Me perdoa

Meu querido, me perdoa chegar com tanta sede de viver e, ao mesmo tempo, com tanta carga emocional. Perdoa a entrada leve, os sorrisos, os olhares, as brincadeiras. Perdoa essa sintonia que é tão evidente. Perdoa meu encanto, minha felicidade com esse reencontro. Perdoa ser tão natural pra mim. Perdoa os deslizes inconscientes, o falatório, as referências. Perdoa aquilo que não percebi e nem soube disfarçar. Perdoa essa honestidade, essa transparência…

Perdoa o sentimento de culpa por te assustar, por te deixar desconfortável. Perdoa o excesso de sensibilidade e o nível agudo de percepção. Perdoa por isso me causar tristeza, frustração, sensação de estar pisando em ovos. Perdoa a minha humanidade, meu bem… meus traumas, minha história, minha luta. 

Sinto muito. Obrigada. A tristeza não vai me impedir de enxergar o aprendizado, o crescimento, o salto. Devo a você a descoberta de um tico mais de coragem, um tico mais de maturidade, um tico mais de respeito. Perdoa os erros mas recebe meus sentimentos bons e meu desejo de que você seja muito, muito, muito feliz.

Eu voltei pra casa

Eu voltei pra casa e eles estavam lá. Antes de entrar, agradeci, perdoei, enviei amor. Ao agradecer, me senti plena, farta, completa, abundante. Eles estavam lá e eu me sentei no topo de uma montanha pra ver, ouvir e sentir.

O sol continuava brilhante e calmo em seu eterno “se pôr”. No sol, coloquei várias pessoas, aquelas que me causaram dor. Ao vê-las envoltas em luz, gerei amor em meu corpo inteiro e o enviei. Eu pedi a força do perdão e a força do amor, em minha vida, a fim de me libertar e, livre, ver o que vem.

E me veio uma emoção muito grande, uma vontade de chorar. Eles seguravam as minhas mãos e diziam: “como é bom ter você de volta”. Então, Ele chegou sorrindo. Sentou-se próximo a mim na terra seca e me abraçou. Falei de minhas dificuldades, anseios, sonhos. E tudo Ele entendia. Disse que ia ficar tudo bem após me ouvir, atentamente, enquanto minhas lágrimas corriam pelo rosto e alcançavam a manga direita de sua roupa. Disse que iríamos trabalhar juntos.

Muitos outros vieram e cantavam em línguas desconhecidas. Também eu cantei e o som era, curiosamente, perfeito. Melodias e letras diferentes, dezenas deles a reverenciarem o sol, cantando. E tudo se encaixava. Eu me senti em casa. Eu estava em casa. Eu voltei pra casa depois que agradeci, perdoei e amei.

Que seja amor

Ontem, sonhei com o perdão que eu ia te dar
Abri a porta e te vi tão compenetrado
Esperei ver teu olhar, teu rosto
Depois, eu me perguntei o por quê
O medo é aquilo que não nos deixa mostrar

Naquela sala, senti pressão e exclusão
Lembro esperar o momento de ser ouvida
Quis despejar o erro alheio
Eu quis culpar alguém da minha dor
A mágoa é aquilo que se volta para nós

Por isso, a gente sente aquilo que emana
A gente perde o equilíbrio com a dor
A gente perde a noção de quem a gente é
Quando mergulha em emoções ruins

Por isso, devemos ser protagonistas
Devemos tomar responsabilidade
Devemos ter o poder de nos consertar

O amor é o fluxo
Ele está dentro de nós
O amor é o caminho
Procuremos até encontrar!

O amor deve ser o reflexo das nossas ações
O amor é o lugar onde não existe medo
E, onde há medo, não há amor
Um deles precisa vencer
A gente age conforme o que sente
Que seja amor nossa forma de ser

Perdoe-se

Clara, foi no Facebook que eu vi algo sobre as pessoas irem e voltarem, mas nós (que vivemos dentro de nós) permanecemos. Nós devemos ficar, independente do que aconteça, nós devemos ficar. Não podemos nos ausentar da tarefa de cuidar de nós, não podemos nos omitir da nossa responsabilidade e aprendizado com os erros, não podemos nos dar (por muito tempo) ao direito de ser impacientes conosco. Tem coisas que a gente demora, mesmo, para aprender. Tem erros advindos de traumas fortíssimos que a gente demora, mesmo, a quebrar, de vez. As pessoas não são obrigadas a compreenderem o nosso interior mas nós (que moramos dentro de nós) devemos ser a base forte, a base certa que, mesmo aos pedaços, não vai desistir da vida, enquanto houver vida.

