Tempo de construção

Pela primeira vez
Em anos e anos virados
O ano virou e eu não senti
No meio do peito, um buraco

Nada de dor, nada de falta tua
Nada de horror, só minha alma nua

Ao lembrar do ano velho
Onde tanto me despedi
Penso que ser adulto
É, também, aprender a deixar ir

A dor ensina, isso é certo
Ensina quem queremos ter por perto

E o meu sentir sairá
Em lugar seguro de se deixar
Eu escrevo e canto o que vivo
Me traduzo porque preciso

Deixo ser quem sou eu
Deixo ver quem o tempo de construção escolheu