É assim que eu me saboto

Eu estava bem e, sem querer, arrumei um motivo para concentrar toda a minha energia. Um motivo de sofrimento. É injusta a facilidade com que a angústia me pega e me leva e me faz alimentar pensamentos destrutivos. Diferente é a alegria que, quando vem, me pega de uma maneira doce mas, em poucos instantes, me percebo ali e penso como isso é raro. Eu estranho. Diferente da conquista que, quando vem, vem sofrida, vem entre lágrimas que quando não são de alívio com dor misturados, é de surpresa: “mas nossa, isso está acontecendo, mesmo? Porque nunca pensei que pudesse chegar, porque não achava, de verdade, que eu merecia”. Ao resolver o foco do sofrimento, logo o substituo por outro. E é assim que eu me saboto.

Essa nem é a única forma. Existe uma tendência a contaminar as outras áreas da vida com a tristeza de, apenas, uma área. Isso gera uma paralisação do corpo e do movimento da vida. Um dia, eu Te pedi ajuda. Disse que não conseguia perceber as ondas do sofrimento me arrastando como quando percebo as da felicidade (e saio correndo, em querer). Então, perguntei: “o que fazer na hora em que o sofrimento me venda? O que fazer quando eu não consigo enxergar?”. Aí Você me disse que eu sou inteligente, que eu posso utilizar o recurso de observar. Bastava escrever, desenhar, expressar aquilo de alguma forma, colocar pra fora e dar um nome ao sentimento. Ao dar nome ao monstro, eu iria descobrir como lidar com ele. “Mas, e se eu não tiver forças para escrever?”, perguntei, em resposta. “Me chame que eu lhe ajudo a pegar a caneta”, Você respondeu.

Foi assim que eu entendi que tudo partia da forma como eu olhava as dificuldades e da proporção que eu estava dando a elas, em minha vida. Usei ângulos distorcidos e os deixei se apossarem de mim. Tudo bem ter medo desde que não se deixe imobilizar por ele. Fiquei me perguntando se eu conseguiria olhar diferente para a próxima dificuldade até entender que minha mente já a esperava, antes de ela chegar, sem saber se ela iria chegar. Há uns dias, me dei conta do alimento que tenho fornecido à minha saúde mental e espiritual. Olhei para os tipos de elementos que tenho derramado em meu cotidiano através dos pensamentos. Eles não são bons, Jesus…

Não me autorizo a aceitar que está tudo bem, não me entrego ao bem-estar porque, quando menos espero, trago lembranças à tona que me fazem sentir dor, mágoa, ressentimento, sentimento de vitimização, sentimento de vingança. Não limpei, completamente, esses lixos emocionais e eles não me deixaram abrir espaço para o que é bom. Tudo passou, mas os sentimentos permanecem vivos e me fazem reviver tudo o que passei. Entendi que não se trata, apenas, de perdoar as pessoas. Trata-se de me perdoar, todos os dias, e quantas vezes forem necessárias até o perdão brotar seguro do coração. Eu preciso me perdoar por ter permitido que me machucassem, preciso me perdoar pela ingenuidade de outrora, preciso me perdoar pela culpa que joguei nas minhas costas, pela forma que olhei pra mim após ter sido, impiedosamente, vítima pois, ter sido escolhida pelos outros para a prática de ações tão maldosas só me dá informações de quem eles são. A mim, entendo que me acomodei no lugar do sofrimento ao ponto de enxergá-lo como natural, a ponto de não saber como reagir, pois ele é tudo o que conheci, por toda a vida. Mas isso precisa mudar.

Quando eu conseguir me perdoar completamente, sei que a venda cairá de meus olhos me permitindo enxergar uma outra realidade dentro da mesma que vivo. Por vezes, não sei como tentar alcançar este perdão, novamente, como aprender a relaxar e me autorizar ao sentimento de libertação e felicidade. Em outras, não sinto forças de continuar tentando. É aí que eu conto com Você pra isso. Não foi por acaso que descobri tudo isso. Por perto, Você há de me guiar.

Início do fim

Oi. Tudo bem? Desculpa mandar mensagem essa hora, mas precisava falar. Eu só queria avisar que você deixou de ser conversa fixada no meu Whatsapp, que todas as nossas fotos juntos foram apagadas e que as nossas playlists do Spotify, também. Sobre a senha da Netflix, pode ficar. Não quero nada que possa me fazer lembrar de você. Você não foi o meu pior erro, mas também não foi um acerto. Vista sua melhor roupa, pois hoje você está saindo da minha vida. E vai, logo! Nem olhe pra trás. Você que causou tudo isso, então nem tente questionar minha decisão. Esse não é o final que sonhei, porém é o que temos pra hoje. Depois dessa mensagem, bloquearei você de tudo e não ouse usar outras contas pra se aproximar. Eu quero ser feliz todos os dias e você só em alguns momentos. Eu quero lutar contra o mundo por esse amor e você não está nem aí. Eu tentei planejar um futuro ao teu lado e você não se importa. Cansei de ser usado para inflar o teu ego, procura outro! Se quer viver de aventuras, viva bem longe de mim. Vai! Teu lugar não é mais ao meu lado.

Texto do estudante de Letras Luan Vasconcelos.

Você, também, pode sugerir o seu e compartilhar na aba Contato, aqui, do Fuá de Clara. Leremos com carinho a sua sugestão que, sendo aprovada, poderá ser publicada na categoria Trombeta, porque aqui a gente toca as trombetas pra você falar =)

Que seja amor

Ontem, sonhei com o perdão que eu ia te dar
Abri a porta e te vi tão compenetrado
Esperei ver teu olhar, teu rosto
Depois, eu me perguntei o por quê
O medo é aquilo que não nos deixa mostrar

Naquela sala, senti pressão e exclusão
Lembro esperar o momento de ser ouvida
Quis despejar o erro alheio
Eu quis culpar alguém da minha dor
A mágoa é aquilo que se volta para nós

Por isso, a gente sente aquilo que emana
A gente perde o equilíbrio com a dor
A gente perde a noção de quem a gente é
Quando mergulha em emoções ruins

Por isso, devemos ser protagonistas
Devemos tomar responsabilidade
Devemos ter o poder de nos consertar

O amor é o fluxo
Ele está dentro de nós
O amor é o caminho
Procuremos até encontrar!

O amor deve ser o reflexo das nossas ações
O amor é o lugar onde não existe medo
E, onde há medo, não há amor
Um deles precisa vencer
A gente age conforme o que sente
Que seja amor nossa forma de ser