Se preciso de alguém para me salvar, esse alguém só pode ser eu

Eu espero que você chegue. Mas, se não chegar, espero continuar bem. Espero não me importar com as fôrmas moldadas pela sociedade. Espero continuar sendo tudo o que preciso: explorando meu mundo, descobrindo e redescobrindo mais de mim nas atividades que gosto, nos projetos, nos sonhos… Espero continuar me bastando por que a verdade é que nada falta. 

Por vezes, o medo me atormentou e eu cheguei a pensar que tinha como maior sonho me unir a alguém e formar uma família. Quando isso acontecesse, tudo de ruim ficaria para trás, eu seria uma nova pessoa e poderia, então, viver. Depois, pensei: como posso sustentar um único ideal onde tudo o que posso ser dependeria de alguém que, ainda, nem conheço e nem sei se irei conhecer? Descobri que bom mesmo é ser heroína de mim, me desmembrar em mil ao invés de um único sonho, me acordar, me cuidar, me salvar. Eu acredito no amor e o vivo através do enfrentamento daquilo que dói pra poder sentir o que é superar, depois; através da contemplação de tudo que vive e pulsa dentro de mim enquanto fruto da mesma criação; através de quem conheci e me ajuda a ser melhor. Amor é muito mais do que achar que amar uma pessoa é o suficiente. Somos múltiplos.

Eu quero te encontrar porque sei que existe um amor, dentre todos os amores que em mim existem, guardado, especificamente, para você. Eu sei que você está em algum lugar e anseio te amar, assim como por ti ser amada. Mas não pretendo apoiar o meu presente nesta espera. Não quero segurar, entre meus braços, um desejo tão valioso que só poderá ser real se eu soltá-lo nas mãos de algo maior. Encontrar você, olhar pra você, sentir você seria um presente tão importante que não cabe à minha ansiedade decidir se estou preparada, se é o momento, se é a coisa certa. Eu espero estar presente no presente e reconhecer os presentes que a mim estão sendo dados, hoje. A vida é surpreendente e cheia de significados ocultos.

Eu me cuido sendo feliz e satisfeita com o que é e trabalho para me abrir e me disponibilizar para o que possa vir. Eu espero que você chegue para partilhas e caminhadas lado a lado. Porque se preciso de alguém para me salvar, esse alguém só pode ser eu.

Pensa duas vezes antes de me fazer perceber

Caso você venha de algum futuro ou já existente ambiente de trabalho, seja esperto: procure me conquistar em situações e lugares que não tenham ligação com a minha vida profissional. Caso contrário, é possível que você dance ou que eu demore muito a perceber tua existência. Na vida, pra quem busca relacionamento, penso que seja fácil se interessar por colegas de trabalho ou estudo. Quem quer um vínculo, olha pra quem convive ou quer conviver mais. São ambientes propícios, não nego, mas não deixam de ser perigosos.

Portanto, seja maduro: não sai por aí dizendo pra os teus melhores amigos do trabalho que me acha demais, não se chega nas minhas colegas de almoço pra saber o que eu faço nas horas vagas, não me olha demais como se fosse psicopata. Chega em mim, entendeu? Busque momento e lugar adequado, demonstra mesmo que tu sabes o que queres. Não seja tímido a ponto de me colocar num pedestal mas não seja explícito a ponto de me fazer pensar que é um idiota. Eu preciso de sagacidade, leveza, olhares, risadas, mas também preciso de poesia. Não estou pedindo para que me recite Vinícius de Moraes (o que não lhe cairia mal). Peço que, antes de chegar, consulte o que gostaria de viver e quem gostaria de ser. Não estou dizendo que me peça em casamento no primeiro encontro! Peço que não tenha medo de me mostrar, aos poucos, quem você é porque eu não gosto de superficialidade. 

Pensa duas vezes antes de me fazer perceber. Caso queiras, apenas, uma aventura passageira, você vai continuar me vendo. Conversa comigo pra saber o que eu quero, também.

