Memórias de verões em Itamaracá

Era dezembro de 2017 quando a professora Betânia Apolônio viajava de carro, com colegas de trabalho, para uma confraternização de final de ano que aconteceria na Ilha de Itamaracá, cidade pernambucana situada na Região Metropolitana de Recife. Ao chegar na divisa entre a Ilha e o município de Itapissuma, ela pede, de maneira veemente, ao motorista, que diminua a velocidade do veículo ou mesmo pare para que ela pudesse fazer uma foto da câmera do celular. Foi assim que nasceu esta linda imagem localizada na capa de destaque deste post e mais outra, inserida no decorrer deste texto. Sem filtro, sem edição, Beth, como todos a chamam, captou as cores da natureza num pôr do sol de dezembro.

“Em outros momentos da vida, eu percorri, por diversas vezes, aquele mesmo trajeto e, sempre que eu passo por lá, eu recordo quando eu ia passar as minhas férias em Itamaracá, na casa de praia da família. Eu era uma adolescente, tinha doze anos de idade, aproximadamente, e era bastante divertido”, conta ela. Beth, que, na época, morava no município de Paulista, também situado na Região Metropolitana de Recife, costumava viajar à Ilha junto com seus tios e primos que possuem a mesma faixa etária que ela. “Minha família de casa não ia. Eu saía de casa e ia para as férias. Era um momento libertação”, afirma sorrindo, Beth que, geralmente, passava metade das férias de verão em Itamaracá.

Na casa, que pertence até hoje à sua tia paterna, a Beth de doze anos de idade gostava de balançar na rede cantando junto com uma de suas primas, com quem brincava bastante. “A gente ficava torcendo quando meu irmão ia no final de semana, quando ele não estava trabalhando. A gente ia pro Pilar, a gente ia pro Forte, que fica nas imediações da casa”, conta. Segundo Beth, a casa, ainda, existe mas, atualmente, ela a visita com bem menos frequência. “Quem vai é minha sobrinha, ela que vivencia isso que eu passei”, diz ela.

Foto: Betânia Apolônio

Beth explica que eram duas casas próximas de propriedade da família. Posteriormente, mediante reformas, elas passaram a fazer parte de um mesmo território. “Eles fizeram o Condomínio Apolônio, uma brincadeira de família. Entre uma casa e outra, a gente chama de avenida, e entre o quintal e a casa a gente chama de rua. Hoje, tem uma piscina maior e a gente chama de parque aquático e assim vai. Cada pessoa da família é homenageada, nessas ruas, avenidas e parque aquático. Alguns, ainda, vivos, outros, infelizmente, já repousam em paz”, relata.

Animada, Beth relembra como eram os momentos em que seu tio telefonava para sua casa pedindo para que arrumasse as malas para viajar, avisando que iria buscá-la. “A ansiedade já vinha e quando eu passava por essa divisa e chegava, realmente, na Ilha de Itamaracá, era muito emocionante. Eu não vou até o Forte, onde fica a localidade da casa, atualmente. Às vezes, eu vou mais próximo mas, obrigatoriamente, é esse o sentido e eu sempre recordo quando eu passava e ia com minhas primas e íamos todos juntos pra curtir”, conta.

Quando questionada sobre o sentimento que essas fotos despertam, Beth afirma não sentir saudade pois, ainda, tem a oportunidade de vivenciar a casa, mas uma certa nostalgia. Ela diz que, no momento em que passa por aquele trecho, sente-se como a mesma menina de doze anos de idade que viajava à Ilha para tirar as férias escolares. “Eu acho que é a mesma coisa. A diferença é o motorista (risos). Não é mais o meu tio levando meus colegas de trabalho para curtir em Itamaracá mas o discurso é o mesmo: mais devagar, só pra registrar! Não dá pra parar, né? Não tem acostamento. É até multa se acontecer isso, mas é essa recordação e essa necessidade de registrar por ser bonito, seja qual for o horário. Eu revivo um momento que foi meu e que continua sendo. Eu sou a mesma. Claro que as condições e as circunstâncias são outras mas é muito bom passar por esse caminho e lembrar. É perfeito”, diz ela.