Portanto, Clara, eu estarei aqui quando o mundo desabar. Também, estarei aqui quando tudo for dando certo. Quando isso acontecer, segurarei sua mão direita e direi que está tudo bem. Tudo bem ter medo quando não se sabe ser só otimismo. Tudo bem se autossabotar quando não se sabe o que é viver com felicidade. Tudo bem se sentir sufocada. Tudo bem sentir que o corpo está paralisando. Estamos aqui para aprender a ver luz na escuridão. Estamos aqui para aprender a ver sentido em cada dificuldade que a gente vence. Está tudo bem. Estamos caminhando.

Tudo bem querer desistir, de vez em quando. Tudo bem achar que tentar por muito tempo sem obter o sucesso almejado é inútil. Quando isso acontecer, eu estarei aqui para segurar a sua mão e esperarei, ao seu lado, a tempestade passar. Tomaremos, juntas, atitudes assertivas quando o caos se for. É para isso que servimos: para nos acolher e para nos amar. Amor próprio é condição para outros amores. Perdoe-se, Clara. Eu estou, aqui. Não sairei daqui até você voltar.

Do eu para o ego.

Não é errado querer amar, errado é insistir em quem não te ama

Texto escrito em 23 de novembro de 2016. Quem sabe, ainda, atual.

Olá, senhoras. Olá, senhores. Olá, LGBT’s do meu coração. O post de hoje é sobre amor próprio, auto valorização e autoestima. Vamos falar de como é se sentir um lixo para uma pessoa (ou, até, pior, para si). Vamos falar da arte de ter recaídas. Vamos falar de se contentar com menos, muito menos do que, realmente, merecemos ganhar de alguém. Vamos falar de culpa, de remorso, de raiva de si com direito a vontade de se estapear. Não saia daí! Não mude de janela! O post de hoje está incrível! Vamos falar da arte de não se bastar e sentir a necessidade de dividir suas angústias com várias pessoas sem abertura de possibilidade de ouvir a qualquer uma delas porque, na verdade, você só consegue escutar esse barulho ensurdecedor mexendo as cadeiras dentro de você. Vamos, sim, falar da arte de se expor. Vamos falar de como se sentir no dia seguinte ao mar turbulento se agitar por conta da fraqueza e do sentimento que, por vezes, nos ajudam a escolher ser menos inteligentes. Vamos falar do dom de receber energias negativas e de permitir que suguem a sua energia boa. O mais novo post do Fuá de Clara começa, agora.

Queridos leitores, dividiremos este texto em três blocos, três situações que podem acontecer comigo ou com você, relacionadas a uma enxurrada de sensações e sentimentos que estão ligados a uma única raiz: a raiz da autoestima (de onde provém as ramificações da autoconfiança, autovalorização e amor próprio citados, anteriormente). Pode ser que subdividamos este post em três, caso fique cansativo, apesar de produtivo.

Pois bem, vamos chamar nossa situação número um, carinhosamente, de A recaída que vem depois que eu já descobri que agi como besta. Antes que você se sinta meio mal e com vontade de se enforcar, provocando a sua morte, sentindo raiva de si, deixa eu te dizer uma verdade: esta recaída é muito comum em pessoas corajosas que se permitem acessar, pelas primeiras vezes, na vida, uma base gigantesca de dados compostos por sentimentos. Geralmente, pessoas, verdadeiramente, humanas e admiráveis sofrem dessa situação número um. Eu estou aqui para lhe dizer que NÃO é errado perdoar. NÃO é errado querer retomar uma amizade ou um relacionamento. NÃO é errado amar alguém. Contudo, nas primeiras experiências de se render a um sentimento e se permitir acessar suas fragilidades podemos bambear como uma criança que está aprendendo a andar (a pé ou de bicicleta), como um adolescente que, ainda, não sabe onde colocar a língua na hora do beijo, como um adulto que está sendo jogado, pela primeira vez, no mercado de trabalho.

