Ele está dentro de nós
O amor é o caminho
Procuremos até encontrar!

O amor deve ser o reflexo das nossas ações
O amor é o lugar onde não existe medo
E, onde há medo, não há amor
Um deles precisa vencer
A gente age conforme o que sente
Que seja amor nossa forma de ser

O dom de desnudar suas fragilidades pra qualquer pessoa

Olá, senhoras. Olá, senhores. Olá, LGBT’s do meu coração. Seguiremos a nossa trilogia postidiana (um neologismo pra me deixar feliz) com a situação número dois descrita no nosso título: o dom de desnudar suas fragilidades para QUALQUER pessoa. Você sofre disso? Isso te incomoda? Calma, eu estou aqui para te ajudar (pode segurar minha mão). Você já sofreu disso? Superou? Vamos combinar de trocar ideias nos comentários?

Lá vou eu com meu bocão dizer o que eu acho. Acho que o primeiro passo é perceber. Sabe quando a gente percebe que alguma coisa está errada? Quando a gente sofre. Essa informação me fez olhar a dor de uma forma diferente, me fez entender que tudo tem um propósito. Há propósitos que se cumprem, silenciosamente. A gente cresce, a gente aprende, a gente se sente melhor e pronto. Nem tudo leva confete, amor (a não ser que você se comprometa consigo a comemorar suas conquistas espirituais e emocionais. Boa ideia essa, não?).

Não fosse a dor, muitos seres humanos continuariam vagando pelo planeta Terra a repetirem os mesmos erros. Já sentiu isso? Que as situações se repetem, na sua vida, mudando, apenas, os personagens ou os lugares ou os dois? Pois, há muitas explicações para isso dependendo do caso, mas uma delas é o inconsciente. Na vida, há muitas crenças adquiridas por osmose (e eu nem tô brincando, visse?). A gente, principalmente enquanto estamos formando personalidade, apreende as crenças de tudo o que vemos, ouvimos e reagimos. Perceber que algo está errado significa sentir que a forma como a gente tem se comportado, por repetidas vezes, diante das situações, tem doído. É quando a gente percebe que, por mais louco que isso seja, somos nosso maior perigo, nosso maior inimigo, a pessoa que mais nos faz mal. Fez sentido? Fez não, né? Calma que eu vou explicar.

Digamos que você não tenha vida social. Digamos, também, que você não tem uma comunicação íntima e sincera com a sua família (você não se sente à vontade para falar sobre tudo com eles). Digamos, ainda, que você sente falta de conversar com alguém, sente falta de se sentir cercado de pessoas que te inspirem segurança e sente necessidade de se sentir inclusa(o). Diante deste cenário, digamos que muitas descobertas estão acontecendo com você, você tem medo de tomar decisões erradas, você não sabe, ainda, lidar com as coisas que você não entende, você se sente sufocado com as palavras que você não disse. Então, você adquire uma forma peculiar de fazer amigos: você faz confidências, você avalia o que as pessoas acham sobre as suas questões. Você conversa com muita gente: gente do círculo dos estudos, gente do círculo dos trabalhos. Às vezes, essa gente toda nem tem amizade mas chega um ponto em que eles se unem, de alguma maneira, porque todos sabem dos seus problemas e da sua vida. Muita gente sabe da sua vida. Você nunca conseguiu filtrar as palavras (nem as pessoas) e acaba confidenciando muitas coisas da sua vida. Qualquer passo que você der será observado por alguém que sabe muito mais do que deveria saber a seu respeito.

Entender, em primeiro lugar, é NÃO se chicotear. Punição não combina com amadurecimento (guarde isso no seu coração, ok?). Entender (que vem depois de perceber) começa com uma compreensão profunda em torno de toda essa carência afetiva, de toda essa insegurança, de toda essa baixa autoestima. Começa com uma análise carinhosa sobre toda a sua história, todas as situações pelas quais você já passou, tudo o que você aprendeu a acreditar, sem pedir ou sem querer, tudo o que contribuiu para que você seja a(o) responsável por essa grande exposição de sua vida, aberta ao falatório de um monte de gente que se sente nesse direito (e em outros mais). Uma parte é você entendendo tudo o que te fez adquirir este padrão de comportamento, outra parte é você decidindo o que vai fazer com isso. Somos feitos de escolhas, já ouviu essa frase de efeito?