Comunicar é missão

Comunicar, para mim, é servir. Existem projetos, artistas, trabalhos que precisam ser vistos e ouvidos. É incrível ver a porção do esforço se unindo à porção do amor e reverberando em forma de emissão e recepção, gerando mais força, mais solidez. O amor precisa ser mostrado. É com amor que tenho escolhido trabalhar e, por amor, buscado, sempre, me aprimorar. Somos humanos e falíveis, mas eu acredito que um trabalho feito com amor nunca passa despercebido. São doze anos de assessoria de imprensa, comecei estagiando, ainda, no meu primeiro período de curso. É com prazer que fico por trás dos holofotes fazendo aquilo que acredito aparecer. Muita gente me pergunta como é esse trabalho. Aí eu respondo que tem que amar. A partir disso, você desenvolve tudo o que é preciso: paciência (kkkkk), boa articulação, bons materiais de divulgação, organização, atenção aos detalhes e agendamentos, aprendizado das novidades e bons contatos, de preferência cultivados à luz da ética profissional. 

Tem que gostar muito de escrever e tem que ser muito apaixonado pelo que se quer mostrar às pessoas e criativo pra poder dizer, das mais variadas formas, o quanto vale a pena conferir aquilo. Tem que se manter informado e acompanhar, todos os dias, o crescimento da semente que você plantou no terreno da mídia. Tem que cuidar daquela página, daquela rede social, daquele periódico, daquele livro, como se fosse seu. Tem que sentir. Estar disposto a apurar a essência e o propósito das coberturas, mostrando às pessoas a importância que aquele trabalho tem. Assessorar é ter cuidado, zelo, orgulho da tua contribuição.

Comunicar é missão.

Ouça este texto:

Encare a rejeição com naturalidade

Ninguém gosta de ser rejeitado, mas qual é o problema? A rejeição deveria ser encarada como algo tão natural quanto comer arroz com feijão, na segunda, e bife acebolado, na terça. Pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, quem se conhece e se ama, quem sabe o seu valor, não pode esmorecer diante de uma rejeição, não pode deixar de acreditar no amor por causa de uma rejeição, nem pode se desvalorizar nem sofrer, infinitamente, por causa de uma rejeição.

Presta a atenção, gente: rejeição é coisa natural da vida. Neste mundo de afinidades e competências, estamos propícios a encontros e desencontros. Os desencontros NÃO SÃO o fim do mundo. São, só, desencontros. Não morram de tristeza por isso. Fiquem tristes, no máximo. Depois, de posse da sua essência e dos seus ideais, continue lutando pelo que faz sentido pra você. Pronto.

As pessoas têm o direito de serem diferentes e pensarem diferente, de terem gostos diferentes. Ninguém precisa brigar ou humilhar por causa disso. Tem gente que faz isso, mas aí a gente pede a Deus por esses seres humanos tão carentes de evolução como nós. O fato de uma ou, até, mais pessoas, em um universo de sete bilhões, não te querer quer dizer, absolutamente, nada. Não diminui o seu potencial nem faz esvair a tua essência. Você, com sua maturidade, tenha respeito por esses seres e siga em frente, sem tristeza ou raiva disso. Siga vazio ou pleno de amor por si mesmo e vá fazer o seu plantio. Isso é normal. Nem bom nem ruim. Normal. Não diminui e nem aumenta. Normal. Não vamos mudar para provar que aquela pessoa está enganada a nosso respeito se a única motivação existente para esta mudança for uma rejeição. Isso é normal. Não vamos detonar a pessoa e rotulá-la de todos os adjetivos denegridores e obscenos do mundo por causa de uma rejeição. Pelo amor de Deus, isso é normal. Ou você, também, nunca rejeitou alguém na sua vida?

Algo mais

Você chegou onde queria
Mas, ainda, há algo mais
Você está bem, como queria
Mas, sempre, há algo mais

Algo mais da vida
Algo mais da gente
Algo por desvendar
Algo que vem, de repente

Você aprendeu a lidar
Com muita coisa que se passou
Você, agora, pode ter acesso
A outros nós que não desatou

Você se fortaleceu
E pode dar conta de si
Você pode arcar com tudo
O que acontecer a partir daqui.