Para que uma foto seja considerada especial, segundo Beth, ela precisa ter história. “Uma bom registro de imagem é o que lhe marca. Hoje em dia, as pessoas publicam muito TBT. Por que vale a pena lembrar? Porque teve história, porque foi bom, porque foi interessante. Eu acho que boa imagem é aquela que você olha e diz: pow, massa! Eu tenho muitas imagens. Me apresentei como professora mas também sou cervejeira (risos). Eu tenho muitos momentos, eu tenho sorrisos que só depois de um teor alcoólico determinado eu consegui aquele registro de imagem, aquele sorriso (risos). Mas esse registro da paisagem, do natural é de um lugar que tem muita coisa por trás. O registro, talvez, da minha imagem é o registro de mim, do que eu sou, do que sempre fui, é a melhor pose, é a melhor forma, é a melhor imagem que eu poderia estar procurando pra representar ali. Mas o natural é lindo, o sem efeito. Quero agradecer a oportunidade de vivenciar isso. Eu não estou passando por aquela ponte mas eu estou sentindo quase a mesma coisa em recordar. Ai, como é bom recordar!”, diz Betânia.

Se eu decidir acreditar #1 – Apresentação

“Luna Gabriele Ferreira Lima: este é o meu nome. Tenho vinte e… ah, esquece a minha idade! Estou tentando escrever um diário, me disseram que ia me fazer bem colocar os pensamentos para o papel. Poderia me ajudar na organização das ideias. Papo de psicólogo. Tenho um, se quiser indico (não posso indicar nada para um caderno que, nunca, será lido. Aff…). Enfim, hum… não sei o que escrever nesta primeira folha.

Sou economista. Estudante. Trabalho e estudo. Sou atendente de uma escola técnica. Aí é isso. Eu queria, na verdade, ser artista, musicista para ser mais precisa. Eu estudo escondido no conservatório, aqui, do estado. Meu pai nem sonha que eu estou lutando pelo meu sonho (lutando entre aspas, todos os dias me pergunto se não seria melhor desistir). A rotina é puxada: manhã e tarde no trabalho, três noites da semana nas aulas (inventando desculpa pra não dizer que estou estudando Música), mais uma noite da semana eu ocupo com a terapia.

Pra estudar em casa, é um rebuliço. Não dá pra cantar nem tocar muito alto pra ninguém ouvir. Nem quero que ouçam. Não quero envolver minha família nessas minhas coisas de música. Eles não me apoiam. Eles me dão força pra desistir. Viver da minha arte é o meu sonho, mas como é que se faz isso, no Brasil, me explica? Eu gosto dos números, do pensamento lógico, de organizar planilhas etc, mas não tem sentido a vida quando não tem eu fazendo música, entende? (Quem entende?…). O que eu quero dizer é que não sou infeliz no meu curso mas ele não é a primeira opção da minha felicidade e eu não quero ser um ser frustrado”.

Luna não sabe se continua atendendo às expectativas da família quanto ao seu futuro profissional ou se segue o coração. Ao atender as expectativas dos outros ela deixa de ser julgada pelas pessoas com quem convive, mas também fica triste ao desistir do que, realmente, quer. Ao seguir o coração, ela se enche de felicidade, mas também trava uma guerra com a família, sem contar na bagunça que vão ficar as coisas dentro dela. Estudar e trabalhar não é coisa fácil. A Música exige dedicação mas Luna não tem tanto tempo disponível para isso e esmorece a cada vez que tenta se aproximar do sonho sendo impedida por essas e outras dificuldades. O que Luna pode fazer?

Você pode continuar esta história, aqui, nos comentários e acompanhar o desenrolar dos fatos na categoria Pitaque, se quiser. Já pensou se a sua sugestão for aprovada? Você vai ver seu nome e seus pitacos na história. Quem nunca quis criar o rumo de uma novela? Comenta aí!