Pois, o terceiro passo é esse: escolher. Você se pergunta: que tipo de pessoa eu quero ser? O que é melhor pra mim? Vai se aprofundando nessas respostas e vai fazendo o que pode para chegar perto do que respondeu. Sacou? É importante que, dentro desse processo, esteja uma limpeza de todos os pensamentos e sentimentos que não acrescentam e, ainda, trazem dor. Importante, também, descobrir a sintonia que vai te fazer vibrar junto com aquilo que você quer conquistar. Não vou mentir, o caminho é difícil mas se você quiser saber um pouco mais sobre como trilhá-lo, eu posso te dar uma ajuda (o campo de comentários é todo seu!).

Não se abandone

Clara, eu vi você decidindo ser uma pessoa nova. Vi você, às custas de muita dor, abandonar um amor que te fazia morrer, aos poucos, por dentro. Vejo você percebendo, observando, conhecendo, lidando com o seu movimento de ansiedade. Eu vejo a sua luta para alcançar o silêncio. Eu vejo a sua luta para alcançar o movimento, sem perder o silêncio. Isso é coisa para os fortes. Percebo que você cai e é natural cair diante das dificuldades. Você conhece a importância de chorar, de desabafar, de jogar fora o que sufoca por dentro. Eu já te vi debilitada, emocionalmente, mas tenho orgulho de lembrar de todas as vezes que você decidiu levantar. Todas as vezes que você não desistiu de si.

Eu vejo você matutando, refletindo, ressignificando as relações complicadas, procurando o que pode ser modificado, em si, para ter paz. Acho justo e assertivo que teu maior objetivo, na vida, seja ter paz de espírito. Vejo você lutando, arduamente, para ser livre. Não importa se obteve ou não sucesso, até aqui. Permita-me dizer o quanto é lindo uma pessoa se esforçar e querer, com todas as forças, a liberdade.

Reconheço o longo caminho, reconheço o sentido que, muitas vezes, não se vê. Reconheço os passos duvidosos que não são dados. Essa coisa de se conhecer, de se tornar dono de si depois de tanto tempo sendo vulnerável à vontade de segundos ou terceiros é uma aventura assustadora. Eu estou contigo em cada imprevisto, em cada topada, em cada choro.

Estamos, juntas, lutando para viver, contemplar, ser feliz no hoje, no agora. Estamos enfrentando, por uma primeira vez, o desafio de descobrir cada mínimo sinal da ansiedade que prejudica, que rouba nosso tempo, no dia a dia. Queremos acolhê-la, entendê-la, entregá-la para o poder maior. Queremos dar conta do que a nós compete. Queremos confiar o que não entendemos ao poder universal que, sempre, sabe o que fazer. Queremos construir um relacionamento de confiança, de consistência, de beleza. Oramos por paciência, resiliência, força, sabedoria, coragem e serenidade.

Eu vi você frágil diante de um problema difícil. Mas vi você forte no momento crucial de entrega. Eu não vou te abandonar, Clara.

Do eu para o ego.

Volta livre escrita minha

Volta, livre, escrita minha
Venha do fundo das emoções
Venha das correntes quebradas
Das palavras sufocadas
E da dor daquelas prisões

Volta, livre, escrita minha
Vem, traduz a minha dor
Toca o âmago do meu pranto
E liberta com acalanto
Essa falta de dizer o que for

Volta, livre, escrita minha
E me ajuda a pôr pra fora
Cada gota dessas lágrimas
Guardadas com tanta demora

Volta, livre, minha escrita
Pode usar o que quiser
Todo ai, tu, reticências
Gerúndio, oblíquo, sentença
A moda da vez com boné

Venha, livre, escrita minha
Teu grito, tua voz posso ouvir
Reencontre as mãos arrependidas
Da poetisa contida
Que não deixou de sentir

Vem cá, poesia minha
Me cura, sacode, levanta
Me ensine a não ser mais covarde
A tentar transformar em arte
A dor de qualquer lembrança