Siga em frente.

Por trás de cada erro

Mexeu com teus sentimentos. Não ficaste bem. Sentiste culpa por mexer na ferida dela. Descobriste que a distância que criaste não é, apenas, um ato de defesa teu. É, também, uma dificuldade de olhar para a dor dela porque dói em ti, também. Ela não quer se ajudar. Talvez por preconceito, medo, falta de recursos. Mas tu querias poder ajudá-la de alguma forma sem te machucares. Todo esse movimento é doloroso. A maior dor da vida dela é a maior dor da tua vida. O sonho que ela, ainda, não realizou é te ver em felicidades e realizações. Tu, sempre, soubeste que, por trás de cada erro dela, existia a vontade e a intenção de acertar. O modus operandi é que é errado. Não é fácil, para ti, vê-la sofrendo e adoecendo, por tantos anos, sem poder ajudar. Um dos teus objetivos é oferecer conforto para a saúde dela. Por muito tempo, atribuíste, aos traumas que sofreste com ela, as tuas dificuldades. Mas, pode ser que, a partir de agora, isso mude. Talvez, a partir de agora, enxergues teus medos de forma diferente.

Resistir e ressignificar

Clara, resistir é para os fortes. Você é forte. Eu te vi resistindo naquela madrugada de 31 de dezembro quando o resultado de um vestibular dizia que você não podia ser jornalista, enquanto o resultado de outro vestibular dizia que você podia, mas não tinha dinheiro para aquilo. Lembro, como se fosse hoje, de seu melhor amigo ligando, você chorando e ele te perguntando quais as armas que você tinha para lutar. Olhamos para a cama desarrumada, o travesseiro molhado de lágrimas, os papéis de ofício em branco e a caneta. Você queria escrever. Você ousou escrever e usou isso como a única arma que tinha para lutar pelo seu sonho. Uma menina tabacuda e franzina no auge da adolescência foi lá e pediu uma bolsa para o reitor. “Me deixa estudar”, ela disse. Pronto. Hoje, é bacharel em Comunicação, há mais de dez anos.

Eu te vi resistindo naquela outra tarde de dezembro quando sua mãe veio correndo te buscar, no trabalho e, ao te abraçar, falou: “painho se foi”. Eu te vi resistindo naquela tarde de um mês que não lembro qual, quando você deitou debaixo da cama e não conseguia comer, não conseguia levantar, não conseguia abrir os olhos porque só conseguia chorar. Ali, resistimos muito. Segurei seu braço direito e te fiz levantar, te fiz colocar pra fora, te fiz pedir, te fiz cantar. Deus ouviu. Tem ouvido desde sempre. A gente faz uma burrada atrás da outra, mas Deus não desiste. É por isso que a gente resiste. A gente vai resistir.

A gente sabe que a instabilidade anda rondando a nossa vida financeira, a nossa vida sentimental, a nossa saúde, a nossa sanidade mental, as nossas amizades e relações. Mas a gente resiste. A gente aprende a resistir com paciência, com fé. A gente aprende que resistir é confiar, é dar o que há de melhor, um dia de cada vez. A gente aprende a esperar o melhor e, de repente, o desconhecido não é mais tão temeroso. A gente sente as tripas dançarem dentro do estômago, mas a gente não joga a toalha. A gente é forte. A gente sabe que os nossos sonhos são maiores que a gente. Por isso, eles merecem viver. A gente merece viver. Foi por isso que você teve vontade de bater a cabeça no chão quando soube que seu pai partiu, mas não bateu. Foi por isso que você quis desistir do Jornalismo quando o diploma caiu, mas não desistiu. Foi por isso que você quis parar, por várias vezes, e se esconder debaixo da cama. Mas não parou. Você ressignifica. Você escreve. Você canta. Você resiste.

