Menina, o que há com você?

(Na realidade, me antecipo a dizer que a menina pode tudo. Mas há quem se fira com suas atitudes intencionais)

Você tem uma raiva gratuita e espontânea de qualquer garota que ameace seu posto de ser o centro das atenções. Você se insinua pra tudo quanto é homem e não perde a chance de se envolver com eles para conseguir o que quer. Você não se importa com a ética em ambientes de estudo ou trabalho. Você não se esforça para se dedicar, ao menos, a uma única coisa, em sua vida, e acha que pode findar seus dias bebendo, dançando, fumando, vestindo roupas provocantes e passando a perna nas pessoas. Menina, o que há com você?

Será que, para se sentir alguém, você precisa criar rivais? Será que você não consegue viver sem os olhos das pessoas sobre você? Por que você quer ou precisa tanto desses olhares? Será que é porque a sua autoestima não está ok? Você luta para obter a atenção das pessoas e se sente ameaçada quando isso não acontece. Você recorre a bens que te anestesiam e se passa por uma pessoa engraçada que nunca vai ter juízo, que nunca vai tomar um rumo, que sempre vai precisar de ajuda para poder se aproximar dos outros. Na verdade, você é extremamente carente, tem a autoestima extremamente baixa, nunca sentiu amor próprio e nunca teve coragem de mostrar quem você, realmente, é.

O que você ganha com isso, garota? Qual é a graça de achar que a solução dos seus problemas está em fatores externos? Por que será que você não consegue olhar pra dentro? Qual é a sua real necessidade quando se insinua para pessoas do sexo oposto e faz sexo com elas sem nunca ter sentido o amor? Que medo é esse de se entregar? Que medo é esse de encontrar o seu lugar? Agora, mesmo, você está seduzindo e se envolvendo com o seu superior. Ele está perdido no sofrimento e você o leva para bares e festas com as quais ele não se identifica, mas ele vai porque ele é muito mais velho do que você e tem um complexo gerado por uma juventude que não viveu. Ele está encantado com o seu frescor, com a sua juventude, com a sua loucura. Na verdade, ele acha que estar perto de você e acompanhar suas inconsequências pode ser a única escolha empolgante, já que ele luta para se sentir confiante e não consegue. Ele não consegue enfrentar a si, ele não sabe porquê está com você e você não sabe porquê está com ele.

O que te faz sentir uma pessoa melhor em se aproveitar de uma pessoa que está frágil, emocionalmente? Qual é a graça de fazer tantos movimentos para sua vida sexual sem algo de verdadeiro? O que de bom há em machucar o coração da mulher que, realmente, ama esse cara? Não quero tirar a responsabilidade dele da história. Mas seria bom que o seu senso de autorresponsabilidade acordasse desse sono profundo. Menina, você é jovem, bonita, inteligente, tem uma vida pela frente te esperando. Uma vida maior do que esse círculo vicioso onde você se meteu. A vida pode ser melhor do que isso. Seja lá qual for a dor que você esconde, descubra-a, enfrente-a. Descubra quem você é e o que realmente quer. Então, terá paz. Acredite, magoar os outros, causar intrigas, competições, viver relações vazias não contribui para que te tornes a melhor versão de si. Não atrai para ti um olhar verdadeiro e profundo, não te faz ser amada.

Menina, aprende a se respeitar, aprende a se amar. Se conseguires, entenderás o quanto é importante ter respeito pelos outros, aproximar-se dos outros por quem você é. Sei que estás cansada de fazer este papel. Sei que pode ser doloroso não descansar no seu próprio eu. Então desista disso. Desista de se alimentar do que os outros pensam e falam, desista de montar um personagem para obter a atenção e o cuidado deles. Cuide-se, cresça, amadureça, tome as rédeas de sua vida. Menina, pare de magoar as pessoas, gratuitamente, apanha a tua dignidade do chão ou as pessoas nunca deixarão de sentir pena de ti.

Minhas impressões sobre Sense8

Na primeira vez em que ouvi falar de Sense8, eu estava assistindo ao canal da Jout Jout Prazer quando me deparei com um vídeo dela tentando explicar a série. Durante a ocasião, Jout Jout mostrou vários comentários e mensagens recebidas de fãs pedindo para que ela falasse a respeito. Lembro que a youtuber se saiu muito bem em sua explicação, o que me deixou curiosa para conhecer o produto.

Na época, eu não tinha assinatura com a Netflix e, sim, eu não deveria ter feito aquilo mas assisti a primeira temporada em um site da internet que disponibilizava os doze episódios (sorry!). Não espere que eu vá te dar detalhes técnicos ou analisar a linha de atuação ou a trilha sonora da série. Neste espaço, aqui, eu quero poder expor o que me toca, o que me chama a atenção, o que eu acho interessante porque tenho uma trajetória de não conseguir me envolver, facilmente, com as coisas que assisto. Contudo, Sense8 é, também, uma exceção a esta regra. Lembro que me apaixonei. Segui página em rede social, li um monte de matérias sobre bastidores, me dei conta da legião de fãs que o produto já tinha (e eu passava a ser um deles!). Lembro da felicidade que senti ao receber a notícia de estreia da segunda temporada, justamente porque, agora, eu tinha Netflix (kkkkk).

Sense8 é uma quebra de paradigmas e crenças. Sabe aquilo que a gente acredita desde quando nasceu? Sabe aquilo que a gente nunca buscou mas já estava lá quando chegamos? Sense8 destrói tudo isso através de uma trama bem feita, um trabalho minucioso de continuidade, movimentos de câmera, imagens, ângulos, cenários, trabalho com a luz, extremamente, bem feitos mas, principalmente (principalmente!), por conseguir nos fazer envolver com os personagens e torcer para que eles fiquem bem.

Não dá para explicar o enredo para quem nunca assistiu. Eu só sei que nunca aconteceu de eu me conformar em assistir um episódio e ir fazer outras coisas. Assistia até cansar, fazia minhas refeições em frente à tela, nem tomava banho pra começo de conversa. Ao final de cada episódio, com seus cerca de cinquenta minutos, estava lá eu ofegante, me perguntando se eu estava entendendo, retomando a história, mentalmente, ou, como diria a Jout Jout, sem saber como existir!

Sense8 fala de uma outra espécie de ser humano. Fico pensando que é mais fácil explicar a aceitação pelas diferenças e a extinção do preconceito quando se fala de uma outra espécie. Trata-se de união, grupos que se veem, se sentem, se conectam independente da distância. Penso que também pode falar, metaforicamente, dos vários eus existentes dentro de uma pessoa que, em diferentes momentos da vida, vai buscar, dentro de si, uma atitude mais assertiva. Fala de relações e do quanto elas dizem sobre nós, o tanto de nós que encontramos no outro e vice versa. Somos capazes do que quisermos se acreditarmos. Sense8 fala de uma luta antiga que pleiteia a união livre daqueles que se amam. Fala de tolerância, de respeito, de convivência.

Não é difícil se envolver e se apaixonar por aqueles oito protagonistas, cada um com sua história, seus costumes, seu tipo físico, sua cultura, sua língua. Não é difícil querer que, surpreendentemente, na hora do perigo, alguém tome conta do nosso corpo e resolva tudo pra nós. Não é difícil entender que dentro de nós pode estar tudo o que precisamos. Não é difícil entender que, às vezes, nosso pior inimigo mora dentro da nossa cabeça.