Falemos de mesmice

Vamos refletir sobre a mesmice. Uma vez, visitei uma espécie de oráculo, na internet, uma espécie de livro que se pode abrir de qualquer página em busca de uma mensagem, no site de uma terapeuta portuguesa (Alexandra Solnado). Ao experimentar o que ela chama de conexão, fechei os olhos e fiz uma pergunta sobre a ausência de mudanças em uma área de minha vida. Achei a mensagem vinda como resposta muito interessante. Dizia que muito se fala de mudanças e que muita gente vive mudando de lugar, de aparência, de emprego, adquirindo bens materiais etc. Contudo, segundo aquela mensagem, a mudança que, realmente, interessa é a maneira como olhamos as mesmas coisas. A mensagem continuava exemplificando pessoas que, há anos, possuem o mesmo emprego, a mesma casa, o mesmo carro e, no entanto, continuam mudando, sempre.

Trata-se de um esforço todo nosso que está contido naquele pacote de subjetividade que diz quem nós somos. Contudo, percebo que não é todo mundo que está pronto ou que para para observar este lado.

É preciso coragem para mudar, todos os dias, dentro das mesmas atividades. É preciso autoconhecimento e disciplina. Percebo que queremos mudar mas esmorecemos, durante o trajeto, diante das dificuldades de enfrentar a nós mesmos.

Não é, mesmo, fácil. É o meu e o seu desafio. É o desafio de quem prefere dar resolução aos questionamentos pela raiz. Lidar consigo, na sociedade de hoje, diante da forma como fomos criados é começar do zero em uma vida onde tanto já se andou. Mas tudo contribui. Queiramos paciência para nos observar, para nos conhecer, para sermos sinceros conosco quanto aos nossos quereres. Queiramos paciência para não vivermos com os pesos do passado nem com as ansiedades do futuro. Queiramos o presente, mesmo com mesmices. Forcemos um outro ângulo para observar e tenhamos concentração para estar e viver no agora.

Onde não posso ir

Paulista, 17 de janeiro de 2018

Supremo Deus,

Tenho pensado em minha falta de paciência. Andei reparando na facilidade sob a qual perco o equilíbrio diante de situações cotidianas que, geralmente, não se realizaram como eu gostaria. Considero-me uma pessoa resiliente e complacente em grande parte de minha existência, portanto, devo dizer que posso sentir que alcancei o limite da paciência quando uma quantidade considerável de situações cotidianas me desapontam. Não só isso. Tenho reparado que minha paz de espírito pouco tem se recarregado. Embora eu recorra às melhores intenções em meditações, leituras e desabafos, comprometendo-me comigo mesma, todos os dias, a ser alguém melhor, devo dizer, com pesar, que a paz de espírito me faz falta em situações de provação.

É como se cada pequena insatisfação não se desfizesse sem grande luta, dentro de mim. Antes que dê tempo de reassumir as rédeas e continuar, outra insatisfação se segue me fazendo, assim, sentir vontade de parar e, até, de me afundar em outros tantos poços antigos de insatisfação, como uma bola de neve que engorda e derruba tudo o que encontra pela frente. É com humildade que peço-lhe, por favor, ajude-me. Sei que a raiz de qualquer solução não está, simplesmente, em evitar as insatisfações. As insatisfações precisam ser trabalhadas, entendidas, refletidas para, assim, serem enfrentadas. A aceitação completa e total de todas as coisas é, também, um trabalho árduo. Todo e qualquer sentimento está sob o domínio de quem o sente.

A mudança parte de uma decisão. Toda decisão implica luta. As lutas internas são as mais difíceis. Dentro de todo esse processo de autorreflexão, sinto-me perdida. Como se não soubesse que passo dar. Eu sei que não é sempre que o racional fornece o que precisamos. Muitas vezes, é o coração quem mostra o caminho. Coração é conexão. É com humildade, Deus, que peço-te conexão. Ajude-me a reencontrar meu mundo interior de forma que situações externas não me abalem com tanta facilidade. De forma que eu entenda e saiba, mesmo sem saber, onde achar confiança.

Eu sei que Deus vai nos lugares onde não podemos chegar. Eu peço-te acesso. Que toda impaciência seja entendida mas que qualquer mínimo passo para um olhar profundo para o lado de dentro possa ser realizado mediante a Sua guia. Eu peço-te persistência, principalmente, para todos os momentos em que passar pela minha cabeça que não vale mais a pena por hoje. Não deixe-me desistir. Não deixe-me enganar por meus próprios pensamentos.

Um abraço forte,

Sua filha.