É resistindo que você diz para a vida que ela é difícil mas a sua escolha é o bem. É resistindo que você espera o melhor enquanto cuida que a cabeça e o coração esvaziem-se e preencham-se do que vale a pena. É resistindo que a gente sente que não está sozinho e que algo maior está por vir. É resistindo que a gente se mantém de pé para tentar mais uma vez.

É de um instante pra outro que a vida muda

Era dezembro. Ela caminhava pela Rua da Aurora meio que sem rumo. Tanto havia acreditado que já não acreditava mais. Tanto havia feito que nada funcionou. Tanto, tanto, tanto e tanto… Agora, chega. Mas chega pra onde? Pra onde o chega a levaria? Não sabia. Apenas caminhava pela rua quase que deserta, naquela tarde de domingo.

Ponte vai, ponte vem, Recife Antigo. Os bares estavam animados com gente bacana conversando e música ao vivo. Não queria saber. “É melhor eu ir pra o ponto de ônibus”, pensou. Como que num rompante, sente um movimento brusco a puxar seu braço.

– Ô, peste, onde é que tu tava, hein? Queres me matar de susto, amiga?

Era a companhia que  ela havia esquecido no caminho de ida. Enquanto ela falava, um embaçado invadiu sua visão. Só via os próprios pensamentos que a assombravam em forma de medo. É, já não acreditava mais.

– Eu liguei que só a murrinha, carregasse o celular, não foi? Tu tá me ouvindo? Vem, senta aqui com a gente que depois a gente vai pra casa.

Foi como quem não sabia o que queria. Não conseguia ver ninguém nem evitava parar de lembrar de tudo o que havia lhe ocorrido. Como a vida muda de um instante pra outro… Era o tempo de erguer os cabelos no alto pra fazer um coque por causa do calor e pronto: a vida lhe ocorreu em frente aos olhos. Roupa pra pôr na máquina, casa pra lavar, comida pra cozinha, desânimo pra lidar, trabalho que procurar, meio pra se sustentar, solidão pra acompanhar. “Foi boa ideia sair, não”, pensou. Precisava dar um jeito na vida. Era estranho se acostumar com a desesperança, era estranho não acreditar. Sentiu um gelado na mão esquerda.

– Toma, peguei pra tu.

Era… era quem, mesmo? Aquela face era novata na roda. Ficou olhando com cara de espanto.

– Relaxa, eu não sou nenhum bandido. Trabalhei aqui na Cultura durante anos até a bichinha fechar. E tu era freguesa nossa. Lembra de mim?

Eita, a Cultura, véi… O mundo tava tão de cabeça pra baixo que até a Cultura acabou.

– Lembro. Obrigada.

Ele continuou.

– Eu conheço uma parte dessa galera com quem tu tá andando. Te vi aí tão jururu que pensei: vou ali comprar um suco pra alegrar aquela menina.

Ela riu. Assim, espontaneamente. Tava nem querendo rir, mas riu e desatou a conversar com ele. Conversaram sobre Meredith e De Luca, mas não haviam assistido à 15ª temporada para opinar profundamente. Conversaram sobre os casarões antigos e abandonados e em como sofreriam as pessoas que, um dia, precisassem fazer uma faxina neles. Conversaram sobre o nada e sobre o tempo que ora passa depressa, ora passa devagar. Qualquer assunto era assunto e era bom conversar.

“Gente, que estranho”, pensou. Após uma volta inteira no mundo dos assuntos mais frívolos, uma troca de números.

– Tu tem whatsapp?
– Uhum
– E eu posso te chamar pra conversar lá, mais tarde?
– Pode.

Foi pra a parada de ônibus com as amigas, logo depois. Não lembrava como se paquera e nem sabia da continuação. Só sabia que havia algo a mais que roupa suja para se pensar. Havia possibilidades. Foi o tempo de erguer os cabelos no alto para refazer o coque, e a vida já tinha mudado. Mas rapaz, que coisa, não?