Assim como, quando crianças e adolescentes, estamos em constantes aprendizados e superações, quedas e levantes, no momento em que nos deparamos adultos em uma cultura onde ter sentimentos é exceção e não regra, é mais do que natural dar umas bambeadas, umas quedinhas, uns tropeços até conseguir andar com fé (cada um do seu jeito). Os erros, nesta situação número um, nos servem para aperfeiçoar o caminho. Portanto, seria um EQUÍVOCO querer deixar de amar por conta de uma recaída. O amor é o caminho e não o erro.

Agora, vamos analisar possíveis descompassos dentro do caminho. Muitas vezes, enxergamos alguns fatores que não nos fazem bem numa pessoa que amamos. Em determinado momento (geralmente, após umas sofridas básicas) cai-se a primeira ficha e descobrimos que não temos, a princípio, como ajudar essa pessoa porque não foi desenvolvido nela, ainda, o elemento essencial de qualquer mudança que é o querer mudar. Geralmente, as pessoas que não costumam trazer elementos do seu inconsciente para o consciente sofrem disso, frequentemente.

São pessoas que costumam muito mais estar preocupadas com a sua imagem perante as pessoas do que com os próprios sentimentos (quanto mais os sentimentos de outrém) que transcendem qualquer coisa. Essas pessoas entendem tudo o que ouvem como cobrança ou crítica destrutiva e se sentem vitimizadas criando clima chato, ou seja, elas revertem a situação e tentam fazer você (que fez uma brincadeira inocente ou que tentou falar alguma coisa com a intenção de ajudá-la) sentir culpa. Na maioria das vezes, elas conseguem. São pessoas que não desenvolveram o dom de escutar e, principalmente, de refletir sobre o que ouvem. No instante em que você acorda e percebe que ajuda muito mais ficando em silêncio do que manifestando sua opinião, é doloroso. De repente, você não se sente mais à vontade para ser você. Você fica no fogo cruzado entre amar alguém que, no entanto, não te faz bem ou ir embora sentindo a dor da falta. Agora, você sabe que ninguém muda ninguém.

Muito bem, você já sabe de tudo isso. Você tem maturidade o suficiente para não entrar em joguinhos sem futuro como o de querer se vingar e o de ficar sem falar. Há uma informação importante em não querer devolver na mesma moeda ou não seguir impulsos negativos motivados pela sua ferida: isso não vai te curar, não vai te ajudar a seguir em frente, não vai diminuir a sua dor. Pelo contrário, alimentar sentimentos e pensamentos ruins só podem te estagnar. Você não quer isso, não é, bem? Leia isto e guarde para todo o sempre: somente o amor cura, quebra e liberta. Difícil aceitar? Impactante? Respirou fundo três vezes pra não querer me bater? Essa é a verdade que eu aprendi, vivi e vivo, embora cambaleando, também. Como é difícil, eu sei, engolir aquela dor agoniante a seco e não fazer mais nada além de tentar seguir em frente! Não é só isso. Como é difícil (como sei!) desejar o melhor para aquela pessoa e enviar, em silêncio, as boas vibrações para ela, apesar de todo o sangue que jorrou daquele corte em carne viva onde um vento basta pra fazer doer de novo! Como é duro amar mas saber que estar próximo demais é suicídio de autoestima, é permissão para desrespeito, desvalorização! É dor na alma!

Para um primeiro momento de reação à dor querendo se cuidar, a casadinha proteção/amor é o que vai te libertar desse passado que você não quer mais, mesmo que as vozes furiosas da sua baixa autoestima digam o contrário. Você aprende a deixar aquela pessoa em um círculo de contatos mais distante. Você amadurece aprendendo a falar, normalmente, se você ver. Você sabe que quem cuida da sua dor é você, quem te feriu não precisa saber do que você está passando. Você toma sua parcela de responsabilidade pelas suas escolhas debaixo do braço e vai. E dói. E vai. E dói. E vai. E vai doendo menos. E continua indo. E quase, já, nem dói. E continua indo.

