Eu voltei pra casa

Eu voltei pra casa e eles estavam lá. Antes de entrar, agradeci, perdoei, enviei amor. Ao agradecer, me senti plena, farta, completa, abundante. Eles estavam lá e eu me sentei no topo de uma montanha pra ver, ouvir e sentir.

O sol continuava brilhante e calmo em seu eterno “se pôr”. No sol, coloquei várias pessoas, aquelas que me causaram dor. Ao vê-las envoltas em luz, gerei amor em meu corpo inteiro e o enviei. Eu pedi a força do perdão e a força do amor, em minha vida, a fim de me libertar e, livre, ver o que vem.

E me veio uma emoção muito grande, uma vontade de chorar. Eles seguravam as minhas mãos e diziam: “como é bom ter você de volta”. Então, Ele chegou sorrindo. Sentou-se próximo a mim na terra seca e me abraçou. Falei de minhas dificuldades, anseios, sonhos. E tudo Ele entendia. Disse que ia ficar tudo bem após me ouvir, atentamente, enquanto minhas lágrimas corriam pelo rosto e alcançavam a manga direita de sua roupa. Disse que iríamos trabalhar juntos.

Muitos outros vieram e cantavam em línguas desconhecidas. Também eu cantei e o som era, curiosamente, perfeito. Melodias e letras diferentes, dezenas deles a reverenciarem o sol, cantando. E tudo se encaixava. Eu me senti em casa. Eu estava em casa. Eu voltei pra casa depois que agradeci, perdoei e amei.

Volta livre escrita minha

Volta, livre, escrita minha
Venha do fundo das emoções
Venha das correntes quebradas
Das palavras sufocadas
E da dor daquelas prisões

Volta, livre, escrita minha
Vem, traduz a minha dor
Toca o âmago do meu pranto
E liberta com acalanto
Essa falta de dizer o que for

Volta, livre, escrita minha
E me ajuda a pôr pra fora
Cada gota dessas lágrimas
Guardadas com tanta demora

Volta, livre, minha escrita
Pode usar o que quiser
Todo ai, tu, reticências
Gerúndio, oblíquo, sentença
A moda da vez com boné

Venha, livre, escrita minha
Teu grito, tua voz posso ouvir
Reencontre as mãos arrependidas
Da poetisa contida
Que não deixou de sentir

Vem cá, poesia minha
Me cura, sacode, levanta
Me ensine a não ser mais covarde
A tentar transformar em arte
A dor de qualquer lembrança