O ano virou só pra te lembrar disso

Quantos recomeços já desejamos? Você daí de onde busca motivos para sentir esperança e eu daqui do lugar onde desejo te reencontrar? Por quantas coisas já passamos? Você daí se recusando a dar mais um passo sem encontrar sentido e eu daqui de posse de todos os sentidos tentando arrumar uma forma de te fazer enxergar. Eu sou você e você sou eu. Ninguém mais do que eu entende o que você sente. Daqui, por isso, preciso que você acredite: vai passar. Não sei se hoje, não sei se amanhã, mas passa. Tem mais vida por aí e o ano virou só pra te lembrar disso.

Fizemos um bom trabalho: aprendemos a abrir mão. Abrimos mão da dor, do cansaço, da insistência numa vida que você deixou que desejassem por você. Sabemos que há mais além, embora não saibamos o quanto e o quê. Mas sabemos o principal: nem tudo aquilo que aprendemos a acreditar como certo é o certo para nós. Mesmo que a vida possa estar sendo dura, te peço, como alguém que é você num futuro melhor: apenas, continue. Não pensemos nas seguranças materiais que gostaríamos de ter, não pensemos no valor que os outros dão baseados em status ou em conta bancária, não pensemos em idade, no vão do passar do tempo. Não… pensemos no hoje. Um hoje que renasce em um grande ciclo de mais de trezentos dias, mas não pensemos nesses dias. Pense no dia primeiro. O primeiro dia de quê? Sonhe sem medo. Imagine, crie a sua imagem holográfica e a entregue ao vento certo. Ventos de gratidão, de coragem, de amor, de vontade de ser feliz.

Fizemos grandes coisas em um grande ano do qual nos despedimos com amor e gratidão. Ele nos trouxe até aqui e nos levará a um lugar diferente. Por mais um dia primeiro eu te peço: acredita! Tudo o que precisava sair, saiu. Tudo o que precisava chorar, chorou. Tudo o que precisava curar, curou. Agora deixa ir… Deixa ver o que tem. Aceita, mesmo sem ter certeza do que vai servir. Vai descobrindo no caminho, vai driblando as dificuldades com vontade de fazer as coisas que você gosta, vai mostrando pra a vida que você não vai desistir, ainda que não consiga hoje porque fazer o que se ama é bem maior do que cumprir uma meta material. Cumprir um propósito espiritual engrandece mais do que pensar no que os outros pensam.

Daqui do futuro, eu seguro a tua mão e te digo: vem! Estou te esperando mais madura, mais bonita, mais leve, mais feliz e mais realizada. Hoje é o nosso dia primeiro e eu prometo que vamos nos reencontrar.

Do eu para o ego.

Lembre-se de respirar

Clara, querer ter mais tempo para se dedicar a projetos há muito sonhados, lamentar o investimento pessoal e de energia em tanto tempo gasto com deslocamento e produção, segundo a Consolidação das Leis do Trabalho, é o dilema de muitas pessoas. Você não está sozinha nessa. Portanto, não se culpe quando o cansaço for maior do que você. Não se culpe quando o corpo pedir para dormir. Eu sei que você está dando o seu melhor. Acho justo que aproveite o que pode segundo as leis do seu corpo, em conformidade com o seu ritmo. Não sabemos se a vida vai mudar. Não sabemos se os sonhos serão realizados. Sei que tudo isso te amedronta. Sei que você quer fazer mais do que pode. Mas tentemos pensar que tudo o que, realmente, temos é o dia de hoje. Viva um dia de cada vez. Tenha momentos felizes em cada um desses dias e faça o que você puder. Prometa-me.

Jamais estaremos livres das más consequências advindas da interação com as pessoas. Eu entendo o longo caminho que você vem percorrendo para ser alguém melhor para si. Entendo a vontade de aprender a se proteger e admiro a escolha pelo caminho do bem, ainda que a situação seja a mais adversa. Eu entendo o movimento racional de querer perdoar e querer não se deixar atingir. Pode ser injusto não conseguirmos mandar nos nossos sentimentos e tentar encontrar lógica neles como é com o pensamento racional. O que posso dizer é que, de tanto você buscar isso que você acredita, um dia é isso que você será. Portanto, não desista. A vida vai fluir no tempo certo de ser.

Dizem que, ao servir o próximo, estamos multiplicando bênçãos em nossas vidas. Eu admiro tua forma de pensar, teu projeto de querer seguir uma série de práticas louváveis que sabes que podem te fazer bem. Compreendo a pressa de querer realizar aquilo que foi planejado. Devo compreender essa pressa de viver mais e pensar menos já que pensar é uma atividade tão mais corriqueira. Pressa de não abrir espaço para se sentir mal… Calma, Clara. Deixa o dia amanhecer no tempo do nascer do sol… Deixa a tua natureza trabalhar, dia após dia, no ritmo de encarar uma etapa por vez. Deixa a vida ser ao invés de só ser na vida. Para um pouco. Deixa o equilíbrio te achar, também.

Lembre-se de respirar, respirar, respirar… Lembre-se de recomeçar, não importa o que aconteça. Lembre-se de que eu estou aqui.

Do eu para o ego.

Minha cara, acredite, você consegue

Cara desconhecida, essas palavras vão para você que se vê vivendo a mesma história repetidas vezes e não consegue tomar uma atitude assertiva mediante a sua própria vida. Em primeiro lugar, eu quero dizer que te entendo. Mesmo. Quando a gente quer muito uma pessoa, a gente não sabe como deixar de querer. A gente não sabe como deixar pra lá alguém que a gente quer tanto do nosso lado. Diante da sua transparência e da forma verdadeira como você vivencia as relações, compreendo que, para ti, seria muito mais fácil modificar o sentimento para que o movimento do teu mundo exterior modifique, também. Mas, minha cara, eu te digo: às vezes, a gente precisa forçar a barra.