A fase do quase já nem dói é a mais crítica. Você está quase nem se importando mais. A dor já não dói por um tempinho. Você vê a pessoa, ela não quer falar, mas você nem liga. Tá tudo bem. Você está conseguindo preencher aquele buraco que ficou daquela ruptura. Está preenchendo-o com algo valioso: você. Mas aí a pessoa que você ama e que te feriu e que nunca te ouve, nunca presta a atenção no que você sente e nem se preocupa com isso percebeu que você não vai se render àqueles padrões de comportamentos antigos: você não vai ligar, não vai mandar mensagem, não vai propor conversa, não vai brigar, não vai chamar a atenção. Você fez nada e pretende continuar assim. Ao perceber isso, essa pessoa vai lá e fala com você. “Oi, tudo bem? Você sumiu… nunca mais te vi…” Você faz uma cara de pamonha, compreende a infantilidade daquela postura, mas fala, normalmente, e segue em frente, sem muito contato, sem conversar demais.

No dia seguinte, segue o jogo. A pessoa vem de novo. Puxa uma conversa mais demorada. Seus amigos estão te chamando mas você decide ficar mais um pouquinho com aquela pessoa sem coração porque… por que, mesmo? Eis a pergunta: POR QUÊ? Até que ele interpela uma de suas melhores amigas, segurando-a pelos dois braços, olhando nos olhos dela e, escanteando a conversa que havia iniciado contigo, percebendo que você já estava no papo ao balançar de uma única asinha e pouco se lixando para a sua nobre presença ali, a intima para ir assisti-lo em uma apresentação. Você disfarça, olha no celular. Até que ele vira e te diz o seguinte: “Você, não preciso nem dizer, né?” Claaaaro que não precisa! Afinal de contas, você está sempre ali disponível e atrás dele, não é?

Você se irrita e, brincando, reclama, acha interessante ele intimar uma de suas melhores amigas, na sua frente, daquele jeito. Manda ele se lascar. Vamos brincar pra sair daquilo, né gente? Vamos ficar à vontade como se estivéssemos voltado às boas. Eu sei que foi inocente de sua parte, sei que dali você partiria e a proximidade, aos poucos, voltaria. Mas ele não gosta de ver você mandando ele se lascar na frente dos outros, mesmo se vocês se conhecem há aaaanooosss, mesmo se existe intimidade pra isso, não é? Mas essa intimidade tem que ser escondida. Desde quando ele assumiu sentimento por você, mesmo? Desde quando ele se importa com o que você sente diante desses joguinhos infantis? Desde quando ele foi capaz de se colocar no seu lugar? A doida é tu, porra. A pessoa que explode, se expande, demonstra, age como pessoa que sente e que transborda, às vezes. Na verdade, o ser humano é você, meu amor. Essa pessoa é um monte de programações inconscientes.

Eu sei o que você sentiu depois que ouvir aquele não gostei no ouvido esquerdo. Eu sei que veio forte aquela sensação de ter tido uma recaída, de ter pensado em ceder por mais uma vez, de voltar com a relação SEM que ele tivesse sugerido isso. Veio, ainda, a culpa. Verdade, você fez uma brincadeira íntima, vocês não são mais íntimos, foi na frente das pessoas. Ele tem os motivos dele. Eita, porra. Você pede desculpas, você vê ele inflando o ego. Há pessoas, como você, que pedem desculpas porque valorizam suas relações. Há pessoas, como ele, que aceitam desculpas para confirmar que estão certos e o outro está errado. Para pessoas assim, ouvir um pedido de desculpas é um alívio porque eles não suportam sair de seu quadrado perfeccionista. Eles não conseguem encarar a si, diante de um erro. Eles não sabem se perdoar.

Essa é a situação número um. Você volta a se sentir uma merda depois de quase ter saído dela. Você se decepciona de novo, age como idiota de novo, entrega seus sentimentos de novo, se afoga nas águas rasas da desilusão. Usei uma situação hipotética super simples pra ilustrar o estrago. Eu sei que tem gente que enfrenta rojões maiores. Sabe qual foi teu maior engano? Ter insistido em depositar teus tesouros na pessoa que não iria saber reconhecê-los. Não é errado querer amar. É errado não amar a si e, ainda, insistir em amar alguém que você já sabe que não te enxerga.

