Uma observação injusta

Nada pra escrever quando tenho tempo de sobra. Tempo de escrever quando não sobra tempo para nada. Que sentido e que justiça possui a dinâmica da vida dos assalariados do século XXI estando entre fazer o que se gosta e morrer de fome; ou encher o prato e viver infeliz? Enquanto, deitada, brincava com a caneta perpassando-a entre os dedos, diante da folha de caderno vazia e o silêncio do quarto, era isso que eu pensava ao mesmo tempo que gostaria de escrever.

O ar quente do ventilador deixava o cômodo mais abafado e os vinte e oito graus que faziam, lá fora, só concordavam com a cabeça fervilhando em pensamentos. Tempo é ouro, é o que dizem. Deve ser porque tempo é produção, é criatividade, é força de trabalho. Tempo é aquilo que se deixa passar em nome da necessidade enquanto não se corre atrás do que, realmente, se deseja. O tempo é precioso demais para que seja desperdiçado com infelicidade.


Daquilo que seja a vida

A gente luta durante anos, dia após dia, para ser alguém melhor. Passa um tempo desvendando o que há por trás de nossos sentimentos mais fortes para poder se entender, depois um pouco mais de tempo para poder se aceitar, depois mais tempo, ainda, lutando contra nós mesmos, tentando matar padrões de pensamento e de comportamento que nos acostumamos a ter mas que não nos fazem melhores. A gente luta para se alimentar dos melhores pensamentos, sentimentos, situações e influências mas, basta uma queda, daquelas bem dadas, daquelas que a gente não espera, daquelas que nos desestruturam, que nos fazem sair de nós mesmos, para tudo voltar, em instantes. Tudo o que não gostaríamos de ser, ainda, está ali ativado pelas nossas fraquezas. Quem sabe, viver feliz seja uma eterna luta contra nós mesmos a fim de manter uma paz que a gente não pode perder.

Insistir na guerra

Já não sei o que fazer com a espera
Enquanto esses pensamentos invadem o meu presente
Consomem meu paladar cerebral de algo bom
E tomam conta da minha mente

Por todas as vezes me preocupei com o futuro
Que estou criando deixando a paz acabar
E tentei repelir o que sinto e penso
Por tantas e quantas vezes isso fosse durar

Na última tentativa
Falei de novo, despretensiosamente, com Deus
E pedi pelo que me causava medo
Entregando os resultados do destino meu

De repente, o corpo assentou-se em si
E eu soube que Deus acolheu o pedido
Agora, é nisso que quero crer
E é isso que pretendo manter vivo