Se você sente que sofre muito mais do que sorri e se sofre por quase os mesmos motivos; se, quando está tudo bem, você sente medo de, a qualquer momento, ficar tudo mal; se você anda se desgastando com brigas e desentendimentos, ligue seu botão de alerta, algo aí não está certo. Às vezes, quando nos vemos muito mergulhadas em um sentimento ou numa situação a ponto se ter a sensação de viver, somente, aquilo no nosso cotidiano, podemos ser extremistas. Então, resolver uma questão que nos faz mal pode significar um sofrimento insuportável provocado pela dúvida de estarmos ou não fazendo a coisa certa. Não queremos nos sentir culpadas, queremos agir de maneira íntegra, não queremos dar motivos, não queremos falhar e nem magoar ninguém. Não queremos, principalmente, ir embora com dúvidas sobre o sentimento de outra pessoa por nós quando queremos, com todas as forças, ter certeza de que pode ser um sentimento bom e recíproco.

Mas, minha cara, ter dúvidas sobre os sentimentos de alguém não deve ser encarado como algo positivo. O amor se mostra, o amor se sente, o amor se vive, entende? Mas eu sei que a vontade de não estar vivendo uma dor tão forte a ponto de não querer enxergar a realidade como se mostra pode nos cegar.

Às custas de anos de sofrimento, racionalizei alguns movimentos e construí mecanismos de autoproteção que podem ser de utilidade pública. Vou te contar:

1. Quando você se sentir machucada, não tome decisão alguma. De cabeça quente, podemos ser rudes e nos perder nas cobranças, além de nos expor em um momento de fragilidade.
2. Após esfriar a cabeça, avalie as atitudes (e não as palavras) da pessoa para com você. Para isso, é necessário que você tenha certezas sobre o modo como gostaria de ser tratada.
3. Se, na sua concepção, as atitudes dessa pessoa demonstram o amor que ela tem por você, converse e exponha o que te feriu, amorosamente. Entre duas pessoas que se amam, o diálogo é peça fundamental para levar à compreensão mútua sobre seus sentimentos. Se você perceber que a pessoa não te ama, se afaste com educação e sem dar explicações (a menos que você precise terminar um namoro, noivado ou casamento). Apenas a despiste e não permita aproximações. Entenda que as pessoas não mandam em seus sentimentos e só agem da maneira como aprenderam até aquele momento de suas vidas. Ninguém pode dar o que não tem. Se não quer sentir uma dor contínua causada pela proximidade, permita-se sentir a dor de uma vez só em busca da cura com o afastamento. Se, ainda, tiver dúvidas sobre o sentimento da pessoa por você, continue sem agir. Apenas observe o movimento alheio.

Muitas vezes, podemos nos apaixonar por quem não quer a gente. Podemos ter certeza disso e, ainda assim, insistir em transformar um não em um sim. Podemos sentir dificuldades de sair daquela história porque acostumamos aquele ser humano a se alimentar do nosso sofrimento, nos permitimos ser um brinquedo, uma opção combinada com a conveniência do outro. Assim, sempre que essa pessoa nos procura ou quer chamar a nossa atenção, nos iludimos achando que ela nos retribui em sentimento, atenção, consideração. Mas não é isso. Na verdade, aquilo que não se mostra como motivo de bem-estar para o nosso coração, é puro ego, nada mais. Às vezes queremos, com todas as forças, nos apoiar em palavras que, sem atitudes, não possuem consistência. Às vezes, achamos que não vamos conseguir sobreviver longe daquilo que nos faz tão mal. Podemos cair, sempre, nos mesmos erros provocados pelas mesmas atitudes. Às vezes, não sabemos como cortar o ciclo que faz a bola de neve inchar. O segredo é se observar, se conhecer e decidir. Decida o que você quer pra você, se fortaleça em atividades, em situações e em pessoas que você sabe que te fazem bem, tenha uma vida para se amar fazendo o que ama e buscando o que sonha. Seu coração, é seu radar de alerta.

Acredite, você consegue.

Daquilo que seja a vida

A gente luta durante anos, dia após dia, para ser alguém melhor. Passa um tempo desvendando o que há por trás de nossos sentimentos mais fortes para poder se entender, depois um pouco mais de tempo para poder se aceitar, depois mais tempo, ainda, lutando contra nós mesmos, tentando matar padrões de pensamento e de comportamento que nos acostumamos a ter mas que não nos fazem melhores. A gente luta para se alimentar dos melhores pensamentos, sentimentos, situações e influências mas, basta uma queda, daquelas bem dadas, daquelas que a gente não espera, daquelas que nos desestruturam, que nos fazem sair de nós mesmos, para tudo voltar, em instantes. Tudo o que não gostaríamos de ser, ainda, está ali ativado pelas nossas fraquezas. Quem sabe, viver feliz seja uma eterna luta contra nós mesmos a fim de manter uma paz que a gente não pode perder.

A arte de se vencer

Passei a manhã pensando, lembrando, lendo, meditando e chorando. No final do rito de preparação, havia chegado a hora de recomeçar. Aí procrastinei: Netflix seguido de sono, mas um sono que não me deixava, verdadeiramente, dormir. Era a inércia me entorpecendo, me amolecendo, querendo me fazer parar. Quem passa pelo sutil momento despercebido da dificuldade de levantar da cama e enfrentar a vida não sabe o quanto é vencedor.