Me trazer de volta

Paulista, 13 de junho de 2018

Querido Deus,

Ainda me surpreendo com a Tua forma de falar com as pessoas. Pergunto-me se todas possuem condições de interpretar os Teus sinais e logo me respondo que não. Por isso, imagino eu, o Senhor arruma novas e novas formas de falar a mesma coisa, até que nós ouçamos/percebamos a mensagem. Às vezes, o Senhor fala por intuição, outras vezes por acontecimentos, outras por pessoas, outras, ainda, por repetições. Isso mesmo. O Senhor é tão esperto e a Tua criatividade é tão infinita (assim como a Tua grandeza e bondade) que permite que os mesmos ciclos se repitam, que os mesmos sofrimentos retornem vestidos com outras roupas só para que nós tenhamos a oportunidade de entender o que tanto queres falar.

Eu preciso agradecer. Eu entendi que a gratidão é a força motriz que traz a cura para as dores, clareza para a alma, direcionamento para os objetivos. Eu preciso agradecer por todas as coisas, as boas e as ruins, as presentes e as ausentes, o que se pode ver e o que, ainda, não foi visto. Eu agradeço porque, nos últimos tempos, o Senhor me ensinou que os maiores sofrimentos são os maiores empurrões. A gente sofre e entra em contato com a nossa alma, a gente sofre e não tem controle sobre a sensibilidade, a gente sofre e busca entender. Essa busca é fundamental para nos encontrar com o Teu propósito de evolução.

É tanta coisa que aprendi que é, até, difícil explicar. Repetições me fizeram enxergar que todo aprendizado não é suficiente para nos manter conectados. O que nos conecta são as práticas diárias de ir até Ti, seja por leituras e estudos, reflexões, atividades que nos fazem perder a noção do tempo, ajudar o próximo, meditar, principalmente. Uma desconexão com a nossa essência pode acarretar consequências catastróficas. De repente, de mansinho, uma emoção negativa se aloja e convida outras a entrarem, sorrateiramente. A gente fala uma bobagem, cria uma preocupação, julga sem querer, se vitimiza, vive com pressa e pronto: na hora em que tudo explode, o estrago está feito.

Descobri que uma das atitudes mais difíceis da vida é retornar a se descobrir depois de pensar que já havia feito de tudo. É trilhar, pela segunda vez, o mesmo caminho de volta por ter traído a si. Imagine, Senhor, o que é pensar positivo, fazer por onde alguma coisa mudar e ver nada, absolutamente nada, sair do lugar… É desesperador. Imagine sofrer uma série de perdas simultâneas pra poder sentir uma dor inimaginável pra poder perceber que tudo o que a gente recebe é reflexo de tudo o que a gente emana e, mesmo assim, não saber como faz pra mudar. Perder tudo pra poder entender, pela segunda vez, o quanto é importante agradecer. Perder tudo pra poder entender que as respostas e os suportes estão dentro e não fora. Perder tudo pra poder sofrer, pra poder buscar, pra que alguém me diga que pensar positivo não é o suficiente se o meu sentimento estiver me sabotando…

Imagine, Senhor, ter que voltar a um lugar, dentro de mim, que eu achava já ter preenchido com terra fértil e plantado bem. Quem sabe, florestas poderiam ter sido criadas se eu não tivesse parado de alimentar a minha conexão e priorizado a minha pressa. Passou. Aprendi que não posso mudar o que passou. Não posso mudar o que podem ter feito comigo. Mas eu posso escolher o que fazer com isso. Eu posso decidir como reagir a isso. Posso ir Te encontrar todos os dias e pedir a Tua ajuda para perdoar, para gerar amor, para curar as feridas, para limpar a densidade das emoções ruins, para ser amor. Posso usar as forças que me restam para lutar contra pensamentos que me destroem e que eu permiti que entrassem sem nem perceber por causa da dor, posso medir minhas palavras e fazer um esforço pra deixar de reclamar, de julgar, de me pôr no lugar da vítima. Posso lutar por mim, para ter um coração leve, para entregar, nas Tuas mãos, meus maiores sonhos, para me dedicar ao trajeto de ir ao encontro do que mais preciso.

Essa é a luta silenciosa mais difícil que eu conheço mas sei que é a única que, realmente, vale a pena. A gente não tem o poder de fazer uma mudança exterior acontecer sem, antes, trabalhar para que ela ocorra dentro de nós. É a parte mais difícil da vida: mudar aquilo que a gente sente, aquilo que não nos serve. Quando a gente consegue… a gente chega mais perto de Deus.

Estou tentando de novo, meu Deus. Agradeço por me trazer de volta.

Com amor,
Sua filha.