Em nome das grandes mulheres

Um apelo especial em nome de todas as mulheres de baixa estatura e voz suave: não somos frágeis. Não é agradável falar das recorrentes primeiras impressões dos outros, com suas expressões de dúvida, a respeito de a nós ser concedida determinada (ou qualquer) tarefa. Somos capazes. Aos motoristas de coletivos, por favor: temos vozes. Um botão (que funcione) uma vez apertado, aciona uma luz, diante dos senhores, acompanhado de uma sirene que significa: desembarque no próximo ponto de ônibus. Alguma dificuldade com interpretação de sinais ou seguimento de regras? Então, explique: por que “queima” os desembarques quando estamos sozinhas? E por que ouve as reivindicações de uma voz masculina e negligencia uma voz feminina?

Aos queridos desconhecidos aos quais seremos apresentadas: não somos crianças. É incrível (do verbo não se pode crer) que uma mulher se aprisione à ditadura do salto alto para ser ouvida. Gente, tamanho não é documento, já dizia minha avó. Nem atestado de ignorância, nem passe livre para o desrespeito, nem autorização para tratamento no diminutivo, nem prova de doçura excessiva. Já viu uma mulher com M maiúsculo de um metro e cinquenta de altura, inteligente e de personalidade forte? Creia: elas existem. Aos queridos e inseguros colegas de trabalho: não somos bestas. Você pode ter um pênis e achar que isso é motivo suficiente para que seu contracheque venha mais alto. Você pode ter mais testosterona e achar que isso é motivo suficiente para julgamentos infundados. Você pode ter pelos torácicos e achar que isso é motivo suficiente para nos passar a perna mas acredite: nem mesmo nós, que por meio de nossas vaginas somos templo da geração da vida humana, medimos nossa capacidade por hormônios ou órgãos sexuais. Cresça.

E aos homens dotados de imaturidade, conservadorismo e certo grau de altura: não somos escravas. Você pode usar seu melhor desodorante, falar mansinho com voz de criança por puro fetiche, fazer o papel da vítima e achar que isso é suficiente para nos manipular aos seus desejos. Querido: temos quereres. Você pode sentir que, no auge de seus quase dois metros de altura, pode nos tratar com ar de superioridade e eu te digo: grande merda. É preciso que um homem tenha qualidades e atitudes que, provavelmente, você desconhece para merecer uma mulher de verdade. Sair pela tangente e te deixar com cara de tacho é a nossa especialidade.

Não tínhamos carnavais

Nenhuma lembrança específica de como eram nossos carnavais. Eles meio que não existiam. O que existia era um grande feriado, onde fazíamos questão de varar a noite assistindo os desfiles de escolas de samba. Comíamos churrasco, dançávamos no meio da sala. Eu era tímida, mas você me fazia rir. Barbeava metade do rosto e deixava a outra metade barbuda e vinha para o meio da sala mostrar o modelito. Ríamos muito. Eu, meu irmão e minhas primas. Todos crianças.

Quem sabe, em outras casas, não fosse natural ter música ao vivo. Aqui, era esse o nosso cotidiano de feriados e fins de semana. Você montava o som, o teclado, os microfones e passava o dia tocando e cantando. Você me ensinou a gostar de fazer música… Eu tenho orgulho de ter me saído a você.

Não tínhamos carnavais. Tínhamos momentos de continuarmos juntos, em família. Após a tua ida, não tinha mais graça ficar em casa no carnaval. Em alguns, viajamos, em outros, eu trabalhei. Saí três anos seguidos seguindo uma orquestra de frevo. A cada dois pulos, um flash. Nem lembro o quanto foi cansativo porque a alegria da experiência é bem mais marcante. Sabe o que foi difícil? Saber como voltar pra casa tarde da noite. Medo de contratar um carro com motorista desconhecido. Medo de voltar de ônibus. Medo que meus amigos não pudessem me ajudar com isso. Eu lembrava, sempre, que, antes, em qualquer lugar que eu estivesse, se eu estivesse precisando, tinha você pra me buscar. Era estranho não poder pegar o celular e te ligar.

É… nenhum carnaval foi o mesmo sem você, meu pai.